A interdição da ponte sobre o Rio das Antas, no km 95,7 da BR-116, entre São Marcos e Campestre da Serra, provocou uma sensação conhecida, e incômoda, entre moradores, comerciantes e usuários da rodovia.
A estrutura foi novamente bloqueada nesta terça-feira (22), depois que o São Marcos Online identificou sinais de danos em um dos pilares e acionou os órgãos responsáveis. Após uma vistoria preliminar, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) determinou a interdição total da travessia.
Nesta quarta-feira (23), técnicos do órgão devem realizar uma avaliação mais aprofundada da estrutura.
A preocupação da comunidade, entretanto, já ultrapassa a pergunta sobre quando os carros voltarão a passar.
Ela envolve mercadorias, transporte de pacientes, trabalhadores, estudantes, ônibus, caminhões, comércio e a própria ligação cotidiana de São Marcos e Campestre da Serra com outras cidades.
Uma história que a comunidade ainda lembra
A atual interdição ocorre três anos depois de um episódio que marcou a região.
Em 4 de setembro de 2023, a mesma ponte foi interditada depois que fortes chuvas, associadas à passagem de um ciclone extratropical, provocaram danos na estrutura.
Naquela ocasião, o DNIT identificou problemas principalmente nos pilares da ponte e informou que seria necessária uma solução de engenharia antes da retomada do tráfego.
O bloqueio não durou dias.
A ponte permaneceu fechada por aproximadamente cinco meses e meio. A obra de recuperação começou somente no fim de novembro, depois de semanas de estudos, contratação e articulação entre os municípios e o governo federal.
O investimento informado pelo DNIT foi de R$ 4,28 milhões, e o projeto previa inicialmente até seis meses de obras.
A estrutura somente voltou a receber veículos em 23 de fevereiro de 2024, depois de uma vistoria final dos técnicos do DNIT.
Os prejuízos não ficaram restritos aos motoristas
Naquele período, o impacto foi sentido especialmente por quem trabalhava ou mantinha negócios próximos à rodovia.
Com a redução do fluxo, comerciantes de beira de estrada perderam parte significativa do movimento habitual.
Motoristas passaram a utilizar desvios mais longos, aumentando tempo e custo das viagens.
O transporte coletivo também precisou ser adaptado. Algumas linhas passaram a operar em dois trechos, com passageiros desembarcando de um lado da ponte, atravessando a pé e embarcando em outro veículo do outro lado.
A situação afetou ainda pessoas que dependiam da ligação para consultas e exames médicos, negócios, trabalho e deslocamentos cotidianos. Reportagem publicada pelo SMO em setembro de 2023 já registrava essas preocupações entre comerciantes, motoristas e moradores.
Agora, as perguntas voltam
O episódio desta terça-feira trouxe novamente uma série de dúvidas enviadas ao São Marcos Online.
- Como ficarão os caminhões que abastecem os municípios?
- Quanto tempo a mais será necessário para transportar mercadorias?
- Como ficarão os pacientes que precisam se deslocar para consultas e exames?
- E os trabalhadores que diariamente atravessam a ponte para chegar ao emprego?
- Como as empresas que recebem ou enviam produtos vão reorganizar suas entregas?
- O comércio localizado nos acessos à ponte voltará a sofrer com a redução do fluxo?
São questões que ainda não têm resposta definitiva porque sequer existe, neste momento, uma previsão oficial para a duração da interdição.
Comerciantes já percebem o impacto
Na tarde desta terça-feira, ao retornar do local onde identificou o problema estrutural e acionou os órgãos de segurança, a reportagem do São Marcos Online conversou com comerciantes estabelecidos às margens da rodovia.
O sentimento encontrado foi de preocupação com a possibilidade de repetição do cenário de 2023.
Para quem depende diretamente do movimento da BR-116, a ponte não representa apenas uma passagem entre dois municípios. O fluxo de veículos significa clientes, entregas, abastecimento e circulação de pessoas.
A comunidade ainda carrega a experiência de 2023
É justamente a memória daquele período que torna a nova interdição mais tensa.
Em 2023, São Marcos e Campestre precisaram conviver durante meses com uma conexão rodoviária fundamental interrompida.
Lideranças dos dois municípios chegaram a se reunir com a Superintendência do DNIT em Porto Alegre para pedir agilidade na recuperação da estrutura. Na época, havia preocupação também com o escoamento da produção agrícola e com os impactos econômicos provocados pelo bloqueio.
Agora, três anos depois, a pergunta inevitável volta a ser feita:
quanto tempo a região ficará novamente sem uma das suas principais ligações rodoviárias?
A resposta depende da avaliação técnica que será realizada pelo DNIT nesta quarta-feira.
O que se sabe até agora
O DNIT confirmou que a ponte apresenta danos provocados pelas chuvas e que uma vistoria preliminar realizada na tarde de terça-feira levou à interdição total da estrutura.
O órgão informou que equipes trabalham em relatório e estudos para definir a solução de engenharia necessária para restabelecer o tráfego. Ainda não há previsão oficial de reabertura.
A avaliação desta quarta-feira será decisiva para dimensionar o problema.
Até lá, a comunidade permanece diante de uma situação que já conhece, e que ninguém gostaria de reviver.



