Os metalúrgicos de Caxias do Sul e região decidiram manter a mobilização da categoria na Campanha Salarial 2026. A definição ocorreu durante Assembleia Geral Extraordinária realizada neste sábado (11), no auditório da sede central do Sindicato dos Metalúrgicos, que reuniu cerca de 300 trabalhadores e trabalhadoras.
A plenária teve como objetivo avaliar o andamento das negociações da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) e definir os próximos passos da campanha. Os participantes aprovaram a continuidade das ações de mobilização, especialmente as assembleias realizadas em frente às fábricas da base, intensificadas nas últimas semanas em razão do impasse nas negociações com o Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico (Simecs).
Segundo o sindicato, desde a última assembleia, quando a categoria rejeitou a contraproposta patronal, o Simecs não apresentou uma nova proposta. Permanece sobre a mesa a oferta de reajuste correspondente ao INPC acrescido de 0,58% de ganho real, enquanto os trabalhadores mantêm a reivindicação de 2% de aumento real acima da inflação.
A abertura da assembleia contou com uma análise do economista Davi Fiaklow sobre o cenário econômico do setor metalmecânico. Conforme os dados apresentados, a indústria registra elevados índices de produtividade e lucratividade, argumento utilizado pelo sindicato para defender a valorização dos trabalhadores.
Durante a assembleia, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Paulo Andrade, destacou a importância da mobilização para fortalecer a negociação.
"Precisamos estar mobilizados. A nossa Copa do Mundo recém começou e nosso time está em campo. Viemos falando nas fábricas que o Simecs só diz 'não' para trabalhadores e trabalhadoras. Gostaríamos de estar votando uma nova contraproposta, mas a direção do Simecs não nos enviou nenhuma, além dos 0,58% de ganho real", afirmou.
O presidente licenciado da entidade, Assis Melo, também defendeu a continuidade da mobilização e a valorização da categoria.
"Não vai quebrar nenhuma empresa se der 2% de aumento real. Enquanto eu estiver de presidente, eles não vão humilhar a categoria. Nós não vamos nos intimidar. Porque quem produz o que nós produzimos, tem que ter orgulho do que faz. E nós não somos escravos. Os trabalhadores e trabalhadoras são gente, não são máquinas, não são robôs. É por isso que vamos continuar desenvolvendo a nossa luta", declarou.
Além do reajuste salarial, a pauta de reivindicações da categoria inclui a elevação do piso salarial para R$ 3,5 mil, a redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas e a proibição do uso de câmeras nas linhas de produção.
A data-base da categoria é 1º de junho e, até o momento, as negociações seguem sem acordo. Com a decisão da assembleia deste sábado, o Sindicato dos Metalúrgicos continuará promovendo mobilizações nas portas das fábricas enquanto aguarda uma nova manifestação do Simecs.



