Zera Dívida da Corsan oferece até 80% de desconto, mas campanha ocorre em meio a críticas sobre faturas no RS
Iniciativa da Corsan/Aegea no Mês do Consumidor facilita parcelamentos e quitação de débitos em 317 municípios, enquanto consumidores seguem questionando aumentos nas contas e dificuldades na contestação de cobranças.
Campanha “Zera Dívida” permite negociação presencial nas lojas da Corsan, com descontos e parcelamentos para clientes com contas em atraso no Rio Grande do Sul. Foto: Corsan / Divulgação.
A Corsan, controlada pelo grupo Aegea Saneamento, lançou neste mês a campanha “Zera Dívida”, oferecendo descontos de até 80% sobre faturas vencidas e parcelamentos que podem chegar a 48 vezes. A iniciativa ocorre em alusão ao Mês do Consumidor e é válida nos 317 municípios atendidos pela companhia no Rio Grande do Sul.
O anúncio surge em um momento sensível: a empresa enfrenta críticas recorrentes da população, especialmente relacionadas a aumentos considerados excessivos nas faturas, cobranças questionadas e dificuldades nos canais de atendimento.
O que prevê a campanha
Segundo o release oficial, a campanha ocorre de 2 a 31 de março de 2026 e contempla:
- Descontos de até 80% sobre juros e multas de contas vencidas
- Pagamento à vista via Pix
- Parcelamento no cartão de crédito em até 12 vezes
- Parcelamento direto com a companhia em até 48 vezes, com parcelas incluídas nas próximas faturas
- Participação de clientes residenciais, comerciais e industriais (exceto imóveis públicos)
- A negociação pode ser feita por telefone (0800 646 6444), videochamada no site da empresa ou presencialmente nas lojas físicas.
A gerente comercial Mitsa Sampaio afirma que a campanha busca “facilitar a regularização das pendências” diante de imprevistos financeiros dos consumidores.
Contexto: críticas sobre faturas e cobrança
Nos últimos meses, têm se multiplicado relatos de consumidores em diferentes municípios gaúchos apontando:
- Aumento abrupto no valor das contas, fora do padrão histórico de consumo
- Dificuldade de revisão técnica das medições
- Atendimento automatizado considerado pouco resolutivo
- Demora na análise de contestação de faturas
- Reclamações sobre cortes ou ameaças de suspensão mesmo com protocolos abertos
- Órgãos de defesa do consumidor e a Defensoria Pública já foram acionados em alguns casos para questionar cobranças e procedimentos.
Nesse cenário, a campanha de renegociação levanta um ponto relevante: ela atende quem está inadimplente, mas não resolve necessariamente a origem das queixas, especialmente quando o consumidor alega erro de medição ou cobrança indevida.
Regularização ou reconhecimento indireto do problema?
Do ponto de vista financeiro, a campanha pode ser positiva para consumidores que realmente acumularam débitos por dificuldade econômica. Descontos expressivos reduzem o impacto de juros e multas e evitam restrições ou cortes.
Por outro lado, especialistas em defesa do consumidor costumam alertar para um aspecto importante: ao aderir a um parcelamento, o cliente pode estar reconhecendo a dívida como legítima, o que pode dificultar questionamentos futuros sobre eventual cobrança indevida.
Ou seja, antes de negociar, é recomendável que o consumidor:
- Verifique se houve aumento incomum de consumo.
- Solicite revisão da leitura do hidrômetro.
- Registre protocolo formal de contestação, se houver dúvida.
- Compare o histórico das últimas faturas.
A equação da confiança
Após a privatização da companhia, a expectativa era de modernização, ampliação de investimentos e melhoria na eficiência operacional. Embora haja anúncios de expansão de redes e obras, a percepção pública ainda é fortemente influenciada pela experiência direta com a fatura mensal — o ponto mais sensível da relação entre empresa e usuário.
A campanha “Zera Dívida” pode aliviar a inadimplência e melhorar indicadores financeiros da companhia, mas o desafio central permanece: restabelecer a confiança do consumidor, especialmente em relação à transparência tarifária, clareza nas cobranças e qualidade do atendimento.
Para muitos gaúchos, a questão não é apenas pagar menos juros, é entender exatamente o que estão pagando.












