São Marcos terá pelo menos oito equipamentos na primeira etapa do sistema regional de proteção contra o granizo que está sendo estruturado para a Serra Gaúcha. A informação foi confirmada ao São Marcos Online pelo secretário municipal da Agricultura, Eri Zanela, após sua participação na Expointer, onde representou o prefeito Volmir Rech no lançamento do edital estadual relacionado ao projeto.
Segundo Zanela, os pontos onde os equipamentos serão instalados no município ainda passarão por avaliação técnica. A definição deverá considerar as características do território e a necessidade de formar uma rede regional de cobertura.
O secretário reforça que São Marcos acompanha a iniciativa desde o início da articulação entre os municípios.
“Temos total interesse, tanto que São Marcos foi um dos cinco primeiros a formar comissão aderindo ao projeto”, destacou Eri.
A participação agora avança para uma etapa mais concreta. O Governo do Estado lançou, em 3 de setembro, durante a Expointer, o Edital de Chamamento de Apoio à Manutenção e Operação de Sistemas Antigranizo. São Marcos está entre os 14 municípios que aderiram à primeira etapa do projeto.
Equipamentos serão integrados em uma operação regional
A proposta não prevê que cada município opere seus equipamentos de maneira independente.
Conforme explicou Eri Zanela ao SMO, a operação será centralizada para toda a região, permitindo que os equipamentos sejam acionados de forma coordenada a partir do acompanhamento das condições meteorológicas.
Esse aspecto é fundamental para compreender o funcionamento do projeto. O objetivo não é simplesmente distribuir oito equipamentos dentro dos limites de São Marcos, mas integrar os geradores a uma rede regional de proteção, com monitoramento e acionamento coordenados.
O projeto prevê aproximadamente 130 unidades de proteção distribuídas entre os municípios participantes. O investimento estimado para a instalação é de cerca de R$ 15 milhões, com recursos do Fundo de Desenvolvimento da Vitivinicultura (Fundovitis) e participação financeira da Sicredi Serrana, que confirmou aporte superior a R$ 6 milhões para a estrutura inicial.
O Conselho do Fundovitis também aprovou aproximadamente R$ 3 milhões anuais, a partir de 2027, para a manutenção do sistema. A manutenção, contudo, terá participação dos municípios envolvidos.
Como funciona o equipamento
Os equipamentos previstos no projeto são geradores terrestres que utilizam iodeto de prata.
O princípio da tecnologia é conhecido como semeadura de nuvens. O iodeto de prata possui uma estrutura cristalina semelhante à do gelo e, quando liberado em determinadas condições atmosféricas, pode atuar como núcleo de formação de cristais de gelo dentro das nuvens.
Na prática, o gerador aquece uma solução contendo o composto e libera partículas para a atmosfera. Em condições meteorológicas adequadas, essas partículas podem favorecer a formação de um número maior de pequenos cristais de gelo, distribuindo a água disponível e buscando reduzir o crescimento de pedras de granizo de maior tamanho.
Por isso, o sistema não deve ser entendido como uma tecnologia capaz de simplesmente “impedir” uma tempestade de granizo. A finalidade é reduzir o potencial de dano, especialmente sobre áreas agrícolas.
O modelo que está servindo de referência para a Serra Gaúcha é utilizado há anos em Santa Catarina. Na região catarinense, os geradores são acionados a partir do monitoramento meteorológico, com apoio de radar para identificar a aproximação e as condições favoráveis à formação de granizo. A experiência catarinense foi conhecida de perto por representantes gaúchos durante missão técnica realizada neste ano.
Não apenas para proteger a produção agrícola
Um dos pontos destacados por Eri Zanela na conversa com o SMO é que a expectativa é que os benefícios do sistema não fiquem restritos aos produtores rurais.
Segundo o secretário, a área urbana de São Marcos também poderá ser beneficiada pela estrutura regional.
A lógica está relacionada à própria abrangência dos equipamentos e à operação integrada. Ao reduzir o tamanho ou a intensidade dos episódios de granizo em uma determinada área, a expectativa é diminuir também danos a residências, veículos, estruturas públicas e estabelecimentos, além das perdas em pomares, parreirais e demais cultivos.
Essa possibilidade amplia a discussão sobre o projeto: trata-se não apenas de uma política de proteção da produção rural, mas também de uma medida de redução de riscos associados a eventos climáticos extremos.
O Jornal do Comércio também destacou recentemente essa característica do projeto regional, que prevê cerca de 130 geradores terrestres e busca mitigar prejuízos tanto na agricultura quanto no meio urbano.
São Marcos acompanha projeto desde as primeiras discussões
A participação do município não começou com o lançamento do edital.
A discussão regional teve início em 2024, quando municípios da Serra passaram a estudar o sistema já utilizado em Santa Catarina. Na época, representantes municipais conheceram a proposta apresentada pela empresa responsável pelo modelo de Fraiburgo, que utiliza geradores de solo e monitoramento por radar.
Ao longo de 2025, São Marcos participou das reuniões realizadas em Caxias do Sul e integrou a articulação que buscava transformar a iniciativa em um projeto regional.
Em janeiro de 2026, representantes dos municípios também participaram de uma missão técnica a Santa Catarina para conhecer estruturas já em funcionamento. A experiência serviu para avaliar aspectos técnicos, operacionais e administrativos antes da implantação no Rio Grande do Sul.
Agora, com o lançamento do edital, a proposta entra em uma nova fase.
14 municípios na primeira etapa
A primeira etapa contempla 14 municípios:
- Caxias do Sul;
- Coronel Pilar;
- Santa Tereza;
- Monte Belo do Sul;
- Bento Gonçalves;
- Farroupilha;
- Alto Feliz;
- Feliz;
- Vale Real;
- Pinto Bandeira;
- Nova Roma do Sul;
- Nova Pádua;
- Flores da Cunha;
- São Marcos.
Outros municípios manifestaram interesse em integrar etapas posteriores. Campestre da Serra, que participou da missão técnica a Santa Catarina e vem acompanhando a discussão, está entre os municípios interessados em uma segunda etapa.
Essa distinção é importante: São Marcos já está na primeira etapa de implantação, enquanto Campestre da Serra aparece entre os municípios interessados em uma ampliação posterior.
Próximo passo será definir os pontos em São Marcos
Com a confirmação de pelo menos oito equipamentos, uma das próximas etapas para São Marcos será justamente a definição dos locais de instalação.
Eri Zanela explica que essa escolha ainda não está concluída e deverá passar por avaliação técnica.
A localização dos geradores será estratégica porque a eficiência de uma rede desse tipo depende da distribuição dos equipamentos, das características geográficas, das áreas de produção e da integração com o sistema de monitoramento regional.
Também será necessário definir como ficará a participação financeira do município na operação e manutenção.
São Marcos já havia incluído o sistema em seu planejamento municipal, com previsão de recursos para a implantação. O valor previsto para 2027 é de R$ 450 mil, mas ainda é necessário esclarecer se essa quantia corresponderá integralmente à contrapartida municipal, à instalação dos equipamentos ou a outras despesas relacionadas ao projeto.
Uma articulação que chega a uma nova fase
Para São Marcos, a confirmação de pelo menos oito equipamentos representa o resultado de uma articulação que começou há mais de dois anos.
O município passou de uma posição de interessado para integrante da primeira etapa de implantação, enquanto o Estado, municípios e parceiros privados estruturam os mecanismos financeiros e operacionais necessários para colocar a rede em funcionamento.
Agora, os próximos passos serão essencialmente técnicos: definir os pontos de instalação, estabelecer a estrutura de operação centralizada e organizar a manutenção dos equipamentos.
A expectativa é que a rede regional possa começar a oferecer uma nova ferramenta de prevenção aos danos provocados pelo granizo, especialmente em uma região onde a vitivinicultura e a fruticultura representam parcela importante da atividade econômica, mas também com potencial de proteção para áreas urbanas.
Para São Marcos, a novidade mais concreta é: pelo menos oito equipamentos estão previstos para o município — e a definição de onde eles serão instalados será a próxima etapa do projeto.




