A prevenção aos prejuízos provocados pelo granizo terá um novo sistema de apoio em regiões agrícolas do Rio Grande do Sul. Um projeto apresentado nesta semana prevê a instalação de 160 equipamentos antigranizo em municípios produtores do Estado, incluindo São Marcos.
A apresentação ocorreu na quarta-feira (30), no Centro de Eventos da Vinícola Luiz Argenta, em Flores da Cunha, reunindo representantes de entidades ligadas ao setor agrícola, vitivinícola, cooperativismo e poder público dos municípios participantes.
A iniciativa é voltada principalmente para regiões onde episódios de granizo podem provocar perdas significativas na produção. Entre as atividades que poderão ser beneficiadas estão a vitivinicultura, fruticultura e produção de hortifrúti, setores presentes na realidade agrícola de São Marcos e de outros municípios da Serra Gaúcha.
Como funcionará o sistema
O projeto prevê a instalação de geradores terrestres automatizados, que serão distribuídos estrategicamente nas áreas produtoras. A tecnologia, de origem francesa, utiliza iodeto de prata, dispersado na atmosfera pelos equipamentos instalados em solo.
O acionamento ocorre quando são identificadas condições atmosféricas favoráveis à formação de granizo. A proposta é utilizar a tecnologia como uma ferramenta de prevenção, buscando interferir no processo de formação das pedras de gelo antes que elas atinjam as áreas de produção.
Os equipamentos são fabricados no Brasil pela empresa catarinense Anti-Granizo Fraiburgo (AGF).
A utilização de iodeto de prata em sistemas de supressão ou redução de granizo é uma técnica empregada em diferentes países, mas seus resultados podem variar conforme as condições meteorológicas. Dessa forma, o sistema não representa uma garantia de que episódios de granizo deixarão de ocorrer, mas passa a integrar o conjunto de ferramentas utilizadas para reduzir riscos e possíveis prejuízos.
Investimento e manutenção
A aquisição dos equipamentos conta com a participação de quatro cooperativas de crédito — Sicredi Serrana, Sicredi Pioneira, Sicredi Região dos Vales e Sicredi Ibiraiaras — que destinaram aproximadamente R$ 8 milhões para a compra dos geradores.
O Fundovitis também participará do projeto, com aporte de R$ 3,1 milhões. Além dos investimentos iniciais, municípios participantes e o Governo do Estado terão responsabilidades relacionadas às contrapartidas operacionais e à manutenção mensal da estrutura.
Conforme as regras estabelecidas no edital, os recursos destinados à iniciativa poderão chegar a R$ 15,5 milhões ao longo de cinco anos, com os primeiros repasses previstos para 2027.
Impacto para a produção de São Marcos
A participação de São Marcos coloca o município dentro de uma rede regional de prevenção voltada diretamente à atividade rural. O granizo é um dos fenômenos meteorológicos que podem provocar perdas expressivas em propriedades agrícolas em poucos minutos, atingindo frutas, parreirais, hortaliças e outras culturas.
Além do prejuízo direto na produção, eventos severos podem comprometer estruturas, equipamentos e a capacidade de recuperação das propriedades para os ciclos seguintes.
A proposta do novo sistema é ampliar a capacidade de resposta diante de condições favoráveis à ocorrência de granizo, somando tecnologia e monitoramento às demais medidas de proteção utilizadas pelos produtores.
O projeto também reúne diferentes setores — cooperativas de crédito, entidades do setor vitivinícola, municípios, Estado e organizações ligadas à agricultura — em uma estrutura compartilhada de prevenção aos danos provocados pelo fenômeno.
Para os produtores, a implantação dos equipamentos representa mais uma ferramenta disponível para enfrentar um risco climático que pode afetar diretamente a produtividade e a renda das propriedades rurais.


