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Videiras de São Marcos são reerguidas enquanto a solidariedade vai até Flores da Cunha

Após temporal com ventos de mais de 100 km/h derrubar parreirais na Serra, agricultores de São Marcos e municípios vizinhos realizam mutirões de solidariedade para reconstruir vinhedos. São Marcos teve três propriedade afetadas; no município vizinho foram 70 hec. Exército chegou ontem em Flores da Cunha para ajudar na recuperação.

Atualizado em 17/12/2025 às 07:12, por Angelo Batecini.

Parreiral em São Marcos com agricultores trabalhando para erguer as videiras após queda causada pelo temporal.

Produtores de São Marcos participam de mutirão para reerguer parreirais após a queda das videiras provocada pelo forte temporal que atingiu a região. Foto: São Marcos Online / Especial.

Um forte temporal com ventos intensos, caracterizado por meteorologistas e Defesa Civil como um possível tornado, atingiu parte da Serra Gaúcha na segunda-feira (8), com especial impacto no município de Flores da Cunha, uma das principais regiões produtoras de uva do Rio Grande do Sul. O fenômeno provocou estragos em edificações, destelhamentos, queda de árvores e, nas áreas rurais, derrubou dezenas de parreirais, estimativas iniciais apontam que cerca de 70 hectares foram totalmente derrubados e outros 100 hectares sofreram danos pela força dos ventos.

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Diante da magnitude dos prejuízos agrícolas, produtores rurais e entidades ligadas ao setor organizaram um mutirão regional para ajudar a reerguer os vinhedos atingidos. A mobilização envolve agricultores de diferentes municípios, que se revezam nos trabalhos de recolocar postes e estruturas, além de auxiliar no suporte logístico e transporte, com apoio de cooperativas como o Sicredi.

Em São Marcos, mesmo com danos menores comparados a Flores da Cunha, também houve queda de parreirais em três localidades do interior, o que mobilizou a comunidade agrícola local. A presidente do Sindicato dos Trabalhadores Agricultores Familiares (STAF) de São Marcos, Sandra Meneguzzo, relatou ao São Marcos Online como se deu essa articulação entre os municípios:

“Na verdade, a gente acionou toda a região. Como a gente tem a Regional Serra, que abrange todos os municípios aqui com fruticultura, o presidente de Flores da Cunha entrou em contato comigo e daí a gente acionou todos os municípios. Todos os municípios que produzem uva, claro, porque aqueles municípios que não têm experiência, o agricultor nem sabe como erguer, mas todos os municípios estão ajudando. Inclusive, ontem foi São Marcos, Veranópolis e Bento…”

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Sandra explicou que a troca de apoio entre produtores tem sido constante, com grupos de diferentes cidades atuando dia a dia:

“…cada dia é uns dois municípios, três. E também veio um convite pelo Sicredi, que eles se organizaram também, pagaram o transporte, e nós fizemos a divulgação. Foi gente de carro, enfim…”

Danos também em São Marcos

No caso de São Marcos, os três parreirais que caíram foram rapidamente atendidos pela comunidade, com agricultores e voluntários ajudando a reerguer as videiras logo após o temporal. A mobilização também seguiu para Flores da Cunha, onde o grupo regional tem auxiliado conforme a necessidade e a previsão do tempo.

“Também tivemos no sábado os processos de reerguer parreira aqui em São Marcos… E temos ideia de que, se não terminar ainda essa semana, a gente vai mandar mais um grupo. E isso é um trabalho a nível regional…”

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A presidente contou ainda sobre a participação dos produtores nos mutirões e os desafios enfrentados, inclusive com um episódio de chuva de granizo que impactou parte do trabalho já realizado:

“No sábado, quando ergueram a parreira do Flaviano e a do Leides, no fim do dia veio uma tempestade com chuva de pedra, e 50% da parreira do Flaviano caiu de novo…”

Sandra também destacou a solidariedade e a disposição dos agricultores em continuar ajudando:

“Tem gente se colocando à disposição para ir de novo, e outras pessoas que não puderam ir ontem para ir ajudar. Essa semana vamos fazer um mutirão, quarta-feira, lá no Leides, porque caiu outra parreira.”

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A situação climática extrema que atingiu a Serra gaúcha reforça a importância da cooperação entre agricultores e das redes de apoio comunitário, especialmente em uma cadeia produtiva tão significativa como a da uva e vinho na região. A expectativa dos produtores é de que, com a continuidade dos mutirões e o apoio entre municípios vizinhos, os parreirais mais afetados possam ser reerguidos ainda nas próximas semanas, apesar dos desafios naturais enfrentados no meio rural.