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De São Marcos para o Top 100: Clenara Chemello se destaca na Maratona Internacional de Assunção 2026

São-marquense completa circuito internacional de corridas em grupo, conquista a mandala Mega Finisher e descobre, dois dias depois, que terminou entre as 100 melhores mulheres da prova no Paraguai.

Clenara segura a medalha diante do pórtico de chegada da Maratona Internacional de Assunção, no Paraguai.
Clenara comemora a conclusão dos 21 quilômetros da Maratona Internacional de Assunção, no Paraguai, com a medalha no pórtico de chegada. A prova encerrou a jornada da são-marquense pelo circuito Mega Finisher, que passou por cinco países. Foto: Arquivo pessoal.

O que começou com um convite entre amigas para correr e conhecer novos lugares terminou, depois de cinco países e uma longa jornada pelas estradas da América do Sul, com uma conquista que Clenara sequer sabia que havia alcançado.

No último domingo (30), em Assunção, no Paraguai, a são-marquense participou da Maratona Internacional de Assunção, onde completou os 21 quilômetros da meia maratona. A prova reuniu cerca de 5 mil atletas e marcou o encerramento do circuito Mega Finisher, desafio que passa por cinco países: Argentina, Brasil, Paraguai, Peru e Uruguai.

Clenara viajou de carro a partir de São Marcos acompanhada de Renata Garibaldi, Giulia Barazzetti e Keslley Albuquerque. Mais do que uma sequência de provas, a experiência se transformou em uma aventura compartilhada, marcada pelas viagens, pelos diferentes lugares conhecidos e pelo desafio de completar cada etapa.

O objetivo em Assunção, segundo ela, era bastante simples: concluir a última prova e finalmente colocar as mãos na tão esperada mandala que simboliza a conclusão do circuito.

A classificação, porém, veio como uma surpresa.

Um resultado que ela nem sabia que havia conquistado

Clenara não estava em Assunção perseguindo uma colocação. Tanto que terminou a prova sem saber que havia obtido um resultado expressivo.

Dois dias depois, enquanto navegava pelo Instagram, encontrou uma publicação com a classificação oficial da competição. Abriu a lista e encontrou seu nome na 65ª colocação geral feminina.

A primeira reação foi desconfiar.

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Ela mostrou o resultado para Renata Garibaldi, que estava com ela, e decidiu não divulgar imediatamente a informação. Clenara entrou em contato com a organização da prova para confirmar se a classificação estava correta.

A confirmação oficial chegou nesta quinta-feira (3).

Além da 65ª colocação geral feminina, a são-marquense foi a 20ª brasileira entre as mulheres da prova e aparece entre as primeiras 380 brasileiras no ranking Brasil relacionado à competição.

“Eu não acreditei. Tanto que, num primeiro momento, preferi não divulgar nada. Pensei que estava errada a divulgação”, conta.

A descoberta ganhou um significado ainda maior justamente porque o resultado não fazia parte dos planos.

“Eu fui para Assunção com um objetivo muito simples: completar o circuito e conquistar a minha mandala. Não estava correndo atrás de uma classificação. Tanto que só descobri o resultado dois dias depois. Foi um resultado que chegou como consequência de um caminho”, resume.

Uma prova que exigiu controle até o fim

O desempenho também não veio de uma prova considerada fácil pela atleta.

Clenara conta que não fez uma preparação específica para Assunção. Seu ciclo de treinamento estava direcionado principalmente para provas de 5 e 10 quilômetros, que eram seus objetivos principais.

A etapa paraguaia era importante para concluir o Mega Finisher, mas não tinha uma meta de tempo estabelecida.

Ela já esperava que o calor pudesse ser um desafio. Durante os 21 quilômetros, porém, a umidade intensa acabou cobrando seu preço.

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A partir do quilômetro 13, Clenara percebeu uma queda significativa de rendimento, acompanhada de uma elevação importante da frequência cardíaca. Para conseguir seguir até o final, precisou reduzir a velocidade e administrar o esforço.

Mesmo assim, completou a prova e cumpriu aquilo que havia ido buscar.

Só depois descobriria que, enquanto administrava os próprios limites, também estava construindo um dos melhores resultados esportivos de sua trajetória.

Cinco países, uma mesma jornada

A história começou quando Clenara tomou conhecimento do desafio Mega Finisher. A proposta chamou sua atenção por unir duas coisas de que gosta: corrida e a possibilidade de conhecer lugares novos.

Ela levou a ideia para o grupo de corrida e lançou o convite às amigas.

Renata Garibaldi e Giulia Barazzetti aceitaram o desafio, e a partir daí começou a organização da jornada. Ao longo do percurso, outras companhias também fizeram parte da aventura, como Keslley Albuquerque.

O circuito passou por:

  • Argentina: Buenos Aires;
  • Brasil: Brasília;
  • Paraguai: Assunção;
  • Peru: Lima;
  • Uruguai: Montevidéu.

As provas foram também oportunidades de viajar, conhecer culturas e compartilhar experiências. O deslocamento entre os destinos, feito de carro pelo grupo, transformou parte do próprio percurso em uma aventura.

Para Clenara, a mandala representa a conclusão física do desafio, mas não resume aquilo que foi vivido.

“Mais do que completar um circuito, foi uma jornada linda de conhecer pessoas, viver culturas, ser feliz, de encontros com meus próprios limites e a descoberta de que muitos deles eram apenas pontos de partida”, afirma.

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“Minha rotina exige, mas ela entrega”

A experiência também provocou uma reflexão sobre os próprios limites.

Para Clenara, o resultado em Assunção mostrou que desempenho não pode ser analisado apenas pela posição final. Existe uma construção anterior, feita de treinamento, disciplina, constância, renúncias e da disposição de continuar mesmo nos dias difíceis.

“A corrida me ensinou que resultado é importante, mas ele é apenas a parte visível de algo muito maior: disciplina, constância, renúncias, dias bons e dias difíceis, a decisão de continuar. E minha rotina exige, mas ela entrega”, afirma.

A atleta diz que hoje não considera que conhece completamente os próprios limites. Aprendeu, segundo ela, a respeitá-los, sem necessariamente tratá-los como definitivos.

“Limite não é necessariamente um lugar onde a gente para, mas muitas vezes um lugar que a gente ainda não conhece.”

A conclusão do Mega Finisher, portanto, acabou sendo maior do que a mandala que motivou o início da jornada.

“O que começou como apenas correr foi ganhando importância ao longo do caminho. A mandala representa a conclusão do desafio, mas ela simboliza muito mais: as escolhas que fazemos e a coragem de assumir desafios que nos levaram à construção dessa jornada.”

E talvez seja justamente essa a parte mais simbólica da aventura: Clenara saiu de São Marcos atrás de uma mandala e voltou do Paraguai com algo que não estava procurando.

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Uma classificação entre as melhores mulheres da prova, confirmada oficialmente apenas dias depois, tornou-se a surpresa final de uma jornada que já tinha valor muito antes de qualquer ranking.

“Eu comecei correndo atrás de uma mandala e terminei entendendo que, quando a gente respeita o processo, o nosso ‘até onde consigo ir’ pode mudar para sempre.”

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