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Após três anos, Condomínio Tapejara entra na reta final, mas ainda não tem data oficial de entrega

Prefeitura afirma que atrasos ocorreram por falhas da empresa contratada, que recebeu 20 prorrogações de prazo antes da rescisão do contrato; obra já consumiu mais de R$ 992 mil e ainda depende das ligações de água e energia elétrica.

Condomínio Residencial Tapejara, em São Marcos, com as 12 casas populares distribuídas em duas fileiras e a via interna do empreendimento.
Imagem do Condomínio Residencial Tapejara, em São Marcos. O empreendimento reúne 12 moradias e, segundo a Prefeitura, está em fase final de conclusão, ainda aguardando etapas relacionadas às ligações de água e energia elétrica. Foto: Google Street View.

As 12 casas do Condomínio Residencial Tapejara, em São Marcos, iniciadas em 2023 com previsão original de conclusão em cinco meses, ainda não foram entregues às famílias e já atravessaram duas administrações municipais. Em resposta ao São Marcos Online, a Prefeitura detalhou pela primeira vez a sequência de atrasos, informou a rescisão do contrato com a empresa inicialmente responsável pela obra e afirmou que trabalha para concluir os últimos entraves, embora ainda não exista uma data oficial para a entrega das moradias.

Segundo o Município, a expectativa é de que as unidades sejam concluídas durante setembro. Entretanto, na própria resposta encaminhada à reportagem, a Administração também afirma que ainda não há uma data oficial definida para a entrega, já que permanecem pendentes procedimentos relacionados às ligações individuais de água e, principalmente, à implantação da rede elétrica junto à RGE.

A obra foi iniciada com contrato de execução de cinco meses. Conforme a Prefeitura, ao longo do processo foram firmados 20 aditivos de prazo, com prorrogações que variaram, em geral, entre 15 e 60 dias. A principal justificativa apresentada pela empresa para os sucessivos pedidos foi a dificuldade de contratação de mão de obra.

Sete notificações e rescisão do contrato

De acordo com as respostas oficiais, os atrasos passaram a ser atribuídos pela Prefeitura à execução dos serviços pela empresa inicialmente contratada, a DUO Serviços de Engenharia. O Município informa que emitiu sete notificações solicitando reparos e a conclusão da obra, mas os problemas persistiram mesmo após os compromissos assumidos pela empresa.

Diante da situação, foi instaurado o processo de rescisão contratual, acompanhado da aplicação de multas e demais penalidades previstas no contrato. A Prefeitura também relata que enfrentou dificuldades na execução da infraestrutura do condomínio, incluindo a saída do engenheiro responsável pela obra e problemas de comunicação com a empresa contratada.

Obra custou quase R$ 1 milhão antes dos reparos

O contrato original para construção das 12 unidades era de R$ 894.503,42. Durante a execução, houve um aditivo financeiro de R$ 153.366,00 e uma supressão de R$ 16.155,76. Conforme a Prefeitura, até o encerramento do contrato foram pagos R$ 992.860,42 à empresa DUO Engenharia, considerando que aproximadamente 95% da obra havia sido executada.

Mesmo com esse percentual de execução, a fiscalização identificou patologias e problemas construtivos, principalmente relacionados às esquadrias e à pintura das residências, tornando necessária a realização de reparos antes da entrega das casas.

Após a rescisão, o Município contratou emergencialmente a empresa Airton Reck da Silva Ltda., pelo valor de R$ 49.989,84, para corrigir os problemas e concluir os serviços pendentes. Segundo a Prefeitura, essa empresa finalizou os reparos nas residências no final de julho deste ano.

O que ainda impede a entrega

Apesar de as estruturas principais do condomínio estarem concluídas, duas etapas continuam sendo decisivas para a liberação das moradias.

Na água, a rede já foi executada conforme as orientações da Corsan, restando as medições individuais de cada residência para viabilizar as futuras ligações dos moradores. Já na energia elétrica, a situação depende da definição e implantação do projeto correto junto à RGE.

A Prefeitura afirma que recebeu orientações divergentes de diferentes setores da concessionária, o que atrasou o processo. O prefeito Volmir Rech e a vice-prefeita Fabiana Dutra de Oliveira chegaram a buscar diretamente a direção da CPFL, em São Leopoldo, para esclarecer os procedimentos. Mesmo assim, o Município informa que aguarda informações técnicas solicitadas à RGE desde 10 de julho, sem retorno até o momento da resposta encaminhada à reportagem.

Sem data oficial e sem beneficiários definidos

Outro ponto revelado pela resposta é que ainda não existe uma lista definitiva das famílias que ocuparão as 12 unidades. Atualmente, segundo a Prefeitura, 11 famílias recebem algum tipo de apoio habitacional do Município, sendo nove por aluguel temporário e duas pelo programa de Aluguel Social. Essas famílias integram o público que poderá ser contemplado conforme os critérios previstos na legislação municipal, mas a definição oficial dos beneficiários ainda será realizada.

A legislação que instituiu o Condomínio Residencial Tapejara estabelece os critérios para destinação das moradias e posteriormente recebeu alterações relacionadas às prioridades de atendimento, especialmente para famílias em situação de vulnerabilidade habitacional e beneficiários de programas de auxílio previstos pelo Município.

Questionada sobre a nova data de entrega, a Administração informou que trabalha para concluir as etapas restantes o mais breve possível, mas reconheceu que ainda existem fatores fora do controle direto do Município, especialmente os procedimentos relacionados à energia elétrica e os impactos das chuvas sobre a execução das medições de água.

Uma obra que atravessou duas gestões

O Condomínio Tapejara tornou-se um dos principais empreendimentos habitacionais recentes de São Marcos. Iniciado em 2023, com previsão de execução em cinco meses, o projeto chega à segunda administração municipal sem que as chaves tenham sido entregues às famílias.

Nas respostas encaminhadas ao São Marcos Online, a atual gestão sustenta que adotou as medidas administrativas necessárias após identificar o descumprimento das determinações de fiscalização pela empresa responsável, incluindo notificações, penalidades, rescisão contratual e a contratação de uma nova empresa para concluir os reparos. Agora, o Município concentra os esforços na conclusão das ligações de água e energia para viabilizar a entrega das 12 moradias.

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