Hemocentro alerta para baixa nos estoques dos tipos O e A e projeta 90 bolsas em coleta em São Marcos
Diretor técnico do HEMOCS, Roque Domingos Lorandi conversou com o São Marcos Online e destaca: Aumento na demanda, queda mundial nas doações e reforça segurança do processo transfusional.
Dr. Roque Domingos Lorandi destaca a importância da doação regular de sangue e alerta para a baixa nos estoques dos tipos O e A na região da Serra Gaúcha. Foto: Arquivo pessoal.
Os estoques de sangue dos tipos O positivo, O negativo e A positivo estão em situação crítica na região da Serra Gaúcha. O alerta é do diretor técnico do Hemocentro Regional de Caxias do Sul (HEMOCS), Dr. Roque Domingos Lorandi, que estará à frente da coleta externa programada para o dia 4 de março, em São Marcos.
Segundo o médico, os tipos O e A são os mais comuns na população e, justamente por isso, apresentam maior rotatividade nos hospitais.
“O tipo O negativo é especialmente importante por ser polivalente. Ele pode ser utilizado em qualquer paciente em situações de emergência. E infelizmente temos observado aumento de acidentes, o que eleva bastante o consumo desse tipo sanguíneo”, explica.
Embora todos os tipos sejam fundamentais, neste momento a maior necessidade concentra-se nos tipos A positivo, O positivo e O negativo.
Meta é atingir 90 bolsas na ação em São Marcos
Nas coletas externas realizadas em municípios da região, o HEMOCS trabalha com a meta padrão de 90 bolsas por ação — objetivo também projetado para São Marcos.
De acordo com Lorandi, o histórico do município é positivo.
“O pessoal de São Marcos é muito colaborativo, altruísta, comparece às campanhas. Geralmente conseguimos atingir a meta.”
Sangue coletado pode salvar vidas em 49 municípios
O HEMOCS atende 49 municípios da macro região da Serra Gaúcha, com 16 agências transfusionais instaladas em hospitais.
Isso significa que o sangue coletado em São Marcos pode ser destinado a qualquer cidade da região, conforme a demanda.
“Quando você doa em São Marcos, pode estar ajudando alguém em Caxias do Sul, Bento Gonçalves, Feliz, Canela, Vacaria ou qualquer outro município da nossa abrangência. Vai para quem necessita.”
Caxias do Sul concentra a maior demanda regional, seguida por Bento Gonçalves.
Queda nas doações é fenômeno mundial
O diretor técnico do HEMOCS também chama atenção para um cenário mais amplo: a redução global no número de doadores.
“Existe um movimento mundial de queda nas doações. Não é apenas aqui. O mundo está mais agitado, as pessoas têm rotinas muito corridas. Depois da pandemia, percebemos também mais receio de sair de casa.”
Segundo ele, a saída para reverter esse quadro passa por conscientização, informação e descentralização das coletas, aproximando o serviço do doador.
“Ir até os municípios facilita a vida das pessoas e também cumpre um papel educativo e de estímulo.”
Segurança é rigorosa e risco é extremamente baixo
Lorandi reforça que o processo de doação é seguro tanto para quem doa quanto para quem recebe.
Antes da coleta, o doador passa por triagem clínica completa, com entrevista e avaliação de sinais vitais, garantindo que esteja apto a doar sem riscos à própria saúde.
“Doar sangue não causa fraqueza, não baixa imunidade, não emagrece e não vicia.”
Para os receptores, o controle é igualmente rigoroso. Os exames laboratoriais utilizam metodologias de alta sensibilidade, continuamente aprimoradas.
“O risco de alguém receber uma transfusão e ter algum problema é extremamente baixo. Muito diferente do que ocorria nas décadas de 1980 e 1990, quando doenças como HIV e hepatite C ainda não eram plenamente conhecidas.”
“Você não doa apenas sangue, doa esperança”
Ao final da entrevista, o diretor deixa um apelo direto à comunidade:
“Quando você doa, não está entregando apenas sangue. Está oferecendo esperança, força e vida para quem enfrenta cirurgias, tratamentos ou situações de emergência. É um dos maiores atos de altruísmo que existem.”
E conclui:
“Venha fazer parte dessa corrente do bem que salva vidas.”












