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Contas de luz acima do habitual também chegam ao Procon de São Marcos em meio a onda de reclamações contra a RGE

Procon local contabiliza nove reclamações contra a concessionária somente em agosto; casos incluem faturas que teriam saltado de cerca de R$ 1 mil para R$ 12 mil e consumidores que relatam valores incompatíveis com o histórico de consumo.

Fatura de energia elétrica da RGE emitida em março de 2026 para consumidor residencial de São Marcos.
Fatura de energia elétrica da RGE utilizada como documento para comparação do histórico de consumo durante levantamento sobre as reclamações de consumidores em São Marcos.

A onda de reclamações contra a RGE provocada por contas de energia elétrica com valores muito acima do habitual também chegou a São Marcos. Levantamento realizado pelo Portal São Marcos Online junto ao Procon municipal aponta nove reclamações formalizadas contra a concessionária somente neste mês de agosto, sem contabilizar consumidores que procuraram o órgão apenas em busca de orientação ou que ainda aguardam a leitura do medidor para formalizar a demanda.

Na consulta realizada pela reportagem no sistema do Procon, os nove registros relacionados à RGE aparecem, no momento da verificação, com a situação de “tratativa não resolvida”. No mesmo período, o sistema apresentava 14 registros de reclamações de consumidores envolvendo diferentes empresas.

Segundo a agente do Procon de São Marcos, Rochele Ascari, o órgão vem recebendo casos de consumidores que questionam aumentos considerados muito acima do padrão de consumo. Ela afirma que alguns dos valores analisados chamaram especialmente a atenção da equipe e que parte das faturas foi encaminhada ao coordenador do Procon de Caxias do Sul, que deverá reunir os casos para encaminhamento aos órgãos reguladores.

Entre os exemplos citados à reportagem está o de uma empresa do setor de avicultura, que normalmente teria uma conta em torno de R$ 1 mil e recebeu uma fatura de aproximadamente R$ 12 mil. Também há o caso de uma consumidora residencial cuja conta teria chegado a aproximadamente R$ 1.989.

Os valores e os casos individuais ainda precisam ser analisados tecnicamente e, por isso, não permitem afirmar, neste momento, que houve erro de faturamento ou cobrança irregular. A avaliação do Procon, entretanto, é de que as diferenças relatadas justificam a contestação e a investigação de cada fatura.

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Problema ultrapassa São Marcos

A situação observada no município ocorre em meio a uma mobilização que ganhou proporção regional.

Em Caxias do Sul, o Procon registrou, somente em julho e agosto, 298 solicitações encaminhadas pelo site e 114 protocolos de abertura de processos relacionados às demandas de energia elétrica. Diante do volume, o órgão fiscalizou uma unidade da RGE e autuou a concessionária por demora no atendimento aos consumidores. As reclamações também foram levadas à Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) e à Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon).

Segundo o Procon caxiense, a ANEEL deverá analisar as causas dos aumentos considerados expressivos e promover uma reunião conjunta com a RGE e órgãos de defesa do consumidor.

Em Bento Gonçalves, mais de 119 consumidores procuraram o Procon em 2026 relatando aumentos expressivos nas contas. O órgão afirma ter instaurado mais de 30 processos administrativos contra a concessionária e também acionado o Ministério Público diante da repetição dos relatos.

Em Vacaria, uma análise inicial feita pela Câmara de Vereadores com dez faturas entregues por consumidores apontou aumentos entre 67,30% e 580,95% na comparação entre junho e julho. Em um dos casos, o consumo registrado saltou de 54 kWh para 708 kWh, enquanto a média dos 12 meses anteriores era de 57 kWh. A Câmara passou a articular uma agenda regional com a direção da RGE.

Em Canela, o Procon informou ter recebido 18 relatos de consumidores sobre aumentos nas faturas em 2026.

Os números mostram que a discussão não está restrita a uma única cidade.

Reajuste não explica, sozinho, os maiores aumentos

Para os consumidores residenciais da RGE, a tarifa sofreu reajuste médio de 14,97% a partir de 19 de junho de 2026, conforme a informação divulgada pelos órgãos de defesa do consumidor. Em julho também vigorou a bandeira tarifária amarela, que acrescentou custo à fatura.

O percentual, porém, não significa que todas as contas tenham necessariamente aumentado exatamente 14,97%, já que o valor final também depende do consumo, período de faturamento e demais componentes da fatura.

O que está provocando a mobilização dos Procons são justamente os casos em que o valor cobrado apresenta uma diferença muito superior ao reajuste e aparentemente não corresponde ao histórico de consumo informado pelo consumidor.

A própria RGE, por sua vez, tem atribuído parte das altas ao aumento do consumo no período de inverno e ao reajuste tarifário. A empresa também mantém em seus canais digitais o histórico de consumo dos últimos 12 meses, ferramenta que permite ao consumidor comparar a evolução do consumo em kWh.

O que orienta o Procon de São Marcos

A orientação inicial aos consumidores é conferir a própria fatura e comparar o consumo registrado em kWh com os meses anteriores.

Rochele Ascari também recomenda que o consumidor faça uma verificação do medidor. O procedimento consiste em fotografar a leitura, desligar os equipamentos elétricos por aproximadamente 15 minutos e verificar se a numeração do medidor continua avançando.

Caso haja alteração mesmo com os equipamentos desligados, o consumidor deve comunicar a RGE para que o equipamento seja analisado.

A agente também chama atenção para consumidores da área rural, que devem informar regularmente a leitura do medidor, evitando que o faturamento seja realizado com base em médias quando aplicável.

Nos casos considerados discrepantes, o Procon orienta que o consumidor reúna as faturas, histórico de consumo, fotografias do medidor e protocolos de atendimento antes de formalizar a reclamação.

Procon considera valores relatados preocupantes

Para Rochele, o aumento tarifário autorizado e o maior consumo durante o inverno podem explicar parte da elevação das contas, mas não seriam suficientes para justificar alguns dos valores que chegaram ao órgão.

A agente afirma considerar preocupantes os casos em que a cobrança fica muito acima do histórico e avalia que os consumidores devem buscar a revisão das faturas e, quando necessário, orientação jurídica.

Segundo ela, em situações em que a solução administrativa não ocorre, sua orientação é que o consumidor avalie a possibilidade de buscar a Justiça.

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