Aos 93 anos, Santo Claudino Carnino encerrou, em 2026, uma trajetória de mais de seis décadas ligada ao comércio de São Marcos. Por mais de 60 anos, esteve à frente do Mercado Carnino, estabelecimento que começou de forma modesta e, ao longo das décadas, tornou-se parte da história de inúmeras famílias são-marquenses.
Nascido em 1933, na localidade de Vila Segredo, interior de Vacaria, Santo cresceu em uma família numerosa de descendentes de italianos. Ainda criança, auxiliava o pai na agricultura e aprendeu desde cedo valores que, mais tarde, levaria para sua vida profissional: trabalho, responsabilidade, simplicidade e compromisso com a palavra.
Antes de se tornar comerciante, serviu ao Exército Brasileiro em Vacaria, onde recebeu uma honraria por sua atuação. Também foi professor rural durante seis anos, período em que alfabetizou crianças e contribuiu para a formação de jovens de sua comunidade.
Em 1957, aos 27 anos, após casar-se com Maria Nadyr Bertolazzi Carnino, a Nair, Santo mudou-se para São Marcos em busca de novas oportunidades. Foi no município que começou uma nova etapa da vida. O pequeno bar que iniciou com esforço deu lugar a um armazém e, em meados de 1966, surgiu o Mercado Carnino.
Um balcão que atravessou gerações

Ao lado de Nair, Santo não construiu apenas um empreendimento comercial. O Mercado Carnino se transformou em um espaço de convivência e confiança, onde relações comerciais frequentemente se misturavam às relações de amizade e vizinhança.
Foram décadas atravessadas por crises econômicas, mudanças de moeda, dificuldades financeiras, assaltos e longas jornadas de trabalho. A rotina muitas vezes começava cedo e terminava tarde, inclusive aos domingos. Mesmo diante das dificuldades, Santo manteve como princípios a honestidade, o respeito, a responsabilidade e o compromisso com a palavra dada.
Mais do que um mercado, o estabelecimento passou a fazer parte da memória de diferentes gerações de são-marquenses. No balcão, além das compras do dia a dia, foram construídas amizades e histórias que acompanharam o crescimento da cidade.
Nair também deixou sua marca no espaço. Conhecida pelo cuidado com as flores e com os canteiros em frente ao estabelecimento, ajudou a tornar o entorno do mercado uma referência de cuidado e beleza.
Juntos, Santo e Nair constituíram a família formada pelos filhos Claires e Ivan e pelos netos Claudine, David e João Pedro.
O fim de uma rotina de mais de 60 anos

Depois da morte de Nair, em 2022, Santo encontrou no próprio mercado uma forma de manter a rotina e o contato diário com clientes e amigos. O balcão continuou sendo, para ele, um ponto de ligação com a comunidade.
Foi somente em 2026, aos 93 anos, que deixou definitivamente a atividade. As limitações físicas já não permitiam manter a rotina de trabalho e enfrentar as escadas do prédio onde funcionava o estabelecimento.
Com a saída de Santo, São Marcos encerra também um capítulo de sua história comercial. Ele é reconhecido como um dos comerciantes mais antigos do município e como representante de uma geração que ajudou a construir a identidade do comércio local.
Ao resumir a própria trajetória, Santo costuma dizer: “Comecei do nada. Foi uma luta. E o tempo passou muito depressa.”
A frase sintetiza uma história construída ao longo de décadas, marcada pelo trabalho, pela família e pela relação estabelecida com a comunidade que o acolheu.
Câmara reconhece trajetória
A história de Santo também foi reconhecida institucionalmente pelo Poder Legislativo. Na sessão ordinária de segunda-feira (31), a Câmara de Vereadores de São Marcos aprovou, em votação única e por unanimidade, a Moção de Louvor nº 1/2026, proposta pelos vereadores Sabrina Hoffmann Reis, Eduardo Cesar Rizzo e Rui Antonio Borba.
A homenagem reconhece Santo pelos mais de 60 anos dedicados ao comércio são-marquense à frente do Mercado Carnino e também estende o reconhecimento à memória de sua esposa, Maria Nadyr (Nair), e aos familiares.
A moção foi apresentada em 26 de agosto e entrou na pauta da 2306ª Sessão Ordinária, realizada em 31 de agosto. O documento recebeu oito votos favoráveis dos vereadores presentes à votação.
A Câmara também prevê a entrega formal da Moção de Louvor a Santo Claudino Carnino.
Mais do que o reconhecimento formal, a homenagem registra nos documentos do Legislativo uma trajetória que já está presente na memória de quem, durante décadas, passou pelo balcão do Mercado Carnino.


