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Sociedade Médica esclarece mudanças e afirma que atendimento no Hospital São João Bosco segue normalmente

Após dúvidas geradas por manifestações nas redes sociais, Sociedade Médica esclarece que mudança é administrativa e estrutural; atendimento aos pacientes segue normalmente. Em breve a instituição terá espaço próprio, moderno e com ampliação de especialidades. Confira na entrevista com Dr. Gilberto Moschetta.

Fachada da futura sede da Sociedade Médica São Marcos, em fase final de obras. O novo espaço reunirá consultórios médicos, salas para exames e estrutura ampliada, localizada a cerca de uma quadra do Hospital São João Bosco.
A nova sede da Sociedade Médica São Marcos está em fase final de construção e deve ser inaugurada nos próximos meses. O empreendimento ampliará a estrutura de atendimento, com novos consultórios e espaços para exames, sem alterar a atuação dos médicos no Hospital São João Bosco. Foto: Angelo Batecini / São Marcos Online.

Uma mudança na organização dos atendimentos médicos do Hospital São João Bosco acabou gerando dúvidas entre moradores de São Marcos nos últimos dias. Após manifestações feitas pelo diretor da instituição em redes sociais de terceiros, muitos passaram a acreditar que os médicos da Sociedade Médica deixariam de atuar no hospital.

Para esclarecer a situação, o São Marcos Online conversou com o diretor técnico da Sociedade Médica São Marcos, Gilberto Moschetta, que explicou os motivos da reorganização e reforçou que não haverá prejuízo aos pacientes.

A origem da mudança está em um comunicado encaminhado em 18 de junho ao Hospital São João Bosco, Prefeitura, Secretaria Municipal da Saúde e Conselho Municipal de Saúde. Nele, a Sociedade Médica informa que deixaria de realizar o plantão de sobreaviso clínico a partir de 10 de julho, mantendo normalmente os atendimentos nas áreas cirúrgica, pediátrica e obstétrica, além da atuação de seus profissionais junto ao Corpo Clínico do hospital.

O que muda

Segundo Moschetta, a alteração atinge apenas a forma de organização do atendimento aos pacientes internados a partir do pronto-socorro.

Até então, esse acompanhamento era realizado pelos médicos Flávio, Átila e Roberto — ele próprio já havia deixado essa escala em 2025.

"Os médicos que estavam atendendo os pacientes que internavam a partir do pronto-socorro eram os doutores Flávio, Átila e Roberto. Eu já tinha me afastado desta escala desde o ano passado."

A partir de agora, o primeiro atendimento dos pacientes internados ficará sob responsabilidade da equipe que já atua no pronto-socorro do hospital.

"Quem dá o primeiro atendimento são os colegas do pronto-socorro. Eles organizam o caso, avaliam a necessidade de especialistas e, quando necessário, chamam o cardiologista, o urologista, o cirurgião ou qualquer outro profissional."

Moschetta destaca que, se o paciente já possui um médico de confiança da Sociedade Médica, nada impede que ele continue sendo acompanhado pelo mesmo profissional durante a internação.

"O médico do hospital tem toda a liberdade para dizer: 'Gilberto, tem um paciente teu internando aqui, tu quer ficar com ele?'. Não tem problema nenhum."

Motivo da decisão

O diretor técnico afirma que a mudança não foi motivada por questões financeiras, mas por diferenças na condução administrativa do serviço.

"Existia uma diferença de opiniões sobre a melhor maneira de tratar esse pessoal entre os médicos e a direção do hospital. Houve um desgaste nessa relação e optou-se por passar ao hospital a administração desse sobreaviso."

Segundo ele, as conversas ocorreram durante anos.

"Se houve tentativa de negociação? Conversamos sempre. Estamos fazendo esse sobreaviso há muitos anos. Tentamos várias vezes melhorar essa maneira de funcionar e impedir que decisões administrativas interferissem no atendimento clínico, mas não estava funcionando muito bem."

Moschetta também faz questão de afastar qualquer especulação sobre questões financeiras.

"Do ponto de vista de financiamento e remuneração não existe complicação nenhuma. Tanto que os sobreavisos de cirurgia, pediatria e obstetrícia continuam funcionando normalmente. O próprio plantão do pronto-socorro continua funcionando normalmente."

Atendimento segue igual

O principal ponto enfatizado pelo médico é que a mudança não significa que os profissionais deixarão de atuar no Hospital São João Bosco.

"Ninguém vai parar de trabalhar. Nós continuamos atendendo normalmente nos consultórios, normalmente no hospital, fazendo cirurgias, acompanhando internações, pediatria, obstetrícia, tudo o que sempre fizemos."

Segundo ele, o único aspecto que muda é a obrigação de permanecer permanentemente em regime de sobreaviso.

"O que muda é que eu não preciso estar de prontidão a todo momento, toda hora, como acontece hoje."

Moschetta lembra ainda que a decisão também leva em consideração a longa trajetória dos profissionais.

"Estou fazendo plantões há 40 anos. Se fosse funcionário público, já estaria aposentado há quinze. Essa disponibilidade de ficar sábado, domingo, feriado, dia e noite também cansa."

Nova sede não tem relação com a decisão

O Hospital São João Bosco também passa por obras de ampliação da estrutura. Paralelamente ao investimento da Sociedade Médica em uma nova sede, a instituição hospitalar executa melhorias em suas instalações, enquanto os atendimentos seguem normalmente. Foto: Angelo Batecini / São Marcos Online.

Outro ponto que gerou questionamentos foi a construção da nova sede da Sociedade Médica.

Segundo Moschetta, a mudança para o novo prédio vinha sendo planejada há anos e não tem relação com a reorganização do sobreaviso clínico.

"Nós já pretendíamos nos mudar para a sede nova há anos. Compramos esse prédio há cerca de quatro anos e estamos em obras desde o início do ano passado. A decisão da mudança física não tem nada a ver com essa decisão."

A futura sede reunirá todos os consultórios da Sociedade Médica em um espaço mais moderno, amplo e acessível, localizado a cerca de uma quadra do hospital.

"O pessoal pergunta: 'Vocês vão sair do hospital?'. Eu digo que vamos sair fisicamente daqueles consultórios que ficam nos fundos do hospital e vamos nos mudar uma quadra. É isso. Não dá nem cem metros."

Ele observa que esse modelo é adotado na maioria das cidades.

"Em praticamente todas as clínicas médicas de Caxias do Sul os consultórios ficam ao redor dos hospitais. Pouquíssimos hospitais mantêm clínicas funcionando dentro de suas dependências."

Investimento amplia estrutura médica

Além da mudança de endereço, a Sociedade Médica também amplia sua capacidade de atendimento.

O novo prédio contará com cerca de mil metros quadrados, novos consultórios, salas para exames, elevador, rampas de acessibilidade, estacionamento e infraestrutura mais moderna para receber pacientes.

Para Moschetta, trata-se de uma evolução natural de uma instituição com mais de 50 anos de história.

"O atendimento continua praticamente o mesmo. A grande mudança é essa reorganização inicial dos pacientes internados pelo pronto-socorro. Todo o restante continua igual."

Ao final, o médico reforça a mensagem que considera mais importante para tranquilizar a comunidade.

"Não estamos nos afastando do hospital. Não estamos deixando de atender no hospital. Continuamos atendendo nossos pacientes, realizando cirurgias e acompanhando internações. O que muda é apenas a forma de organização do primeiro atendimento clínico dentro do hospital."

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