Uma estudante de aproximadamente 10 anos ficou ferida após ser atingida por um cão durante o intervalo do ensaio da Banda Marcial da Escola Demétrio Moreira da Luz, em São Marcos, na noite desta segunda-feira, dia 24. O animal, de grande porte, entrou no espaço da escola e permaneceu por alguns momentos interagindo junto às crianças e adolescentes antes do incidente.
A menina não é aluna da Demétrio Moreira da Luz. Ela estuda na Escola Monteiro Lobato e participa da banda, atividade que reúne também integrantes da comunidade e estudantes de outras instituições.
O caso ocorreu por volta das 19h30, durante um intervalo do ensaio. Segundo as informações apuradas pelo São Marcos Online junto à Secretaria Municipal de Educação e à direção da escola, o cão seria de propriedade da família de outro participante da banda e teria fugido de casa.
De acordo com a direção, o animal conseguiu entrar pelo acesso lateral utilizado pelos integrantes da banda para chegar à quadra. A porta não permanecia totalmente aberta, mas ficava encostada durante a chegada dos participantes. Conforme a diretora Valéria Martininghi, o cão teria passado pelo acesso no momento em que uma criança entrou.
Cão permaneceu junto às crianças antes do incidente
Imagens feitas pelas próprias crianças antes do ocorrido mostram o animal circulando, correndo e interagindo próximo aos participantes da banda. A própria menina que posteriormente ficou ferida teria registrado o cachorro momentos antes do incidente.
Segundo a secretária municipal de Educação, Elemara Borghetti, o animal inicialmente correu e brincou com as crianças. Em determinado momento, porém, a situação mudou e a menina acabou sendo atingida.
“O cão realmente entrou no pátio da escola, entrou na quadra, brincou com as crianças. Ele fez um movimento ali, as crianças corriam e, felizmente, ele rasgou a roupa da menina. Mas não pegou nada tão grave”, relatou a secretária.
Conforme os relatos apurados, a menina sofreu ferimentos no braço e na região do abdômen após cair durante o episódio. Um pai que estava no local prestou os primeiros socorros, com apoio de funcionários e responsáveis pela atividade. O professor da banda e integrantes da equipe da escola também foram chamados após os gritos.
A Secretaria de Educação informou que foi acionada logo após tomar conhecimento do caso e entrou em contato com a Secretaria Municipal de Saúde para garantir o atendimento à estudante.
Elemara Borghetti acompanhou pessoalmente a menina e a mãe durante o atendimento.
“Primeiro, resolver o problema; depois a gente vai ver quais foram as falhas. Já entrei em contato com a Secretaria de Saúde e pedi para que atendesse a menina. Acompanhei todo o atendimento”, afirmou.
Apesar do susto, os ferimentos não foram considerados graves.

Direção reconhece falha no acesso
Em contato com o São Marcos Online, a diretora Valéria Martininghi explicou que a escola passou a utilizar neste ano um acesso separado para os participantes da banda, diferente da entrada utilizada pelos alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA), que funciona à noite.
Segundo ela, a dinâmica previa que os participantes puxassem a porta após passar pelo local. No momento do incidente, porém, o cão conseguiu entrar.
A diretora reconheceu que houve falha no controle daquele acesso.
“A abertura da porta foi errada, sim. Foi uma coisa que, desde então, deu certo, nunca tivemos problema com isso”, declarou.
A direção afirmou que o animal era conhecido na região da escola por pertencer a um aluno que participa da banda e que já teria tentado entrar no local em outras oportunidades. Na segunda-feira, entretanto, conseguiu passar pelo acesso e foi até a área onde estavam as crianças.
Segundo a diretora, direção e vice-direção estavam na escola, além de outros adultos envolvidos com as atividades da noite. Ainda assim, o animal permaneceu por um período na área da quadra antes do incidente.
O caso levanta agora uma questão que vai além das circunstâncias do episódio: quais mudanças serão adotadas para reforçar o controle de acesso e a segurança durante os ensaios da banda, especialmente por se tratar de uma atividade que reúne crianças e adolescentes de diferentes escolas?
Escola cívico-militar não funciona no turno da noite
A repercussão do caso nas redes sociais também levou a questionamentos relacionados à recente adesão da Escola Demétrio Moreira da Luz ao modelo cívico-militar.
A Secretaria de Educação e a direção, no entanto, ressaltam que o modelo funciona durante o período diurno. À noite, a escola atende estudantes da EJA, enquanto os ensaios da banda ocorrem em horário paralelo.
“A escola não é cívico-militar à noite. Não tem monitor à noite, porque funciona a EJA. E o que estava acontecendo na escola era o ensaio da banda”, explicou Elemara Borghetti.
Segundo a direção, um coordenador militar estava no prédio no momento do episódio, mas participava de uma conversa relacionada aos preparativos para as atividades do 7 de Setembro. A presença dele no local, portanto, não significava que o ensaio estivesse sob o funcionamento da estrutura do programa cívico-militar.
A banda é organizada com a participação da escola, professor responsável e famílias, e recebe integrantes que não são alunos da Demétrio Moreira da Luz.
A Secretaria de Educação informou ainda que buscou informações sobre o paradeiro do cão após o episódio. Segundo a secretária, a intenção era confirmar se o animal havia retornado para casa e se seria possível realizar os procedimentos de observação necessários após o contato com a estudante.


