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Nós vamos morrer!

Longe de casa, entre notícias de tragédias e encontros que a vida proporciona pelo caminho, Lore Poleto reflete sobre a brevidade da existência, o presente e aquilo que realmente importa.

Natural de São Marcos, a professora, fotógrafa e nômade digital Lore Poleto passa a integrar o time de colunistas do São Marcos Online. Em sua nova coluna, compartilhará experiências, reflexões e histórias sobre culturas, idiomas e a vida de quem escolheu conhecer o mundo sem fronteiras. Foto: Arquivo pessoa.
Natural de São Marcos, a professora, fotógrafa e nômade digital Lore Poleto passa a integrar o time de colunistas do São Marcos Online. Em sua nova coluna, compartilhará experiências, reflexões e histórias sobre culturas, idiomas e a vida de quem escolheu conhecer o mundo sem fronteiras. Foto: Arquivo pessoal.

Viajar ou morar fora do país te faz viver tudo de forma mais intensa – pro bem e pro mal.

Te faz ressignificar o que realmente importa, já que tu passa a estar longe fisicamente da família e dos amigos nos aniversários, nas doenças, nas datas especiais.

Mês passado, eu estava num Hard Rock café comemorando o aniversário de uma amiga que tinha conhecido há alguns dias aqui em Kuala Lumpur, na Malásia. Enquanto estávamos comendo, peguei meu celular e me deparei com a notícia de um incêndio num bar em Bangkok – cidade em que eu havia saído há poucos dias. Impossível não ter um cachoalhão e repensar toda a tua existência em poucos minutos. A gente ali, sentadas num bar celebrando a vida, enquanto muitas pessoas que faziam o mesmo há poucas horas morreram de forma trágica. Impossível não lembrar da boate Kiss e daquela noite traumática no RS e no Brasil. Não consegui assistir ao vídeo. Não teria estômago.

No dia seguinte, eu acordei tarde e saí para comer. No caminho, uma das primeiras notícias que recebo é a do falecimento do pai de uma das minhas melhores amigas de infância. Não vou conseguir estar por perto para poder abraçá-la.

Há poucas semanas, um professor de inglês que conheci também em Bangkok e acabou se tornando meu amigo (no hostel, no quarto ao lado do meu) relatou um assassinato na escola onde ele está trabalhando. Um adolescente armado assassinou crianças e professores.

Nós vamos morrer. E eu não digo isso para assustar ou causar pânico, mas consciência. Precisamos parar de encarar a vida como se o amanhã estivesse garantido, porque não está. E nós presenciamos isso inúmeras vezes nos últimos anos, com guerras, pandemias, e inúmeros eventos climáticos e sociais. Presenciamos isso dia após dia. O hoje é tudo que temos, por isso se chama presente.

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Eu já tinha essa convicção forte em mim, mas passar três meses na Tailândia frequentando templos budistas despertou ainda mais essa certeza.

Mindfulness é uma prática de se concentrar no aqui e no agora e observar nossos pensamentos – não precisamos lutar contra eles, nem apagá-los, nem pensar positivo, como muitos imaginam. É mais sobre observação do que sobre transformação: estou pensando que não posso esquecer de enviar aquele email. Ok, isso é apenas um pensamento. Estou preocupada com aquele boleto. Esse pensamento gera um sentimento de angústia. É assim que estou agora. O ar condicionado está desligado, por isso estou com calor. É como deitar na grama e observar as nuvens no céu – elas estarão lá (ou não) independentes de nossa vontade, não podemos controlá-las, no máximo nos forçar a ver algum formato familiar, com algum esforço.

Isso nos liberta de um peso e de uma culpa que costumamos carregar, também – a sensação que estamos sempre atrasados, sempre correndo, sempre vivendo no futuro. Que nosso feed sempre está à frente, que estamos perdendo a música do momento, a festa, o lance do jogo do momento.

Desconectar dessa alta tensão, ao menos por uns instantes, é libertador.

O que continuará vivo depois que nós partimos?

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Eu sou a Lore: profe de inglês, português, fotógrafa e nômade digital.

Convido vocês a me acompanharem nos meus perfis no instagram: @lorepoleto e @teacherlorepoleto, onde posto com mais frequência. Vai ser lindo ter vocês por lá, me enviem uma mensagem dizendo que vieram daqui. Vou ficar feliz em saber.

Espero, com minhas palavras, mostrar que construir uma carreira internacional é possível e inspirar mais pessoas a conquistar o mundo – porque com fé, dedicação contínua e um bocado de paciência, o céu é o limite.

Abraços com carinho,

Lore.

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