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Safra da uva deve ser uma das maiores dos últimos anos na Serra Gaúcha, com destaque para São Marcos

Mesmo com atraso no calendário e impactos da estiagem, produção elevada e boa qualidade da uva mantêm otimismo de produtores, técnicos e poder público no município.

Atualizado em 09/02/2026 às 10:02, por Angelo Batecini.

Produtores realizam a colheita manual da uva em parreiral de São Marcos, depositando os cachos em caminhão durante a safra na Serra Gaúcha.

Colheita da uva em São Marcos: mesmo com atraso no calendário e os efeitos da estiagem, produtores mantêm expectativa de safra volumosa e com boa qualidade na Serra Gaúcha. Foto: São Marcos Online / Arquivo.

Mesmo com atraso no calendário e os efeitos da estiagem nas últimas semanas, a safra da uva 2025/2026 na Serra Gaúcha caminha para ser uma das mais volumosas dos últimos anos. Em São Marcos, um dos principais polos vitivinícolas da região, a expectativa é de produção elevada, boa qualidade da fruta e manutenção da área cultivada, reforçando a importância da cultura para a economia local.

De acordo com avaliação do Sindicato dos Trabalhadores Agricultores Familiares (STAF), a safra começou mais tarde neste ciclo em razão da maturação tardia das uvas, mas o volume produzido tende a compensar o atraso. A presidente do STAF, Sandra Meguzzo, destaca que, apesar da estiagem recente preocupar os produtores, o cenário geral é positivo.

“A safra está bastante atrasada este ano, mas foi um ano bom de produção. O que atrapalha agora é a estiagem, porém a expectativa segue sendo de uma safra grande e com boa qualidade de uva”, avalia Sandra.

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Dados do Conselho Vitivinícola (Concevit) apontam que a produção estadual pode ultrapassar 900 milhões de quilos, representando um crescimento de cerca de 15% em relação a uma safra considerada normal, reforçando o bom momento do setor.

Produção elevada e sanidade satisfatória

Na avaliação técnica da Emater/RS-Ascar, São Marcos registra mais uma safra com produtividade acima da média histórica. O extensionista rural Rudi Girardello explica que, de modo geral, todas as variedades apresentaram boa brotação e bom volume de produção.

Segundo a Emater, a sanidade dos vinhedos é considerada satisfatória, embora tenha sido registrado o surgimento de míldio larvado — conhecido como “negrão” — principalmente em vinhedos da variedade Isabel, ainda no mês de janeiro.

Safra da uva 2025/2026

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As condições climáticas ao longo do ciclo contribuíram para o bom desempenho: o inverno teve excelente número de horas de frio, enquanto a primavera apresentou temperaturas abaixo da média, o que trouxe desafios à floração. Já no período atual de colheita, o clima seco favorece a maturação e a concentração de açúcar, embora o estresse hídrico comece a preocupar em áreas sem irrigação.

Importância econômica e números da safra em São Marcos

A viticultura é hoje a atividade agrícola mais importante de São Marcos, com cerca de 1.350 hectares cultivados. A estimativa da Secretaria Municipal de Agricultura é de uma produção aproximada de 40 mil toneladas de uva, envolvendo cerca de 500 famílias de produtores rurais no município.

O secretário municipal da Agricultura, Eri Zanella, destaca que, além da produção primária, São Marcos se consolida como referência nacional na agroindustrialização da uva.

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O município é reconhecido como o maior produtor de suco de uva integral do Brasil, concentrando importantes vinícolas e agroindústrias que abastecem o mercado interno e externo, fortalecendo a economia local e regional.

Custos elevados e desafios da mão de obra

Apesar do bom volume de produção, o custo de produção segue como um dos principais gargalos enfrentados pelos agricultores. Conforme o STAF e a Secretaria de Agricultura, os insumos tiveram aumento médio de 19% a 20%, enquanto o preço mínimo da uva subiu cerca de 6,5%, o que impacta diretamente a rentabilidade do produtor.

Sandra Meguzzo explica que, embora o custo por hectare siga elevado, o aumento da produtividade — que hoje chega a 25 a 30 mil quilos por hectare, acima da média histórica — ajuda a equilibrar as contas.

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Outro desafio recorrente é a falta de mão de obra durante a colheita. Ainda assim, o sindicato observa avanços na formalização dos trabalhadores, incluindo estrangeiros, com apoio do STAF, da FETAG e das entidades regionais.

“Mesmo com a dificuldade de mão de obra, os agricultores estão formalizando mais, utilizando o e-Social e buscando se adequar. Não há um cenário de desânimo ou abandono da cultura”, afirma Sandra.

Relação com vinícolas e infraestrutura

A relação entre produtores e vinícolas, neste início de colheita, é considerada estável. As vinícolas seguem marcando a uva antes da maturação e se adaptando gradualmente à emissão de nota fiscal eletrônica, que passa a substituir o talão físico até o fim de abril.

Entre as principais demandas dos produtores junto ao poder público, seguem como prioridade a manutenção das estradas rurais, essenciais para o escoamento da produção, além do apoio com maquinário e melhorias na infraestrutura das propriedades.

A Secretaria de Agricultura informa que, nesta safra, foram mantidas ações como horas-máquina, conservação de estradas, cheque-incentivo para abertura de novas áreas, cursos técnicos e apoio à Agroindústria Familiar, que fornece suco de uva para a merenda escolar.

Perspectivas para o futuro

Para os próximos anos, a expectativa é de manutenção da área cultivada, com alguns produtores investindo em uvas viníferas, que agregam maior valor à produção. Também estão em andamento projetos regionais para implantação de um sistema antigranizo, envolvendo São Marcos e outros municípios da Serra Gaúcha.

Mesmo diante dos desafios climáticos, de custos e de mão de obra, a safra atual reforça a força da viticultura como base econômica e cultural do interior serrano.

“A uva ainda é uma cultura que garante o sustento das famílias e o bem-estar no meio rural. O agricultor segue confiante e apostando na atividade”, resume a presidente do STAF.