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No mês sobre a conscientização da saúde emocional, saiba como a nutrição influencia no bem-estar psicológico

Nutricionista comportamental destaca hábitos alimentares que ajudam a manter o equilíbrio emocional e prevenir transtornos alimentares

Atualizado em 08/01/2026 às 17:01, por Liliane Cioato.

A alimentação pode impactar o equilíbrio físico, emocional e psicológico

O ano começou e neste mês acontece a campanha Janeiro Branco, com foco global na conscientização da saúde mental. Você sabe que não comemos apenas para nutrir o corpo? O equilíbrio mental é uma das principais influências sobre nossas escolhas alimentares, e essa relação funciona como uma via de mão dupla: a alimentação pode impactar o equilíbrio físico, emocional e psicológico, ao mesmo tempo em que as emoções moldam a maneira como comemos e nos relacionamos com a comida.

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Quando falamos sobre a saúde do cérebro, alguns nutrientes desempenham papel fundamental. O ômega-3, presente em peixes, chia e linhaça, contribui para a cognição e prevenção de sintomas depressivos. Vitaminas do complexo B, encontradas em carnes, ovos e laticínios, participam da produção de neurotransmissores, enquanto minerais como magnésio, zinco e ferro favorecem a comunicação entre os neurônios. Já o triptofano, disponível em alimentos como banana, aveia, cacau e leite, é precursor da serotonina, neurotransmissor ligado ao humor e ao bem-estar.

“Quando pensamos em saúde mental como um todo, a qualidade da alimentação também faz diferença. Estudos mostram associação entre o consumo frequente de ultraprocessados e maior risco de sintomas ansiosos e depressivos, enquanto padrões alimentares mais equilibrados parecem reduzir esse risco”, aponta Cleverton Madeira Barbosa, nutricionista especializado em comportamento alimentar e docente da Estácio.
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O profissional ressalta ainda que não existe alimento mágico e que a alimentação, por si só, não é capaz de tratar quadros psiquiátricos. Manter um padrão equilibrado, sem pular refeições, incluindo todos os grupos alimentares e respeitando os sinais de fome e saciedade, auxilia na estabilidade do humor e na manutenção da energia ao longo do dia. “Tão importante quanto o que comemos é a forma como nos relacionamos com a comida. Uma relação positiva com nossa principal fonte de vida é decisiva para a saúde mental”, acrescenta.

A vontade de doces

O desejo por doces, comum a muitas pessoas, pode ter diferentes origens: resposta ao estresse, busca por recompensa imediata, alterações hormonais, dietas restritivas ou simplesmente o prazer natural de saborear um doce. “E está tudo bem, afinal, quem não gosta de um docinho, né? O desafio é diferenciar quando essa vontade faz parte de uma alimentação prazerosa e equilibrada e quando se torna uma forma de lidar com emoções ou situações difíceis”, comenta Barbosa.
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Ele reforça que práticas como jejum prolongado ou dietas restritivas, normalmente associadas ao emagrecimento, não são sustentáveis a longo prazo e podem aumentar a ansiedade e o risco de transtornos alimentares. Nesse contexto, a atuação do nutricionista especializado em comportamento alimentar é essencial: ajudar a identificar gatilhos, diferenciar tipos de fome (física, emocional, social, entre outras), reduzir a culpa em torno da comida e construir estratégias práticas para manter escolhas conscientes. “O foco não está em proibir alimentos, mas em resgatar a autonomia para melhores escolhas, sem abrir mão do prazer de comer, fortalecendo uma relação mais saudável e duradoura com a alimentação”, completa.

Comer consciente
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Uma prática simples e eficaz é o comer consciente: sentar-se com calma, afastar-se das telas, observar as cores, sentir o aroma, mastigar devagar e perceber a textura, os sabores e até as memórias que o alimento desperta. Esse hábito favorece a digestão, aumenta a saciedade e contribui para uma relação mais equilibrada e pacífica com a comida.

“Cuidar da saúde mental nos tempos atuais exige atenção a muitos aspectos da vida, e a alimentação é uma dessas peças fundamentais do quebra-cabeças. Sozinha, ela não substitui terapias ou tratamentos médicos, mas pode oferecer um suporte valioso, especialmente quando integrada a práticas como psicoterapia, atividade física e acompanhamento psiquiátrico. Quando aprendemos a enxergar a alimentação como aliada, e não como vilã, abrimos espaço para um cuidado mais humano, amplo e integrado. E isso, sim, é promover saúde mental por meio da nutrição”, conclui Barbosa.