/apidata/imgcache/db746b92d4b56a00aaf7d89589a197c7.webp?banner=left&when=1776070491&who=338
/apidata/imgcache/6489286f0535723f1bc933597a4c23f2.webp?banner=right&when=1776070491&who=338

São Marcos entra na “lista suja” do trabalho escravo em caso ligado ao agenciamento de safristas

Município integra relação atualizada do governo federal após identificação de trabalhadores em condições análogas à escravidão; cidade já teve dois resgates recentes registrados. Inclusão no cadastro federal pode gerar restrições de crédito, impactos reputacionais e impedimentos em contratos públicos para os responsáveis.

Atualizado em 08/04/2026 às 07:04, por Angelo Batecini.

Equipe do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) ao lado de quatro trabalhadores estrangeiros resgatados de condições análogas à escravidão, em frente à sede do MP em São Marcos.

Integrantes do MPRS acompanham quatro trabalhadores estrangeiros resgatados em São Marcos em 2025, após identificação de condições análogas à escravidão em caso ligado ao agenciamento de safristas. Crédito: MP.

A mais recente atualização do cadastro federal de empregadores envolvidos com trabalho análogo à escravidão colocou municípios da Serra Gaúcha no centro do debate. Cidades como Caxias do Sul, Vacaria, Bento Gonçalves, Farroupilha e São Marcos aparecem na relação, que reúne ocorrências registradas entre 2024 e 2025 após ações de fiscalização.

No recorte regional, São Marcos figura com um caso envolvendo quatro trabalhadores. A ocorrência está vinculada a uma empresa ligada ao agenciamento de mão de obra de safristas, um modelo de recrutamento que tem sido alvo de operações em diferentes pontos do país, especialmente em atividades temporárias no meio rural.

/apidata/imgcache/a5841874c5eaf65e0c5b0a2b416b760c.png?banner=postmiddle&when=1776070491&who=338

A inclusão do município no cadastro dialoga com episódios recentes registrados localmente. Em uma operação realizada na Linha Rosita, 18 trabalhadores foram encontrados em condições consideradas análogas à escravidão. Em outra ação, quatro estrangeiros, de nacionalidade argentina, também foram resgatados em situação semelhante, reforçando o alerta sobre a vulnerabilidade de trabalhadores migrantes nesse tipo de atividade.

Leia mais:
12/02/24 Trabalhador argentino teve prisão revogada e aguarda em liberdade o término das investigações
30/01/25 No Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo, quatro argentinos são resgatados de condições análogas à escravidão em São Marcos

/apidata/imgcache/62311135e8610eb8329b6f617e1dd2d5.png?banner=postmiddle&when=1776070491&who=338

Embora o cadastro federal não detalhe publicamente os setores específicos de cada ocorrência, o histórico recente de fiscalizações em São Marcos aponta para irregularidades relacionadas à intermediação de mão de obra, com indícios de condições degradantes e violações de direitos básicos.

Como funciona o cadastro

A inclusão de empregadores ocorre somente após a conclusão de processo administrativo conduzido por auditores-fiscais do trabalho, com decisão definitiva e sem possibilidade de recurso. São enquadradas situações que envolvem, entre outros fatores, condições degradantes, jornadas exaustivas, servidão por dívida ou restrição de liberdade dos trabalhadores.

Os nomes permanecem na lista por até dois anos. Durante esse período, os responsáveis podem enfrentar uma série de consequências, como dificuldade de acesso a financiamentos, restrições comerciais e barreiras para firmar contratos com o poder público.

/apidata/imgcache/521ec81c01718c180929d2b052e93fce.webp?banner=postmiddle&when=1776070491&who=338

Fiscalização e combate

As ações de combate ao trabalho análogo à escravidão são realizadas por forças-tarefa que reúnem diferentes órgãos, incluindo Ministério Público, auditores do trabalho e forças de segurança. A atuação parte, muitas vezes, de denúncias, que podem ser feitas de forma anônima por canais oficiais.

Alerta para a região

A presença de múltiplos municípios da Serra Gaúcha na lista reforça um cenário que exige vigilância contínua. No caso de São Marcos, o vínculo com o agenciamento de safristas evidencia a necessidade de maior rigor na fiscalização de intermediadores e na garantia de condições dignas para trabalhadores, especialmente aqueles em situação de maior vulnerabilidade social e econômica.