Natural de São Marcos, onde construiu sua trajetória familiar, profissional e comunitária, faleceu nesta semana Romeu Rech, aos 94 anos, um dos últimos integrantes ainda vivos da Comissão Emancipacionista responsável pela luta que levou São Marcos à independência político-administrativa de Caxias do Sul, oficializada em 1963.
Romeu foi sepultado na manhã deste sábado (9), no Cemitério Municipal de São Marcos, após velório realizado em Caxias do Sul, cidade onde residia atualmente. Conforme levantamento realizado pela reportagem do São Marcos Online junto a registros históricos e historiadores locais, com a morte de Romeu resta vivo apenas Nelson Tomiello entre os integrantes da histórica comissão emancipacionista.
Segundo familiares, Romeu permaneceu lúcido, ativo e com boa saúde até cerca de três meses atrás, quando foi acometido por uma pneumonia. A doença resultou em uma internação de aproximadamente 30 dias em hospital de Caxias do Sul, onde veio a falecer.
“Ele sempre foi muito ativo, participativo e envolvido com a comunidade”, relatou uma das filhas ao São Marcos Online.
Uma vida ligada à comunidade são-marquense
Ao longo da vida, Romeu Rech atuou em diferentes atividades profissionais. Foi caminhoneiro, vendedor e uma figura conhecida pela forte participação comunitária e social.
Familiares recordam ainda o espírito esportivo de Romeu na juventude, período em que participou ativamente de atividades esportivas na cidade.
Seu nome, porém, permanecerá especialmente associado a um dos capítulos mais importantes da história de São Marcos: o movimento emancipacionista.
A luta pela emancipação de São Marcos
A Comissão Emancipacionista foi formada oficialmente em 11 de março de 1962, reunindo lideranças religiosas, políticas, empresariais e comunitárias que defendiam a separação do então distrito de São Marcos de Caxias do Sul.
O movimento culminou no plebiscito de 25 de agosto de 1963, quando a população aprovou a emancipação, posteriormente oficializada pela Lei Estadual nº 4.576, em 9 de outubro daquele ano.
Entre os nomes históricos ligados à comissão estavam Monsenhor Henrique Compagnoni, Manoel Ramos de Castilhos, Carlos Michelon, Napoleão Menegat, Nelson Tomiello e o próprio Romeu Rech.
Os registros históricos apontam que os emancipacionistas defendiam maior autonomia administrativa, investimentos locais e melhores condições de desenvolvimento para São Marcos, numa mobilização que marcou definitivamente a história do município.
Com a morte de Romeu Rech, São Marcos perde mais uma testemunha viva de um dos movimentos mais importantes de sua formação política e comunitária.



