A saúde pública de São Marcos iniciou 2026 com um ritmo intenso de atendimentos e um esforço financeiro concentrado no orçamento da própria prefeitura. O Relatório Detalhado Quadrimestral (RDQA), que será lido hoje na Câmara de Vereadores, revela que o município aplicou 15,34% de sua arrecadação de impostos no setor, superando o mínimo constitucional exigido por lei.
O peso do investimento local
Um dado que chama a atenção na análise dos documentos é a origem do dinheiro que mantém postos e hospitais funcionando. Dos R$ 8 milhões que entraram para a saúde entre janeiro e abril, nada menos que 65%, 5,14 milhões vieram diretamente dos cofres do município.
Enquanto a União contribuiu com 27% dos recursos, o governo do Estado respondeu por apenas 8,51% do financiamento total no período. Na prática, isso significa que a saúde de São Marcos depende hoje, majoritariamente, da arrecadação local de impostos para garantir a assistência à população.
Recorde de atendimentos: mais de 42 mil em quatro meses
A transformação desse investimento em serviço para o cidadão resultou em 42.706 atendimentos na rede própria. A maior parte desse volume foi realizada por profissionais de ensino superior (médicos e enfermeiros), mas os serviços de odontologia (1.641 atendimentos) e farmácia (5.205) também apresentaram números expressivos.
Na ponta do sistema, a Secretaria de Saúde registrou:
90.936 procedimentos individualizados
5.754 vacinas aplicadas
2.002 visitas domiciliares, reforçando o atendimento preventivo
Hospital São João Bosco: cirurgias e partos
A parceria com o Hospital Beneficente São João Bosco (HBSJB) garantiu a realização de 80 cirurgias eletivas e 23 partos pelo SUS municipal apenas neste primeiro quadrimestre. Além disso, a rede contratada viabilizou mais de 4,2 mil exames de imagem, uma das principais demandas da comunidade para diagnósticos rápidos.
Desafios: judicialização e baixa capacidade de obras
Apesar dos bons indicadores de atendimento, o relatório aponta gargalos. O município teve R$ 113.327,61 bloqueados judicialmente para o pagamento de medicamentos e tratamentos específicos, valor que pressiona o planejamento orçamentário.
Outro ponto de atenção é que quase 100% dos gastos foram destinados ao custeio de pessoal e manutenção dos serviços, sobrando apenas 0,01% (R$ 523,23) para investimentos de capital, como a compra de novos equipamentos ou grandes reformas.
Vigilância: São Marcos "limpa" de Dengue
No campo da prevenção, os dados são positivos: apesar de 11 casos suspeitos de dengue terem sido investigados, nenhum caso foi confirmado no município até o fechamento de abril. Já em relação às doenças respiratórias, foram registrados 51 casos de COVID-19 e 16 de Influenza no período.
Esta reportagem foi elaborada com base no Ofício nº 020/2026, protocolado na Câmara Municipal de São Marcos para leitura na sessão de 01/06/2026.



