Dois homens foram presos na tarde desta quinta-feira (27), em Caxias do Sul, durante uma ação das forças de segurança contra suspeitos de envolvimento em crimes de abigeato. Conforme informações divulgadas pelo Portal Leouvâ, a investigação envolve ocorrências registradas na região do distrito de Fazenda Souza e também no município de São Marcos. Um terceiro suspeito conseguiu fugir para uma área de mata e não havia sido localizado até a publicação desta reportagem.
Durante a operação, os policiais apreenderam uma caminhonete que seria utilizada pelo grupo, além de carne proveniente dos animais abatidos. Também foram encontrados equipamentos como serra-fita, balança e cordas, materiais que, segundo a investigação, seriam empregados no abate e preparo dos animais. A suspeita é de que os criminosos furtavam o gado, realizavam o abate e posteriormente comercializavam a carne.
Investigação chega a São Marcos
A menção a ocorrências em São Marcos dá à prisão uma dimensão regional. O município já teve casos recentes de abigeato relatados por produtores, especialmente em comunidades do interior próximas à área de divisa com Caxias do Sul e Criúva.
Em maio de 2025, o São Marcos Online noticiou um caso na comunidade de São Jacó em que produtores relataram a ocorrência de sete animais abatidos em um período de dois anos. Dias depois, outro caso foi registrado em Ilhéus, onde duas vacas prenhas foram abatidas dentro de uma propriedade. Na ocasião, a Polícia Civil trabalhava com a possibilidade de ligação entre ocorrências registradas em diferentes localidades da Serra.
O cenário voltou a ser discutido em maio deste ano, quando moradores de São Roque procuraram o poder público para relatar preocupação com furtos e abigeato no interior. Naquele momento, a Brigada Militar informou ao São Marcos Online que havia dois registros relacionados ao crime no município em 2026: um em São Roque e outro em São Jacó.
Números oficiais podem não mostrar toda a realidade
Embora os registros oficiais apontem números relativamente baixos em São Marcos, a própria Brigada Militar chamou atenção para a importância de que os produtores formalizem as ocorrências.
Em maio, o comandante da BM de São Marcos, sargento Everdan da Silva, explicou ao São Marcos Online que o planejamento do policiamento considera os registros oficiais e os chamados “mapas termais”, utilizados para identificar concentrações ou alterações nos índices de criminalidade.
Na prática, isso significa que um crime não registrado deixa de alimentar as estatísticas utilizadas pelas forças de segurança para definir áreas prioritárias de patrulhamento.
A subnotificação é especialmente relevante quando se trata do meio rural, onde o produtor pode encontrar um animal abatido apenas depois de algum tempo, ter dificuldade para identificar os responsáveis ou até mesmo optar por não registrar a ocorrência.
Região de Criúva também aparece no cenário
A proximidade entre São Marcos, Criúva e comunidades do interior de Caxias do Sul torna o caso desta quinta-feira ainda mais relevante para a região.
Em maio, durante a discussão sobre segurança no interior de São Marcos, a Brigada Militar informou que Criúva havia registrado 22 casos de abigeato em seis meses, enquanto São Marcos contabilizava dois no mesmo período.
Os números, portanto, não permitem afirmar que o crime esteja ocorrendo na mesma intensidade nos três territórios. Mas mostram que o abigeato não se limita às fronteiras administrativas dos municípios e que propriedades rurais localizadas em uma mesma área geográfica podem estar inseridas em uma dinâmica criminal regional.
Casos anteriores já haviam alertado produtores
A sequência de ocorrências noticiadas pelo São Marcos Online nos últimos anos também ajuda a dimensionar a preocupação dos produtores.
Em São Jacó, relatos de animais abatidos dentro das propriedades apontaram prejuízos recorrentes. Em Ilhéus, o abate de duas vacas prenhas provocou novo alerta entre produtores.
Naquele momento, além do prejuízo financeiro, os relatos mostravam uma preocupação adicional: o sentimento de que propriedades rurais poderiam estar sendo observadas e escolhidas por criminosos que conhecem as estradas e acessos do interior.
A prisão realizada nesta quinta-feira em Caxias do Sul acrescenta um novo elemento a esse histórico: segundo as informações divulgadas até o momento, os suspeitos presos são investigados por ocorrências em Caxias e São Marcos, indicando que a apuração alcança mais de um município.
Terceiro suspeito segue foragido
A operação terminou com dois homens presos e um terceiro suspeito fugindo para uma área de mata. As forças de segurança seguem nas buscas.
A investigação deverá esclarecer a participação de cada envolvido, a quantidade de animais relacionada aos crimes e se há outras ocorrências que possam ser atribuídas ao grupo.
Até o momento, as informações divulgadas apontam suspeita de atuação em Fazenda Souza e São Marcos, mas não permitem afirmar a responsabilidade dos presos por todos os casos de abigeato registrados na região.
Para os produtores rurais, o caso reforça uma orientação já destacada pela Brigada Militar: qualquer ocorrência, inclusive o desaparecimento de animais ou a localização de carcaças, deve ser comunicada e registrada. Além de permitir a investigação, os registros ajudam as forças de segurança a identificar padrões e direcionar o policiamento para as áreas mais afetadas.


