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Crise na Venezuela entra em novo estágio após captura de Maduro; cenário segue indefinido e provoca reações internacionais

Após a operação dos EUA que retirou o presidente do poder, país vive impasse institucional, enquanto ONU, União Europeia e países da América Latina acompanham o agravamento da crise.

Atualizado em 03/01/2026 às 21:01, por Angelo Batecini.

Na foto, Maduro aparece algemado, com venda nos olhos e protetores auriculares, vestido com traje esportivo e segurando uma garrafa de água, enquanto está a bordo da embarcação da Marinha dos EUA USS Iwo Jima, após ter sido capturado e removido da Venezuela.

Na foto, Maduro aparece algemado, com venda nos olhos e protetores auriculares, vestido com traje esportivo e segurando uma garrafa de água, enquanto está a bordo da embarcação da Marinha dos EUA USS Iwo Jima, após ter sido capturado e removido da Venezuela. Foto: @realDonaldTrump

A crise política e militar na Venezuela entrou em um novo e delicado estágio neste início de 2026. Após a operação militar conduzida pelos Estados Unidos, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro, o cenário permanece marcado por incerteza institucional, instabilidade interna e forte repercussão internacional, com manifestações de organismos multilaterais e de governos da América Latina, incluindo o Brasil.

Desde a ação norte-americana, que incluiu ataques a alvos estratégicos e a retirada de Maduro do território venezuelano, a localização exata do presidente segue sendo tratada com cautela em comunicados oficiais. Autoridades dos Estados Unidos confirmam que ele está sob custódia norte-americana, enquanto o governo venezuelano afirma não ter recebido informações formais detalhadas sobre seu paradeiro, exigindo garantias de integridade física e respeito a normas internacionais.

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No plano interno, a situação política da Venezuela permanece indefinida. A vice-presidente Delcy Rodríguez, que constitucionalmente poderia assumir o comando do país, não formalizou a tomada de poder, o que amplia o vazio institucional e levanta preocupações sobre disputas internas entre setores civis e militares. Em várias cidades, há registros de tensão, manifestações pontuais e dificuldades no funcionamento de serviços, reflexo do clima de insegurança e da ausência de uma autoridade central clara.

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Reações e posicionamento do Brasil

O governo brasileiro mantém um discurso crítico à intervenção militar. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a se manifestar ao longo do dia, reiterando que a captura de um chefe de Estado em exercício por forças estrangeiras representa uma violação grave da soberania nacional e do direito internacional. O Brasil defende que a crise seja tratada no âmbito da Organização das Nações Unidas (ONU) e por meio do diálogo multilateral, alertando para os riscos de escalada regional.

Em Brasília, o Itamaraty acompanha os desdobramentos com atenção especial aos possíveis impactos humanitários e migratórios, sobretudo considerando que o Brasil já abriga centenas de milhares de venezuelanos que deixaram o país nos últimos anos em razão da crise econômica e política.

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ONU, União Europeia e América Latina

A ONU segue tratando o caso com preocupação. Representantes da organização reforçaram que o uso da força sem autorização do Conselho de Segurança pode abrir um precedente perigoso nas relações internacionais, comprometendo princípios fundamentais da Carta das Nações Unidas. Uma reunião de emergência do Conselho segue no radar diplomático, embora ainda não haja consenso sobre medidas concretas.

A União Europeia, por sua vez, mantém posição de cautela, defendendo uma transição política pacífica e alertando que soluções impostas externamente tendem a aprofundar divisões internas. Países como Espanha e França destacaram a necessidade de preservar canais diplomáticos e evitar o agravamento do conflito.

Na América Latina, o cenário é de divisão. Governos como os da Argentina manifestaram apoio à remoção de Maduro, classificando o episódio como uma oportunidade de ruptura com o autoritarismo. Em sentido oposto, México, Colômbia, Cuba e Bolívia condenaram a ação militar, apontando risco de desestabilização regional e violação da soberania venezuelana.

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O que está em jogo a partir de agora

Analistas internacionais avaliam que os próximos dias serão decisivos para definir se a Venezuela caminhará para um processo de transição negociada ou se enfrentará um período prolongado de instabilidade. A ausência de uma liderança reconhecida internamente, somada à presença indireta de interesses geopolíticos de grandes potências, amplia a complexidade do cenário.

Além das implicações políticas, há preocupação com novos fluxos migratórios, agravamento da crise humanitária e possíveis impactos econômicos e diplomáticos em países vizinhos. Para a comunidade internacional, o desafio passa a ser evitar uma escalada do conflito e construir uma saída que respeite o direito internacional e minimize os efeitos sobre a população venezuelana.

Enquanto isso, a crise segue em acompanhamento permanente por governos, organismos internacionais e pela imprensa mundial, sem definição clara sobre os próximos passos do futuro político da Venezuela.