A ponte sobre o Rio das Antas, na divisa entre São Marcos e Campestre da Serra, foi totalmente interditada nesta terça-feira (22) após uma vistoria técnica identificar danos em sua estrutura. O bloqueio ocorre nos dois sentidos e não há, neste momento, previsão de liberação.
A situação foi identificada durante uma ida a campo do São Marcos Online, que acompanhava a elevação do nível do Rio das Antas após as fortes chuvas registradas na segunda-feira (21).
Durante a observação da estrutura, a reportagem identificou que um dos pilares da ponte, no lado de São Marcos, apresentava sinais visíveis de deslocamento, estando fora de seu eixo original e com parte da estrutura quebrada. Também foram observados danos em um terceiro pilar.
Diante do risco potencial identificado, o SMO comunicou a situação à Defesa Civil, à Polícia Rodoviária Federal (PRF) e ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT).
Uma equipe de engenharia da Superintendência Operacional do DNIT, com sede em Vacaria, esteve no local ainda nesta terça-feira e realizou uma avaliação preliminar.
Após a vistoria, foi determinada a interdição total da ponte, como medida preventiva para preservar a segurança dos usuários da BR-116 enquanto são realizados estudos técnicos mais detalhados.
Segundo a PRF, o DNIT identificou danos na estrutura provocados pelas fortes chuvas e novas análises serão necessárias para determinar a extensão dos problemas e as providências para a recuperação da ponte.
A estrutura fica na altura do km 95,7/96 da BR-116, entre São Marcos e Campestre da Serra.
Ponte já havia sido interditada após danos em 2023

O episódio desta terça-feira ocorre em uma estrutura que já enfrentou problemas graves recentemente.
Em setembro de 2023, a ponte sobre o Rio das Antas também foi totalmente interditada após danos provocados pelas chuvas e pela passagem de um ciclone extratropical. Na ocasião, o DNIT realizou vistoria e posteriormente contratou serviços emergenciais de recuperação estrutural.
Documentos do próprio DNIT registram, em novembro daquele ano, a contratação de empresa para elaboração de projetos e execução de obras e serviços emergenciais de recuperação estrutural da ponte, localizada no km 95+650 da BR-116, com extensão de aproximadamente 170 metros.
A própria Prefeitura de São Marcos informou posteriormente que a intervenção tinha custo estimado de R$ 4,28 milhões, conforme informações obtidas junto ao DNIT por meio da Lei de Acesso à Informação.
Em comunicados publicados pelo órgão federal em 2023, o km 96 da BR-116 também aparece em diferentes momentos com interrupções de trânsito para serviços de manutenção e recuperação da ponte.
O histórico mostra, portanto, que não se trata de uma estrutura sem antecedentes recentes de problemas relacionados às condições da ponte e aos efeitos das chuvas.
Quais são as alternativas para quem precisa passar pelo trecho

Com a ponte interditada, o deslocamento entre São Marcos e Campestre da Serra precisa ser feito por rotas alternativas.
Conforme levantamento realizado pelo São Marcos Online junto à Prefeitura de Campestre da Serra, uma das opções é seguir pela ERS-122, passando por Campestre da Serra, Antônio Prado e demais conexões da região.
Também há possibilidade de utilização da estrada vicinal entre Campestre da Serra e Ipê, assim como da Estrada dos Korff, via Criúva, ambas apontadas como apresentando boa trafegabilidade nesta terça-feira.
Em São Marcos, entretanto, uma das alternativas historicamente utilizadas, a Estrada 500, via Santo Henrique, que faz ligação com a ERS-122, permanece interditada.
Já a BR-116 segue com trânsito liberado entre São Marcos e Caxias do Sul, não havendo, neste momento, bloqueio nesse sentido em razão da interdição da ponte sobre o Rio das Antas.
As condições das rotas podem sofrer alterações em razão das chuvas, por isso os motoristas devem observar as orientações atualizadas dos órgãos responsáveis antes de iniciar o deslocamento.
Impacto para quem depende diariamente da rodovia
A interdição preocupa especialmente moradores, trabalhadores e empresas que utilizam diariamente a ligação entre São Marcos, Campestre da Serra, Vacaria e outras cidades da região.
O impacto também deve ser sentido pelos comerciantes e estabelecimentos localizados às margens da BR-116, que dependem diretamente do fluxo de veículos pela rodovia.
A ponte é um ponto estratégico de conexão para quem utiliza a BR-116 no deslocamento entre a Serra Gaúcha e a região dos Campos de Cima da Serra. Por isso, a duração do bloqueio e a definição das rotas alternativas serão fatores importantes para a rotina de moradores e para a circulação de mercadorias.
Jornalismo que sai da redação e vai a campo
A interdição desta terça-feira também evidencia uma característica do trabalho jornalístico em situações de emergência: estar no local, observar o que está acontecendo e questionar aquilo que ainda não foi comunicado oficialmente.
O São Marcos Online esteve na ponte inicialmente para acompanhar os efeitos das chuvas e a elevação do Rio das Antas. Foi durante essa apuração presencial que a reportagem percebeu a alteração em um dos pilares e registrou as condições da estrutura.
A partir da identificação, o veículo acionou os órgãos responsáveis e comunicou formalmente a situação, desencadeando uma avaliação emergencial do DNIT.
Horas depois, uma equipe técnica esteve no local e a ponte acabou sendo totalmente interditada.
O episódio reforça o papel do jornalismo local para além da reprodução de comunicados: acompanhar o território, identificar problemas, buscar respostas e levar ao conhecimento dos órgãos responsáveis situações que podem representar risco ou impacto direto para a população.
Neste caso, a apuração começou fora da redação, com a presença da reportagem no local, e terminou com uma medida de segurança para todos os usuários da rodovia.
O São Marcos Online seguirá acompanhando a situação, especialmente a definição das rotas oficiais de desvio, os novos estudos do DNIT, o diagnóstico da estrutura e as medidas que serão adotadas para a recuperação da ponte.




