Os trechos em obras da BR-116, onde o tráfego opera em meia pista sob controle de semáforos, têm gerado preocupação entre motoristas que utilizam diariamente a rodovia. Nas últimas semanas, a redação do São Marcos Online recebeu diversos vídeos, fotografias e relatos de usuários denunciando situações de risco provocadas, principalmente, pelo desrespeito à sinalização temporária.
Os registros se concentram em dois pontos: entre São Marcos e Caxias do Sul, onde o sistema de semáforos foi implantado há cerca de um mês devido às obras do DNIT, e entre São Marcos e Campestre da Serra, trecho que convive com operação em meia pista há aproximadamente dois anos.
Caminhões frente a frente na meia pista
Um dos vídeos encaminhados à reportagem mostra dois caminhões frente a frente dentro do trecho em obras entre São Marcos e Caxias do Sul. A situação obrigou um dos motoristas a realizar uma longa manobra de marcha à ré para liberar a passagem.
Segundo motoristas que presenciaram o episódio, a ocorrência teria começado após um dos veículos acessar o trecho quando o semáforo indicava parada. O São Marcos Online não conseguiu confirmar qual dos condutores teria desrespeitado a sinalização.
Para o transportador Marcelo Soldatelli, que encaminhou as imagens à reportagem, situações semelhantes têm sido frequentes.
"O pessoal não está respeitando a sinaleira ali. Quase dois caminhões se chocaram na descida. Os caras não estão respeitando, estão subindo e descendo com a sinaleira fechada."
Marcelo explica que não foi possível identificar qual caminhão teria avançado o sinal, mas afirma que esse tipo de comportamento tem sido recorrente.
Tempo da sinaleira também é alvo de críticas
Além da imprudência de alguns condutores, usuários da rodovia questionam a configuração do tempo dos semáforos temporários.
Segundo Marcelo, o intervalo entre o fechamento de um sentido e a liberação do outro nem sempre seria suficiente para que todos os veículos, especialmente caminhões carregados, consigam deixar completamente o trecho em meia pista.
"Tem uma fila de caminhão parada para subir. Quando fecha a sinaleira, o último caminhão ainda está subindo devagar. Quando ele chega lá em cima, já libera a sinaleira de quem está descendo. Então dá o encontro no meio do caminho. Precisaria ficar um tempo maior com as duas fechadas para dar tempo da fila passar."
Na avaliação dos motoristas, um período maior de segurança entre um fluxo e outro reduziria o risco de veículos se encontrarem dentro do segmento em obras.
Falhas nos semáforos aumentaram preocupação
Outro problema apontado pelos usuários foi a interrupção do funcionamento dos equipamentos durante esta semana, período marcado pelas fortes chuvas na região.
Marcelo, que trabalha com transporte de cargas e percorre o trecho cerca de quatro vezes por dia, afirma que os sinais permaneceram apagados em diversos momentos.
"Já fazem três dias que os sinais ficam frequentemente apagados e acontecem encontros de veículos na meia pista, causando transtornos. Em alguns casos, um dos sentidos precisa retornar de ré."
Sem o controle automático, os próprios motoristas acabam negociando a passagem, situação que aumenta o risco de conflitos, especialmente entre caminhões e ônibus.
"Tenho medo de ser o primeiro da fila"
Quem também enfrenta diariamente a rodovia é a trabalhadora Raiane Marteninghi, que se desloca entre São Marcos e Caxias do Sul.
Ela relata que já presenciou diversas situações de perigo.
"Hoje aconteceu de um caminhão precisar voltar de ré porque entrou no trecho e encontrou veículos vindo no sentido contrário."
Segundo Raiane, em outra ocasião um automóvel teria avançado a sinalização justamente quando um ônibus descia a serra.
"O ônibus só não atingiu o carro porque o motorista conseguiu desviar no último momento. Foi uma freada muito forte. O motorista do carro se salvou por muito pouco."
A rotina fez com que ela passasse a dirigir com receio.
"Eu tenho medo de ser a primeira da fila quando o sinal abre. Principalmente à noite. A gente nunca sabe se quem está do outro lado vai respeitar a sinaleira."
Ela defende campanhas mais incisivas de conscientização.
"As pessoas precisam entender que aquilo é sério. A pista está em meia pista, não existe espaço para erro. Basta um motorista desrespeitar a sinalização para acontecer uma tragédia."
Segurança também é questionada
Além do comportamento dos condutores, Raiane chama atenção para a proteção utilizada na área em obras.
Ela compara o trecho da BR-116 entre São Marcos e Caxias com obras que observou recentemente entre Caxias do Sul e Nova Petrópolis.
Segundo ela, naquele local a separação entre o tráfego e a área de obras ocorre por barreiras de concreto, enquanto no trecho entre São Marcos e Caxias predominam cones de sinalização.
Na avaliação da motorista, barreiras físicas poderiam oferecer uma margem maior de proteção em caso de colisões ou perda de controle de veículos.
Atenção redobrada pode evitar acidentes
As intervenções fazem parte das obras de recuperação executadas pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) na BR-116.
Enquanto os serviços seguem em andamento, o respeito à sinalização temporária é fundamental para garantir a segurança de trabalhadores e usuários da rodovia.
Motoristas ouvidos pela reportagem reforçam que, independentemente da discussão sobre o tempo dos semáforos ou eventuais falhas nos equipamentos, avançar o sinal em um trecho de pista simples e estreitada coloca em risco não apenas quem comete a infração, mas todos os demais usuários da rodovia.


