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Obra de alargamento gera questionamentos sobre licença ambiental e supressão de araucárias; Prefeitura nega irregularidades

Denúncia encaminhada ao São Marcos Online aponta possível irregularidade ambiental e questiona a legalidade da intervenção em área com araucárias. Município apresenta matrícula da área, licença ambiental e sustenta que todos os procedimentos foram realizados dentro da legislação. Ação faz parte das obras de alargamento da rua João Carlos Gasparotto.

Vista do trecho final da Rua João Carlos Gasparotto, em São Marcos, onde ocorre a obra de ampliação da via. A imagem mostra área com vegetação nativa, incluindo exemplares de araucárias, além de parte do terreno que passou por intervenção para continuidade dos trabalhos de infraestrutura urbana.
Trecho final da Rua João Carlos Gasparotto, nas proximidades do Clube de Idosos, é alvo de questionamentos sobre aspectos ambientais e fundiários. Prefeitura afirma que a obra possui licenciamento ambiental, respaldo técnico e que a área pertence ao Município. Foto: São Marcos Online.

Uma intervenção realizada pela Prefeitura de São Marcos no trecho final da Rua João Carlos Gasparotto, nas proximidades do Clube de Idosos, voltou a gerar questionamentos e motivou o envio de denúncias ao São Marcos Online.

Segundo o relato recebido pela reportagem na última semana, a obra executada pela Secretaria Municipal de Obras, com utilização de máquinas terceirizadas, estaria avançando sobre uma área ambientalmente sensível e teria promovido a supressão de vegetação nativa, incluindo araucárias, durante um período considerado inadequado para esse tipo de manejo.

O denunciante também levanta dúvidas sobre a cronologia do licenciamento ambiental. Conforme a denúncia, a licença que autoriza a intervenção teria sido emitida somente após o início dos trabalhos no local, o que, em sua avaliação, poderia comprometer a legalidade do procedimento.

Esta é a segunda vez que a mesma obra e o mesmo trecho da via se tornam alvo de questionamentos. Em 2025, intervenções realizadas na área também motivaram manifestações de moradores e denúncias encaminhadas a órgãos públicos.

Diante dos apontamentos, o São Marcos Online procurou a Secretaria Municipal de Obras, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e o setor jurídico da Prefeitura para obter esclarecimentos.

Município afirma que área pertence à Prefeitura

Uma das principais alegações apresentadas pelo denunciante refere-se à possibilidade de a intervenção estar ocorrendo em área privada.

Para responder a esse questionamento, o setor jurídico encaminhou à reportagem a matrícula nº 18.064 do Registro de Imóveis de São Marcos.

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O documento registra uma área de 5.763,85 metros quadrados constituída por parte da via pública denominada Rua João Carlos Gasparotto e aponta o Município de São Marcos como proprietário do imóvel.

Segundo a Procuradoria Jurídica, o registro comprova que a área objeto da intervenção integra o patrimônio público municipal.

"Em relação aos questionamentos levantados, informamos que a situação encontra-se dentro da legalidade. Inclusive, a área correspondente à rua possui matrícula registrada em nome do Município, o que demonstra a regularidade dominial", informou o setor jurídico.
 

Licença ambiental autoriza supressão de árvores

Outro ponto central da denúncia envolve a retirada de vegetação nativa existente no local.

A Licença de Instalação nº 2611/2026, analisada pela reportagem, foi emitida pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente em 28 de maio de 2026 e possui validade até maio de 2031.

O documento autoriza a ampliação da infraestrutura viária em um trecho de 164,31 metros da Rua João Carlos Gasparotto.

Entre as autorizações concedidas está a supressão de 25 árvores nativas e três exemplares de araucária, espécie considerada símbolo do Rio Grande do Sul e protegida por legislação específica.

Como compensação ambiental, a licença determina o plantio de 430 mudas de árvores nativas, incluindo 45 araucárias.

Além disso, o documento estabelece uma série de condicionantes relacionadas à proteção da fauna, controle de erosão, drenagem, gestão de resíduos e acompanhamento ambiental da obra.

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Denúncia questiona período da intervenção

O denunciante sustenta, entretanto, que a existência da licença ambiental não encerraria a discussão sobre a legalidade da intervenção.

Um dos argumentos apresentados refere-se ao chamado período de defeso da araucária, época do ano em que a espécie recebe proteção especial em razão de seu ciclo reprodutivo e da dispersão natural do pinhão.

Na avaliação do denunciante, a supressão ou intervenção envolvendo exemplares da espécie durante esse período mereceria análise mais aprofundada por parte dos órgãos de fiscalização ambiental.

A reportagem questionou a Secretaria Municipal de Meio Ambiente sobre esse aspecto.

Segundo a secretária Francine Girardelo, todos os procedimentos adotados seguiram os critérios técnicos exigidos para o licenciamento, não havendo irregularidades na autorização concedida.

Questionamento sobre data da licença

Outro ponto levantado pela denúncia diz respeito à data de emissão da Licença de Instalação.

O denunciante afirma que a intervenção teria começado antes da formalização da autorização ambiental.

Questionada sobre o assunto, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente informou que a licença foi emitida e assinada na própria quinta-feira, 28 de maio, mesma data em que ocorreu a ação de supressão da vegetação.

Segundo a secretária Francine Girardelo, ela encontrava-se fora do município naquele momento, mas o procedimento administrativo foi concluído e assinado ainda naquele dia, não havendo execução de atividade sem cobertura do licenciamento.

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A Secretaria sustenta, portanto, que não houve atuação irregular nem realização de serviços sem a devida autorização ambiental.

Prefeitura mantém posição de legalidade

O secretário de Obras, Juca Camargo, afirmou à reportagem que a intervenção integra um planejamento técnico previamente elaborado pela administração municipal e segue cronograma regular de execução.

Ele também declarou que a obra possui respaldo jurídico, técnico e ambiental.

A Procuradoria Jurídica acrescentou que o projeto foi desenvolvido pelo corpo técnico da Secretaria de Coordenação e Planejamento e que toda a documentação pertinente encontra-se disponível junto aos órgãos responsáveis.

Com base nos documentos analisados pelo São Marcos Online, a Prefeitura apresenta atualmente dois pilares para sustentar a legalidade da intervenção: a matrícula da área em nome do Município e a Licença de Instalação emitida pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente.

Por outro lado, os questionamentos apresentados pelo denunciante concentram-se principalmente na oportunidade da emissão da licença ambiental e na realização da supressão de araucárias durante o período de defeso da espécie.

Até o momento, não há manifestação de órgãos fiscalizadores externos ou decisão administrativa que aponte irregularidades na obra. O caso segue sendo acompanhado pela reportagem.

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