Os metalúrgicos de Caxias do Sul e região rejeitaram a contraproposta apresentada pelo Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico (Simecs) durante Assembleia Geral Extraordinária realizada na manhã deste sábado (27), na sede do Sindicato dos Metalúrgicos. Mais de 300 trabalhadores participaram da plenária, que definiu a continuidade da mobilização da categoria na Campanha Salarial 2026.
A assembleia teve como objetivo avaliar o andamento das negociações da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), cuja data-base é 1º de junho. Após duas rodadas de negociação entre as entidades, ainda não houve acordo.
A proposta patronal prevê piso salarial de R$ 2.250 e reajuste de 5%, composto pela reposição da inflação medida pelo INPC, de 4,42%, acrescida de 0,58% de aumento real. A categoria, por sua vez, mantém a reivindicação de reajuste de 6,42% — correspondente ao INPC mais 2% de ganho real — e piso salarial de R$ 3,5 mil.
Além das questões econômicas, outros dois pontos seguem sem avanço nas negociações: a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais e a proibição do uso de câmeras nas linhas de produção das fábricas.
A plenária contou com a participação do presidente do Sindicato, Paulo Andrade, do presidente licenciado Assis Melo, da secretária-geral Eremi Melo, do economista Davi Fiaklow e do procurador jurídico Cláudio Libardi Júnior, que abordaram o cenário econômico, os direitos trabalhistas e os próximos passos da campanha.
Durante a assembleia, Assis Melo defendeu maior valorização da categoria.



"O trabalhador precisa se valorizar, porque ninguém vai fazer isso. Vocês precisam se valorizar, porque não existe riqueza sem trabalho. A voz dos metalúrgicos tem que ecoar em cada canto dessa cidade e quando as máquinas estiverem desligadas. A pressa tem que ser de quem tem condições de pagar, e não paga porque não quer. Isso não vai quebrar nenhuma empresa", afirmou.
O presidente Paulo Andrade reforçou que o sindicato seguirá mobilizando os trabalhadores nas empresas da base para pressionar o setor patronal por avanços na negociação.
"Assim como já viemos fazendo desde o início da campanha salarial, continuaremos indo à porta das fábricas, mobilizando trabalhadores e trabalhadoras. Não importa o tempo que fizer, lá estaremos firmes em nosso propósito de chamar a atenção da categoria e mostrar para os patrões que estamos fortes e unidos em torno dos nossos objetivos. A classe metalúrgica merece reconhecimento e valorização", declarou.
Com a rejeição da contraproposta, o Sindicato dos Metalúrgicos dará sequência às mobilizações nas fábricas da região enquanto aguarda a continuidade das negociações com o Simecs em busca de um acordo para a Convenção Coletiva de Trabalho de 2026.



