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8ª Romaria em honra ao Padre Pedro Rizzon reúne cerca de 2 mil pessoas reforçando a tradição entre São Marcos e Criúva

Evento realizado no domingo, dia 16, teve cerca de 1,4 mil almoços servidos e movimentou Criúva ao longo de todo o dia; peregrinação mantém viva a memória de um sacerdote nascido em São Marcos e que marcou a história da comunidade.

Igreja Nossa Senhora do Carmo, em Criúva, durante a 8ª Romaria em honra ao Padre Pedro Rizzon, com a presença de peregrinos, motociclistas e veículos que participaram do evento.
A Igreja Nossa Senhora do Carmo foi ponto de encontro dos participantes da 8ª Romaria em honra ao Padre Pedro Rizzon, realizada no domingo (16), em Criúva. A movimentação reuniu peregrinos e grupos que chegaram de diferentes formas para participar do momento de fé e homenagem ao sacerdote. Foto: Angelo Batecini/Portal São Marcos Online

A fé, a memória e a tradição voltaram a se encontrar no último domingo, dia 16 de agosto, em Criúva, distrito de Caxias do Sul. A 8ª Romaria em Honra ao Padre Pedro Rizzon reuniu moradores, devotos e peregrinos de diferentes localidades e movimentou a comunidade durante todo o dia.

A estimativa é de que cerca de 2 mil pessoas tenham passado por Criúva ao longo da programação. Um dos principais indicadores desse movimento foi o almoço comunitário, que serviu aproximadamente 1,4 mil refeições e ocupou os dois salões da comunidade.

O número de almoços, porém, não corresponde ao total de participantes. Muitos dos que participaram da romaria não permaneceram para a refeição. Ao longo do domingo, houve peregrinos que chegaram de carro, a pé e de bicicleta, além dos grupos que participaram das modalidades motorizadas. Parte desse público permaneceu na comunidade durante determinado período e depois retornou para suas localidades.

A programação deste ano reforçou justamente essa característica da romaria: o encontro não se concentra apenas em um momento ou espaço. Desde as primeiras horas da manhã, São Marcos e Criúva foram conectados por diferentes formas de peregrinação. A programação previa caminhada, corrida, ciclismo e grupos de motos, jipes, quadriciclos, gaiolas e carros antigos, todos seguindo em direção à Igreja Nossa Senhora do Carmo, em Criúva.

Uma história que começou em 2018

A Romaria em Honra ao Padre Pedro Rizzon nasceu em 2018, mesmo ano em que Criúva passou a contar com uma estátua em homenagem ao sacerdote, instalada em frente à Igreja Nossa Senhora do Carmo, além de um espaço dedicado à memória do religioso.

Desde então, a iniciativa cresceu e passou a reunir diferentes formas de peregrinação entre São Marcos e Criúva. Em uma das primeiras edições, em 2019, mais de 100 pessoas fizeram o percurso a pé a partir da Gruta Nossa Senhora Aparecida, em São Marcos, percorrendo cerca de 17 quilômetros. Naquele ano, foram servidos aproximadamente 1,5 mil almoços e a presença total foi estimada em mais de 2 mil pessoas.

Com o passar dos anos, a romaria incorporou novos grupos e modalidades. A partir da quarta edição, passaram a ganhar espaço também os peregrinos que fazem o trajeto de bicicleta, motos, jipes e quadriciclos, além daqueles que seguem a pé.

A dimensão alcançada pelo evento também levou a proposta de inclusão da romaria no Calendário Oficial de Eventos de Caxias do Sul, reconhecendo sua realização anual no distrito de Criúva.

O padre que ligou sua história a Criúva

A homenagem tem como figura central um sacerdote cuja trajetória ultrapassou os limites da atuação religiosa.

Pedro Rizzon nasceu em São Marcos, em 26 de abril de 1918. Filho de agricultores, estudou em São Leopoldo, onde frequentou os cursos de Filosofia e Teologia antes de seguir a vida sacerdotal.

No início da década de 1970, passou a atuar como pároco de Criúva. Permaneceu por 22 anos à frente da comunidade, período em que construiu uma relação de proximidade com os moradores e deixou marcas que permanecem presentes na identidade do distrito.

Entre os principais legados está a atuação na tradicional Festa do Divino Espírito Santo. A celebração, que já fazia parte da história de Criúva, ganhou novo impulso a partir da chegada do padre. Rizzon contribuiu para ampliar a participação da comunidade e fortalecer uma manifestação religiosa que se tornou uma das referências culturais do distrito e da região.

A importância do sacerdote não ficou restrita à paróquia. Padre Pedro Rizzon também foi reitor do Seminário Nossa Senhora Aparecida, em Caxias do Sul, e professor da Universidade de Caxias do Sul, onde lecionou Sociologia para cursos como Economia, Administração de Empresas e Ciências Contábeis. Também teve atuação na área educacional em outras comunidades da Serra.

Rizzon morreu em 19 de agosto de 2004, aos 86 anos, em São Marcos.

Uma memória que permanece nas comunidades

A relação construída pelo sacerdote com Criúva ajuda a explicar por que sua memória permanece tão presente entre as comunidades.

A Paróquia Nossa Senhora do Carmo, cuja matriz está no distrito, reúne 15 comunidades além da própria matriz. Nesse território, a atuação de Rizzon esteve ligada não apenas às celebrações religiosas, mas também à assistência comunitária, à educação e à preservação de manifestações tradicionais.

A estátua instalada em frente à igreja tornou-se um dos símbolos dessa memória. Ao lado dela, a Sala Memória reúne referências à trajetória do sacerdote e ajuda a preservar para as novas gerações a história de alguém que, durante mais de duas décadas, fez parte do cotidiano de Criúva.

É nesse contexto que a romaria ganha significado. Mais do que uma caminhada ou uma programação religiosa anual, o encontro reúne comunidades que compartilham uma parte da mesma história. De um lado, São Marcos, terra natal do sacerdote. Do outro, Criúva, comunidade onde ele exerceu por 22 anos seu ministério e deixou algumas de suas marcas mais profundas.

A movimentação registrada na 8ª edição mostra que essa memória continua mobilizando pessoas. Os cerca de 1,4 mil almoços servidos e a estimativa de aproximadamente 2 mil visitantes dão uma dimensão concreta do público, mas a força da romaria também pode ser percebida nos peregrinos que percorrem o caminho, nos grupos que chegam sobre duas ou quatro rodas e nas famílias que retornam ano após ano.

Em Criúva, a história de Padre Pedro Rizzon continua sendo contada não apenas por monumentos e registros, mas pelo próprio movimento das comunidades. A cada agosto, a antiga relação entre fé, território e memória volta a ganhar forma no caminho entre São Marcos e Criúva.

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