São Marcos entrou em uma nova etapa de resposta aos impactos provocados pelas chuvas intensas dos últimos dias. Depois de uma sequência de ocorrências que começou entre domingo (20) e segunda-feira (21), o município declarou Situação de Emergência de Nível II e, na noite desta quarta-feira (23), implantou um Gabinete de Gestão de Crise e Desastres Climáticos para coordenar as ações diante do cenário.
O Decreto Municipal nº 4.223, assinado em 22 de setembro pela vice-prefeita Fabiana Dutra de Oliveira, no exercício do cargo de prefeita, registra um acumulado de aproximadamente 167 milímetros de chuva em menos de 10 horas durante o evento climático. Segundo o documento, o volume provocou alagamentos, quedas de barreiras, deslizamentos de terra, danos a imóveis públicos e particulares, estruturas municipais, vias públicas e infraestrutura urbana e rural, além de prejuízos na produção agropecuária.
Entre os episódios registrados está um deslizamento que atingiu uma residência, provocando perda de bens e deixando pessoas feridas. O município também precisou realizar ações emergenciais de limpeza, desobstrução e recuperação de áreas atingidas.
Ponte do Rio das Antas

A dimensão dos impactos aumentou nos dias seguintes com os danos à ponte sobre o Rio das Antas, na BR-116, na divisa entre São Marcos e Campestre da Serra.
O decreto municipal caracteriza a ocorrência como um colapso da estrutura, com perda das vigas de sustentação e consequente interrupção completa da passagem. A ponte é uma das principais ligações de São Marcos com a região de Vacaria e com outras áreas do Estado, fazendo com que a interdição tenha reflexos não apenas no trânsito, mas também na logística e na economia local.
Durante vistoria realizada pelo DNIT na quarta-feira, equipes técnicas avaliaram os danos e o órgão passou a trabalhar na elaboração de um projeto para recuperação da estrutura.
Barragem amplia preocupação

Enquanto os efeitos da chuva ainda eram administrados, uma nova situação passou a exigir atenção na quarta-feira: a Barragem Arroio São Luiz.
Conforme o decreto, o município também considerou o risco de desabastecimento de água potável diante da possibilidade de comprometimento da estrutura de contenção da barragem, situação identificada e comunicada pela Corsan.
A companhia acionou seu plano de emergência depois que equipes técnicas identificaram alterações na estrutura. Moradores de áreas consideradas de risco foram orientados a deixar suas casas, enquanto Defesa Civil, Prefeitura, Corsan e forças de segurança passaram a acompanhar a situação.
A ocorrência acrescentou uma nova frente de atenção à crise, que até então já envolvia danos em áreas urbanas e rurais e a interrupção da BR-116.
Decreto prevê mobilização e ações emergenciais
A declaração de Situação de Emergência de Nível II permite ao município mobilizar os órgãos da Administração Pública para atuar nas ações de resposta, assistência à população, reabilitação das áreas atingidas e recuperação dos serviços públicos essenciais.
O decreto também autoriza, quando atendidos os requisitos legais, contratações diretas por dispensa de licitação para aquisição de bens e contratação de serviços e obras necessários ao enfrentamento da emergência e à recuperação das áreas atingidas.
O documento determina ainda o levantamento e a consolidação dos danos humanos, materiais, ambientais e dos prejuízos econômicos e sociais. A Defesa Civil municipal deverá manter atualizados os registros e documentos que comprovem os impactos.
A declaração tem validade de 180 dias.
Gabinete de Gestão de Crise
Na noite desta quarta-feira, uma reunião realizada na Prefeitura reuniu representantes do município, da Defesa Civil do Rio Grande do Sul, da Corsan e das forças de segurança. O encontro resultou na implantação do Gabinete de Gestão de Crise e Desastres Climáticos de São Marcos.
A estrutura passa a concentrar a articulação entre os diferentes órgãos envolvidos na resposta à situação, especialmente diante da necessidade de acompanhamento da barragem, segurança dos moradores, abastecimento de água, infraestrutura e demais efeitos provocados pelas chuvas.
Em comunicado divulgado após a reunião, o gabinete orientou a população a acompanhar exclusivamente as informações divulgadas pelos canais oficiais e permanecer atenta às novas atualizações.
“A Prefeitura seguirá informando a comunidade conforme houver novas informações confirmadas”, informou o comunicado.
Uma crise que se agravou ao longo da semana
A instalação do gabinete ocorre depois de uma sucessão de eventos que modificou o cenário de São Marcos em poucos dias.
A chuva intensa de domingo e segunda-feira provocou os primeiros alagamentos, deslizamentos e danos. Na sequência, os efeitos sobre o Rio das Antas resultaram na interdição da ponte da BR-116. Já na quarta-feira, a situação da Barragem Arroio São Luiz acrescentou uma nova preocupação, envolvendo a segurança de moradores de áreas específicas e o abastecimento de água do município.
Com o decreto de emergência e a criação do gabinete de crise, São Marcos passa a tratar o conjunto de ocorrências de forma integrada, enquanto os órgãos responsáveis continuam levantando os danos e monitorando a evolução das condições climáticas e das estruturas afetadas.



