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Videiras de São Marcos são reerguidas enquanto a solidariedade vai até Flores da Cunha

Após temporal com ventos de mais de 100 km/h derrubar parreirais na Serra, agricultores de São Marcos e municípios vizinhos realizam mutirões de solidariedade para reconstruir vinhedos. São Marcos teve três propriedade afetadas; no município vizinho foram 70 hec. Exército chegou ontem em Flores da Cunha para ajudar na recuperação.

Parreiral em São Marcos com agricultores trabalhando para erguer as videiras após queda causada pelo temporal.
Produtores de São Marcos participam de mutirão para reerguer parreirais após a queda das videiras provocada pelo forte temporal que atingiu a região. Foto: São Marcos Online / Especial.

Um forte temporal com ventos intensos, caracterizado por meteorologistas e Defesa Civil como um possível tornado, atingiu parte da Serra Gaúcha na segunda-feira (8), com especial impacto no município de Flores da Cunha, uma das principais regiões produtoras de uva do Rio Grande do Sul. O fenômeno provocou estragos em edificações, destelhamentos, queda de árvores e, nas áreas rurais, derrubou dezenas de parreirais, estimativas iniciais apontam que cerca de 70 hectares foram totalmente derrubados e outros 100 hectares sofreram danos pela força dos ventos.

Diante da magnitude dos prejuízos agrícolas, produtores rurais e entidades ligadas ao setor organizaram um mutirão regional para ajudar a reerguer os vinhedos atingidos. A mobilização envolve agricultores de diferentes municípios, que se revezam nos trabalhos de recolocar postes e estruturas, além de auxiliar no suporte logístico e transporte, com apoio de cooperativas como o Sicredi.

Em São Marcos, mesmo com danos menores comparados a Flores da Cunha, também houve queda de parreirais em três localidades do interior, o que mobilizou a comunidade agrícola local. A presidente do Sindicato dos Trabalhadores Agricultores Familiares (STAF) de São Marcos, Sandra Meneguzzo, relatou ao São Marcos Online como se deu essa articulação entre os municípios:

“Na verdade, a gente acionou toda a região. Como a gente tem a Regional Serra, que abrange todos os municípios aqui com fruticultura, o presidente de Flores da Cunha entrou em contato comigo e daí a gente acionou todos os municípios. Todos os municípios que produzem uva, claro, porque aqueles municípios que não têm experiência, o agricultor nem sabe como erguer, mas todos os municípios estão ajudando. Inclusive, ontem foi São Marcos, Veranópolis e Bento…”

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Sandra explicou que a troca de apoio entre produtores tem sido constante, com grupos de diferentes cidades atuando dia a dia:

“…cada dia é uns dois municípios, três. E também veio um convite pelo Sicredi, que eles se organizaram também, pagaram o transporte, e nós fizemos a divulgação. Foi gente de carro, enfim…”

Danos também em São Marcos

No caso de São Marcos, os três parreirais que caíram foram rapidamente atendidos pela comunidade, com agricultores e voluntários ajudando a reerguer as videiras logo após o temporal. A mobilização também seguiu para Flores da Cunha, onde o grupo regional tem auxiliado conforme a necessidade e a previsão do tempo.

“Também tivemos no sábado os processos de reerguer parreira aqui em São Marcos… E temos ideia de que, se não terminar ainda essa semana, a gente vai mandar mais um grupo. E isso é um trabalho a nível regional…”

A presidente contou ainda sobre a participação dos produtores nos mutirões e os desafios enfrentados, inclusive com um episódio de chuva de granizo que impactou parte do trabalho já realizado:

“No sábado, quando ergueram a parreira do Flaviano e a do Leides, no fim do dia veio uma tempestade com chuva de pedra, e 50% da parreira do Flaviano caiu de novo…”

Sandra também destacou a solidariedade e a disposição dos agricultores em continuar ajudando:

“Tem gente se colocando à disposição para ir de novo, e outras pessoas que não puderam ir ontem para ir ajudar. Essa semana vamos fazer um mutirão, quarta-feira, lá no Leides, porque caiu outra parreira.”

A situação climática extrema que atingiu a Serra gaúcha reforça a importância da cooperação entre agricultores e das redes de apoio comunitário, especialmente em uma cadeia produtiva tão significativa como a da uva e vinho na região. A expectativa dos produtores é de que, com a continuidade dos mutirões e o apoio entre municípios vizinhos, os parreirais mais afetados possam ser reerguidos ainda nas próximas semanas, apesar dos desafios naturais enfrentados no meio rural.

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