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Interdição da Padre Pedro Rizzon preocupa produtores com 74 mil aves alojadas na região

Casal Loreno e Jaqueline Vanin relata preocupação com o abastecimento de ração após bloqueio total da rodovia que liga São Marcos a Criúva; propriedade está fora da mancha de inundação prevista.

Vista aérea da propriedade rural na Linha Marechal Deodoro, em São Marcos, com os aviários onde estão alojadas 74 mil aves.
Vista aérea da propriedade dos produtores Loreno e Jaqueline Vanin, na Linha Marechal Deodoro, em São Marcos. O local está fora da mancha de inundação prevista para um eventual rompimento da Barragem Arroio São Luiz, mas depende dos acessos da região para o recebimento de ração. Foto: arquivo pessoal.

A interdição total da Rodovia Padre Pedro Rizzon, acesso entre São Marcos e Criúva, começa a gerar impactos que vão além da mobilidade de moradores e produtores rurais. Na região próxima à Barragem Arroio São Luiz, produtores de aves relatam preocupação com a continuidade do abastecimento de ração dos animais diante da impossibilidade de circulação pela estrada.

É o caso de Loreno e Jaqueline Vanin, produtores na Linha Marechal Deodoro. A propriedade, conforme as informações divulgadas pelas autoridades sobre o eventual impacto de um rompimento da barragem, está fora da mancha de inundação prevista, mas depende dos acessos da região para receber insumos.

O casal mantém atualmente 74 mil frangos de corte alojados. Segundo Loreno, o estoque de ração disponível deve ser suficiente apenas até o final desta quinta-feira ou, no máximo, até a manhã de sexta-feira.

A preocupação aumenta porque o consumo de ração cresce significativamente conforme as aves avançam no ciclo de produção. Jaqueline explica que os frangos chegam à propriedade com aproximadamente um dia de vida e permanecem no local por cerca de 40 a 42 dias, quando são encaminhados para o abate.

No início do lote, quando as aves ainda são pequenas, a entrega de ração ocorre normalmente uma vez por semana. Conforme os animais crescem, a frequência aumenta. Na fase final, próximo aos 40 dias, o abastecimento pode ser necessário praticamente todos os dias.

"Se não tiver a liberação, se não tiver acesso para chegar a ração, o prejuízo começa a partir da manhã. A partir do meio-dia já começa a ter prejuízo", relata Loreno.

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Segundo o produtor, sem alimentação adequada, as aves começam a perder desempenho e podem morrer. A situação também é agravada pela logística das empresas fornecedoras. Um caminhão que estava na região nesta quarta-feira chegou a ser considerado para o atendimento, mas, diante da falta de previsão para liberação do acesso, acabou retornando para atender outras propriedades.

Preocupação é com o acesso, não com inundação da propriedade

A situação relatada pelo casal não significa que a propriedade esteja sob risco direto de inundação em caso de eventual rompimento da Barragem Arroio São Luiz.

As áreas consideradas potencialmente atingíveis estão concentradas nas proximidades da estrutura, e os moradores localizados nessas áreas foram orientados a deixar suas residências. Conforme as informações repassadas pelas autoridades, não há previsão de que um eventual rompimento provoque impacto distante da região próxima à barragem.

No caso dos Vanin, o problema é outro: a propriedade está fora da mancha de inundação, mas a interdição da Rodovia Padre Pedro Rizzon compromete a chegada de insumos indispensáveis à atividade.

Ciclo contínuo

A criação de frangos de corte trabalha com um ciclo contínuo de alojamento, alimentação e retirada das aves para o abate. Por isso, uma interrupção no fornecimento de ração pode provocar consequências rapidamente, especialmente nos lotes que estão próximos do final do período de criação.

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"Os frangos vêm pequenininhos, com um dia, e ficam até 40, 42 dias, dependendo do peso. Depois saem direto para o abate", explica Jaqueline.

O casal afirma que, neste momento, a principal preocupação é saber quando e por qual rota será possível restabelecer o abastecimento.

A situação deverá depender das avaliações das equipes responsáveis pela segurança da área e das condições de acesso à região, diante do cenário envolvendo a Barragem Arroio São Luiz.

O caso evidencia um dos efeitos indiretos provocados pela interdição: mesmo propriedades localizadas fora da área diretamente ameaçada pela barragem podem enfrentar dificuldades para receber alimentos, insumos e outros produtos necessários à manutenção das atividades rurais.

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