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Réu confessa assassinato de caminhoneiro durante júri e leva polícia até local onde foi encontrado fragmento de osso em Bom Jesus

Confissão de um dos acusados muda os rumos do julgamento da morte de Luciano Boeira Melos, desaparecido desde julho de 2023. Material encontrado em área de difícil acesso passará por perícia para confirmar se pertence à vítima.

Foto: divulgação Polícia Civil

O julgamento dos quatro acusados pela morte do caminhoneiro Luciano Boeira Melos, desaparecido há três anos em Bom Jesus, nos Campos de Cima da Serra, ganhou um novo desdobramento nesta terça-feira (29). Após a confissão de um dos réus durante o Tribunal do Júri, equipes da Polícia Civil foram conduzidas até o local indicado por ele e encontraram um fragmento de osso em uma área de difícil acesso no interior do município.

O material será submetido à perícia para verificar se pertence a Luciano, que desapareceu em julho de 2023 e nunca teve o corpo localizado.

A descoberta ocorreu enquanto o júri era retomado no Foro da Comarca de Bom Jesus, após um primeiro dia marcado por depoimentos emocionantes e pela confissão do principal acusado.

Réu admite o crime durante interrogatório

Na noite de terça-feira (28), durante a fase de interrogatórios, Felipe Silveira Noronha confessou ter matado Luciano a tiros de rifle. Segundo seu relato, o crime aconteceu após ele descobrir, no dia anterior, que a vítima mantinha um relacionamento extraconjugal com sua esposa, Fabiana Silveira Noronha.

O acusado afirmou que armou uma emboscada, utilizou uma arma de sua propriedade para cometer o homicídio e agiu sozinho na execução. Conforme seu depoimento, o irmão, Flávio Silveira Noronha, teria participado apenas do transporte da motocicleta da vítima para outro local, numa tentativa de dificultar as investigações.

A versão apresentada por Felipe foi semelhante aos depoimentos prestados por Fabiana e por Flávio, que também atribuíram exclusivamente a ele a autoria do assassinato. O quarto réu, José Balduíno Saraiva, pai de Fabiana, exerceu o direito constitucional de permanecer em silêncio.

Mesmo com a confissão, os quatro continuam respondendo pelos crimes de homicídio duplamente qualificado, por motivo torpe e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima, além de ocultação de cadáver e fraude processual. Todos respondem ao processo em liberdade.

Luciano Boeira Melos está desaparecido desde julho de 2023

Fragmento de osso é encontrado após indicação do acusado

Na manhã desta quarta-feira, uma equipe formada por cerca de 15 policiais civis de Bom Jesus e Vacaria, coordenada pelo delegado Gustavo Costa do Amaral, seguiu até o ponto indicado pelo réu confesso.

A região fica na localidade de Caraúno, no interior de Bom Jesus, aproximadamente 40 minutos de carro da área urbana, sendo acessível apenas por veículos com tração nas quatro rodas. Depois disso, os policiais ainda percorreram cerca de uma hora e meia de caminhada até chegar ao local exato informado por Felipe.

Foi ali que os investigadores localizaram um fragmento de osso, que agora será analisado por peritos para confirmar se pertence ao caminhoneiro desaparecido. O material encontrado foi recolhido por peritos do Instituto-Geral de Perícias (IGP) e será submetido a exames para determinar se possui origem humana e, posteriormente, se há compatibilidade genética com Luciano Boeira Melos.

Caso a identificação seja confirmada, será a primeira evidência física encontrada desde o desaparecimento de Luciano, encerrando um dos principais mistérios que cercam o caso.

Relembre o caso

Luciano Boeira Melos tinha 27 anos e trabalhava como caminhoneiro. Ele desapareceu na noite de 26 de julho de 2023, após sair de casa em sua motocicleta para encontrar Fabiana Silveira Noronha em uma propriedade rural na localidade de Caraúno.

Antes do encontro, Luciano enviou um áudio ao irmão informando para onde estava indo e afirmando que, caso algo acontecesse, a família saberia onde procurá-lo. Foi o último contato da vítima com familiares.

No dia seguinte, sem notícias do filho, a mãe registrou um boletim de ocorrência e iniciou uma intensa mobilização nas buscas.

Cinco dias depois, em 31 de julho de 2023, a motocicleta de Luciano foi encontrada submersa em um rio, na localidade de Casa Branca, cerca de 30 quilômetros distante do local onde ele teria sido atraído. Segundo a denúncia do Ministério Público, o veículo foi levado até ali para simular um desaparecimento e dificultar a elucidação do crime.

Desde então, as investigações conduzidas pela Polícia Civil reuniram provas técnicas, análises de dados telemáticos de celulares e depoimentos que culminaram na denúncia contra os quatro acusados.

Primeiro dia do júri

O julgamento teve início na manhã de terçaa-feira (28), sob a presidência da juíza Luciana Rech Slaviero Porath, da Vara Judicial da Comarca de Bom Jesus.

Ao longo do primeiro dia foram ouvidas oito das nove testemunhas previstas, entre elas a mãe de Luciano, que relembrou os últimos momentos antes do desaparecimento do filho e os dias de buscas, e o delegado Gustavo Costa do Amaral, responsável pela investigação, que detalhou as diligências realizadas ao longo de quase dois anos.

Após a conclusão da fase de interrogatórios, os trabalhos foram suspensos por volta das 22h30 e retomados nesta terça-feira com os debates entre acusação e defesa, paralelamente às diligências realizadas pela Polícia Civil na área indicada pelo réu confesso.

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