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São Marcos testa tecnologia para reduzir população do mosquito da dengue e registra mês recorde de ovos

Município aposta em estações disseminadoras de larvicida enquanto monitoramento aponta aumento histórico na presença do Aedes aegypti. Com 30 dispositivos em teste, abril fecha com cerca de 5,6 mil ovos do mosquito detectados, maior índice desde o início do monitoramento com as ovitrampas.

Agente da Vigilância Ambiental realiza manutenção em armadilha com larvicida utilizada no controle do mosquito Aedes aegypti em São Marcos.
Agente capacitado faz a troca do refil e a verificação de armadilha do projeto que testa novas tecnologias para reduzir a população do Aedes aegypti no município. Foto: Prefeitura de São Marcos.

A Prefeitura de São Marcos deu um passo além no enfrentamento à dengue ao iniciar o uso de novas tecnologias para reduzir a população do mosquito Aedes aegypti. A iniciativa, lançada oficialmente neste mês, passa agora por uma fase de testes práticos, justamente em um momento de alerta: abril registrou o maior número de ovos do mosquito desde o início do monitoramento com ovitrampas no município.

Em entrevista ao São Marcos Online, a médica veterinária da Vigilância Ambiental, Carla Batista do Nascimento, detalhou como funcionam as chamadas Estações Disseminadoras de Larvicida (EDLs) e contextualizou o cenário local.

Tecnologia aposta na própria fêmea para combater o mosquito

Segundo a profissional, o princípio da tecnologia é relativamente simples, e estratégico. As armadilhas utilizam água com um atrativo e um larvicida não tóxico para humanos, mas eficaz contra o mosquito.

A fêmea entra na armadilha para depositar os ovos. Ali, tanto ela quanto as larvas acabam contaminadas pelo larvicida. E o mais importante: essa mesma fêmea leva o produto no corpo para outros locais, ajudando a disseminar o controle em diferentes pontos da cidade

Carla Batista do Nascimento

O método transforma o próprio comportamento do mosquito em aliado no combate, ampliando o alcance da ação para além das armadilhas instaladas.

Projeto ainda é fase de teste e avaliação

Ao todo, o município adquiriu 30 estações, com contrato inicial de seis meses. O investimento faz parte de recursos específicos destinados à vigilância em saúde.

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A continuidade do projeto dependerá dos resultados obtidos nesse período.

Se a gente perceber que funciona, pode ampliar. Se não houver efeito, não se justifica manter o investimento. É um recurso público que precisa ser bem aplicado

Carla Batista do Nascimento

As estações estão distribuídas em pontos estratégicos e passam por manutenção a cada 60 dias, com troca do refil de larvicida e componentes internos.

Autoridades, lideranças e profissionais da saúde acompanham a apresentação do projeto que introduz novas tecnologias no combate ao mosquito Aedes aegypti em São Marcos. Foto: Prefeitura de São Marcos.

Abril teve maior índice desde início do monitoramento

Paralelamente à nova tecnologia, o município mantém o sistema de ovitrampas, armadilhas utilizadas para monitorar a presença do mosquito. E foi justamente esse controle que acendeu um sinal de alerta.

Só no mês de abril, tivemos cerca de 5.600 ovos identificados. Foi o maior número desde que começamos esse monitoramento, há cerca de cinco anos

Carla Batista do Nascimento

As ovitrampas funcionam como indicadores: captam ovos em palhetas que depois são analisadas em laboratório, permitindo estimar o nível de infestação.

Apesar do número elevado, a profissional pondera que o sistema serve para diagnóstico, não para eliminação do mosquito.

Elas mostram como está a situação. Quem reduz de fato é o trabalho dos agentes e agora, possivelmente, essas novas estações

Carla Batista do Nascimento

Combate segue dependendo da população

Mesmo com o uso de tecnologia, o controle da dengue continua fortemente dependente de ações básicas.

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Equipes realizam visitas domiciliares, fiscalização em pontos críticos, como borracharias, ferros-velhos e cemitérios, e eliminação de criadouros.

A principal forma de combate ainda é mecânica: não deixar água parada. A tecnologia vem para somar, não para substituir esse cuidado

Carla Batista do Nascimento

Município não tem casos confirmados no momento

Apesar do aumento na presença do mosquito, São Marcos não registra, neste momento, casos positivos de dengue, nem autóctones, nem importados.

O cenário, no entanto, exige atenção.

Com o aumento da infestação identificado em abril e a introdução das novas armadilhas, o município entra agora em uma fase decisiva para avaliar se a tecnologia será capaz de conter o avanço do mosquito antes que ele se reflita em casos da doença.

A resposta deve começar a aparecer nos próximos meses.

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