As mudanças implementadas no regulamento dos Jogos Escolares de São Marcos (JESMA) voltaram a gerar repercussão entre profissionais da área e a gestão municipal. O debate ganhou força após manifestações do professor de Educação Física Rafael Stedile Rigon, que há mais de uma década acompanha e participa da organização das competições.
Em declarações recentes, o professor aponta dificuldades práticas no modelo adotado, especialmente após a limitação que permite a cada estudante participar de até duas modalidades coletivas. Segundo ele, a regra impacta diretamente escolas com menor número de alunos.
Na prática, algumas instituições não conseguem montar equipes suficientes para todas as modalidades
Entre as situações mencionadas estão modalidades sem inscrições, ausência de disputas em categorias específicas, como o futsal feminino, e dependência de poucos alunos para viabilizar competições.
Calendário e atletismo entram na discussão
Outro ponto levantado diz respeito ao calendário. Pelo regulamento, as atividades estão concentradas entre maio e julho. Para o professor, o formato reduz o tempo de envolvimento dos estudantes ao longo do ano letivo.
No atletismo, também há questionamentos. Rigon cita a redução no número de provas e a inclusão de modalidades que, na avaliação dele, não estariam adequadas a determinadas faixas etárias.
As críticas se estendem ainda à pesquisa utilizada pela Secretaria de Educação como base para as mudanças. O professor avalia que o instrumento não contemplou espaço para argumentação e pode não refletir a realidade de quem atua diretamente nos jogos.
Secretaria defende ampliação da participação
Do outro lado, a secretária municipal de Educação, Elemara Borghetti, sustenta que as alterações foram construídas a partir de demandas das escolas e têm como foco ampliar o acesso dos estudantes.
De acordo com ela, o formato anterior concentrava a participação em um grupo reduzido de alunos, que competiam em diversas modalidades ao longo de vários meses.
A proposta é oportunizar que mais alunos tenham a experiência de participar, não apenas aqueles que já têm maior desempenho esportivo
A secretária destaca que a limitação se aplica apenas às modalidades coletivas, enquanto as individuais seguem sem restrição. Ela também menciona que a decisão foi respaldada por uma consulta à rede, na qual a maioria dos respondentes indicou preferência pela manutenção do modelo com até duas modalidades por aluno.
Outro argumento apresentado pela gestão é a redução do tempo total dos jogos, apontada como forma de minimizar impactos no calendário escolar.
O cenário expõe diferentes leituras sobre o papel dos Jogos Escolares no município. Enquanto parte dos profissionais aponta dificuldades operacionais e questiona os resultados práticos, a gestão defende que o modelo busca ampliar a participação e diversificar o acesso às competições.



