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Professores de São Marcos têm um dos salários mais baixos da região

Há mais de uma década sem aumento, docentes municipais possuem rendimentos pouco atrativos. Projeto visa isentar professor do Imposto de Renda. Novos profissionais serão contratos para a educação infantil, onde faltam vagas entre 6 meses e 2 anos. Confira reportagem especial deste Dia Nacional do Professor

Há mais de uma década sem aumento real e com um dos menores salários da região, o professor são-marquense não tem muito o que comemorar em termos financeiros neste dia 15 de outubro, data que celebra o Dia Nacional do Professor.

Sem reajuste significativo desde 2011, quando ganharam 10% divididos em duas parcelas de 5%, o rendimento mensal dos professores são-marquenses gira em torno de R$ 1,5 mil para 20 horas semanais e R$ 2,3 mil para 30h.

Com isso, o professor municipal de São Marcos tem salário-base menor que o de Flores da Cunha, Antônio Prado Farroupilha, Bento Gonçalves, Caxias e Campestre da Serra. É o que revela levantamento comparativo com base em dados dos portais da transparência (20h semanais/professor graduado):

São Marcos: R$ 1,5 mil
Antônio Prado: R$ 1,9 mil
Flores da Cunha: R$ 2,4 mil
Bento Gonçalves: R$ 1,8 mil
Campestre da Serra: R$ 1,7 mil
Vacaria: R$ 1,5 mil
Caxias: R$ 2,3 mil

Faltam professores e vagas em creches: última foi construída há quase uma década

Os salários reduzidos e a falta de reajustes verificados em São Marcos é uma situação que se repete em nível estadual e federal. Outro aspecto é o desgaste da profissão: a jornada presencial, em sala de aula, é apenas uma das tarefas desempenhadas pelo educador.

“Muita gente pensa que o trabalho é só na sala de aula, mas o professor é como um atleta de futebol: quando não está em sala de aula, está em treinamento, se aperfeiçoando, buscando novas metodologias ou cumprindo a parte burocrática”, pondera a professora de Educação Infantil Fabiana Dutra de Oliveira, que trabalha na creche Criança Feliz do bairro São José.

A escola foi a última a ser construída em São Marcos, que não tem nova creche há cerca de dez anos. O resultado é a falta de vagas verificada no Berçário (6 meses a 2 anos), onde a lista de espera possui em torno de 40 pessoas (as matrículas vão até 28 de outubro): apesar da prefeitura possuir convênio com duas creches particulares com contrato para mais de 70 vagas, nem mesmo a terceirização consegue atender a demanda.

Além de vagas, também estão faltando professores e seis novos profissionais de Educação Infantil serão contratados “por tempo determinado e para atender à necessidade temporária de excepcional interesse público”, conforme o Projeto de Lei do Executivo 46, que esteve na pauta da última sessão legislativa.

Projeto visa isentar professor do imposto de renda

Vereadora, a professora Fabiana foi autora de uma Moção de Apoio ao projeto de um senador que visa isentar o docente de pagar Imposto de Renda.

“A luta do professor não a isenção do imposto de renda, é ter um salário digno e compatível com a profissão. O que gostaríamos era ter um reajuste salarial. Mas o que há no momento é esse projeto. Se for aprovado vai haver um aumento na renda e ajudaria um pouco a compensar a defasagem histórica dos salários”, comenta Fabiana.

Aprovada na sessão de 4 de outubro, a Moção (15/2021) apoia “o Senador Sérgio Petecão (PSD/AC), pela autoria do Projeto de Lei nº 3.018/2021, que altera a Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, para isentar do Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas a remuneração da atividade de professor em efetivo exercício na educação infantil, fundamental, média e superior.”

O projeto que tramita no Senado visa contribuir para o cumprimento das metas do Plano Nacional de Educação (PNE), com valorização salarial dos professores. Mais de 187 mil pessoas opinaram favorável à matéria e 1,3 mil contra, conforme enquete no site do Senado.

Sem reajuste: governo do RS anuncia plano, mas não fala em aumento

Valorização salarial é uma palavrinha mágica que seguidamente circula entre os professores. No Estado também faz em torno de uma década que os professores públicos estão sem aumentos reais. E o pior é que não há perspectiva concreta de que haja a tão sonhada “valorização”.

Lançado nesta quinta (14), o “Avançar Educação” traz o maior investimento na educação estadual gaúcha dos últimos 15 anos: R$ 1,2 bilhão. O recurso será investido para “obras, tecnologia, capacitação e programas para melhorar a aprendizagem. Mas não para aumentar o salário dos professores, item que sequer foi mencionado no planejamento detalhado em cerimônia realizada na capital gaúcha.

Uma das novidades do Avançar é o Agiliza RS, projeto que prevê o repasse extraordinário de R$ 228 milhões para a autonomia financeira das escolas de educação básica e profissional. Com o dinheiro em caixa, as próprias equipes diretivas das escolas poderão conduzir pequenos reparos, como troca de telhas, manutenção de rede elétrica, além de reformas em prédios.

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