Vacina contra o VSR é oferecida gratuitamente pelo SUS, mas tem baixa adesão entre gestantes no RS
O VSR é um dos principais causadores de infecções respiratórias em crianças pequenas, sendo responsável por cerca de 75% dos casos de bronquiolite e de 40% das pneumonias em menores de dois anos de idade.
Estudos clínicos apontam que a vacinação reduz em 81,8% os casos graves da doença nos primeiros 90 dias de vida
Mesmo disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) desde dezembro do ano passado e considerada uma das principais estratégias de prevenção contra a bronquiolite em recém-nascidos, a vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR) ainda registra baixa procura entre gestantes no Rio Grande do Sul.
A imunização é indicada para gestantes a partir da 28ª semana de gestação e protege o bebê nos primeiros meses de vida, período de maior vulnerabilidade às infecções respiratórias. Ainda assim, a adesão está abaixo da meta estabelecida pela Secretaria Estadual da Saúde (SES). Até o momento, cerca de 27 mil gestantes receberam a dose no Estado, número distante da estimativa anual de 120 mil mulheres, com meta de 80% de cobertura vacinal.
A vacina atua de forma indireta: ao ser imunizada, a gestante produz anticorpos que são transferidos ao bebê ainda durante a gravidez, garantindo proteção desde o nascimento. Estudos clínicos apontam que a vacinação reduz em 81,8% os casos graves da doença nos primeiros 90 dias de vida e em 69,4% até os 180 dias, diminuindo significativamente o risco de hospitalizações e complicações.
O VSR é o principal causador da bronquiolite e responde por cerca de 75% dos casos da doença e por 40% das pneumonias em crianças menores de dois anos. Em 2025, o Rio Grande do Sul registrou 3.616 hospitalizações por síndrome respiratória aguda grave associadas ao vírus, além de 66 óbitos, números superiores aos anos anteriores. Crianças representaram a maioria das internações e das internações em UTI, reforçando o impacto da doença na população infantil.
Apesar da gravidade, não existe tratamento específico para a bronquiolite, sendo o atendimento baseado apenas em medidas de suporte, como hidratação, oxigênio e, em casos mais severos, suporte respiratório. Esse cenário torna a prevenção por meio da vacinação ainda mais essencial.
O Ministério da Saúde já repassou 56 mil doses ao Estado, que estão disponíveis nas Unidades Básicas de Saúde (UBS). A vacina pode ser aplicada junto a outros imunizantes recomendados durante a gestação, como influenza, covid-19 e dTpa, e deve ser registrada na caderneta da gestante.
Especialistas alertam que a baixa procura pode estar relacionada à falta de informação ou à falsa percepção de que a bronquiolite é uma doença leve. A Secretaria da Saúde reforça que manter o calendário vacinal em dia durante o pré-natal é uma das formas mais eficazes de proteger o bebê, reduzir internações e evitar complicações graves nos primeiros meses de vida.
Com a aproximação do outono, período em que a circulação do VSR tende a aumentar, autoridades de saúde voltam a destacar a importância da vacinação e do acompanhamento pré-natal adequado, lembrando que a proteção do recém-nascido começa ainda antes do nascimento.










