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Tarifaço dos EUA exige cautela da indústria; São Marcos pode sentir impactos no setor metalmecânico, avalia Simecs

Em entrevista ao SMO, vice-presidente de Relações Institucionais do Simecs, Gustavo Polese afirma que ainda não há impactos concretos nas empresas, mas alerta para o risco de perda de competitividade e destaca estratégias para preservar mercados.

Captura de tela da entrevista por videochamada com Gustavo Polese, vice-presidente de Relações Institucionais do Simecs, durante conversa com o São Marcos Online sobre os impactos do novo tarifaço dos Estados Unidos para a indústria da Serra Gaúcha e de São Marcos.
O vice-presidente de Relações Institucionais do Simecs, Gustavo Polese, concedeu entrevista ao São Marcos Online para analisar os possíveis impactos do tarifaço imposto pelos Estados Unidos sobre as exportações brasileiras. Durante a conversa, ele abordou os reflexos para a indústria da Serra Gaúcha, com destaque para o setor metalmecânico de São Marcos, e as estratégias que as empresas podem adotar para enfrentar o novo cenário. Crédito: São Marcos Online.

O novo aumento de tarifas imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros já preocupa a indústria da Serra Gaúcha. Embora ainda seja cedo para medir efeitos concretos, o cenário exige cautela das empresas exportadoras, especialmente em municípios como São Marcos, onde a indústria metalmecânica concentra a maior parte das exportações ao mercado norte-americano.

A avaliação é do vice-presidente de Relações Institucionais do Simecs, Gustavo Polese, em entrevista concedida ao São Marcos Online.

Segundo ele, a sobretaxa de 25% passou a vigorar nesta semana e cria um ambiente de incerteza para as empresas. O principal risco é a redução da competitividade dos produtos brasileiros diante de concorrentes de outros países, o que pode resultar na diminuição de pedidos e na pressão sobre as margens de lucro.

Apesar do cenário, Polese ressalta que o momento ainda é de avaliação.

"Entrou em vigor há poucos dias. Ainda é cedo para medir impactos concretos. O foco agora é preservar o relacionamento comercial construído ao longo dos anos com os clientes americanos", destacou.

Relação comercial é prioridade

Na avaliação do dirigente do Simecs, a principal estratégia das empresas deve ser manter os contratos e as relações comerciais já consolidadas.

Ele explica que o importador norte-americano também tem interesse em manter fornecedores confiáveis, já que qualidade, histórico de entregas e confiança são ativos construídos ao longo do tempo.

Entre as medidas recomendadas às indústrias estão a redução de custos por meio da automação, ganhos de eficiência, revisão de margens e outras iniciativas capazes de minimizar o impacto da nova tarifa sem comprometer a competitividade do produto brasileiro.

São Marcos tem forte dependência do setor metalmecânico

Dados apresentados durante a entrevista mostram que São Marcos exportou, em 2025, pouco mais de US$ 43 milhões para os Estados Unidos.

Desse total, cerca de 87% correspondem ao setor metalmecânico, segmento representado pelo Simecs.

Para Polese, essa característica faz com que o município acompanhe com atenção os desdobramentos da medida americana, já que boa parte da economia industrial local está ligada a esse setor.

Ele também lembra que os efeitos não atingem apenas as empresas que exportam diretamente.

Segundo o dirigente, pequenas e médias indústrias fornecedoras integram a cadeia produtiva das grandes exportadoras e também podem sentir reflexos caso haja redução na produção ou nas vendas ao exterior.

Ainda não há paralisação de negócios

Questionado sobre possíveis prejuízos imediatos, Polese afirmou que não há registro de cancelamentos de contratos de longo prazo.

Segundo ele, clientes norte-americanos já iniciaram conversas com fornecedores brasileiros para buscar alternativas que permitam manter as relações comerciais.

Nos contratos firmados por demanda, porém, o impacto pode aparecer mais rapidamente, caso as empresas não consigam absorver parte do aumento de custos e acabem perdendo competitividade frente a fornecedores de outros países.

Mercado, inovação e novos destinos

Para enfrentar o novo cenário, o dirigente defende que as empresas invistam em inovação, produtividade e também ampliem a busca por novos mercados, tanto no exterior quanto dentro do próprio Brasil.

Ele também destacou que o governo federal anunciou novas linhas de financiamento voltadas às empresas afetadas pelas tarifas, instrumento que poderá auxiliar investimentos e adaptação das indústrias conforme as regras forem regulamentadas.

Simecs coloca estrutura à disposição das empresas

Ao final da entrevista, Gustavo Polese destacou que o Simecs acompanha permanentemente o tema em conjunto com a Fiergs e a CNI e colocou toda a estrutura técnica da entidade à disposição das empresas associadas.

Segundo ele, economistas, assessoria jurídica e comitês especializados estão preparados para orientar os empresários conforme os efeitos das novas tarifas forem se consolidando.

"São Marcos sempre demonstrou capacidade de superar desafios. Tenho confiança de que os empresários da cidade saberão encontrar caminhos para enfrentar mais esse momento", concluiu.

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