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“Eu não tenho mais plano”: casal que perdeu a casa em deslizamento busca ajuda para recomeçar em São Marcos

Realocado e acompanhado pelo CRAS após perder a residência e grande parte dos pertences, casal recebe doações pelo PIX 54996318618, em nome de Rosa Macedo de Lima.

Miguel e Rosa, casal de idosos que perdeu a casa em deslizamento, durante entrevista ao São Marcos Online.
Miguel Arcanjo Ferreira de Lima, 66 anos, e Rosa Macedo de Lima, 65, relatam ao São Marcos Online os momentos vividos durante o deslizamento que destruiu a casa do casal em São Marcos e os desafios enfrentados para recomeçar. Foto: São Marcos Online.

Quando Miguel Arcanjo Ferreira de Lima, 66 anos, percebeu que a situação estava ficando fora de controle, ele e a esposa, Rosa Macedo de Lima, 65, estavam dentro da própria casa tentando retirar a água que começava a invadir os cômodos.

Era durante a intensa chuva que atingiu São Marcos, em 21 de setembro. Miguel retirava a água com um rodo enquanto Rosa fazia o mesmo do outro lado da casa. A cada trovão, segundo ele, pedras desciam do barranco localizado nos fundos da residência.

Até que veio um barulho diferente.

“Eu só vi um barulho assim atrás de mim. Veio a geladeira”, lembra Miguel.

O eletrodoméstico atingiu suas costas e o jogou para longe. Quando percebeu o que havia acontecido, ele estava com as pernas presas entre os destroços e pedia socorro.

Rosa também foi atingida pela movimentação da estrutura. Ela conta que estava dentro da casa e, quando percebeu, já estava na beira da rua, sob a cobertura da residência.

“Eu não sei te dizer que jeito. Não dá tempo de nada”, relata.

Presa entre madeiras, ela conseguia enxergar o marido, mas não conseguia gritar por socorro. Os bombeiros posteriormente constataram que ela estava em estado de choque.

Miguel sofreu uma fratura em um dos ossos da perna. Foi submetido a cirurgia e está com a estrutura fixada por parafusos. Segundo ele, a recuperação evolui bem, mas ainda sente dores e tem nova avaliação médica marcada para segunda-feira (5).

A casa que representava um recomeço

A destruição tem um peso ainda maior para o casal porque aquela casa representava a realização de um projeto construído durante anos.

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Naturais de Bom Jesus, Miguel e Rosa chegaram a São Marcos em busca de trabalho. Miguel veio em 2007 para trabalhar com caminhão e posteriormente atuou durante anos na construção civil. Rosa trabalhou em empresas e também como cuidadora.

Depois de se aposentar, Miguel começou a juntar dinheiro para deixar o aluguel.

Segundo ele, recebeu cerca de R$ 57 mil referentes a valores atrasados da aposentadoria e decidiu investir na construção da própria casa. O terreno já havia sido adquirido.

A residência tinha pouco mais de um ano, mas o casal havia se mudado para o local havia apenas cerca de dois meses.

“Eu falei: ‘vou fazer uma casinha pra sair do aluguel’”, conta.

Agora, o que deveria representar estabilidade virou uma dívida e uma casa destruída.

Miguel relata que precisou contratar dois empréstimos bancários, de aproximadamente R$ 16 mil e R$ 20 mil, e continua pagando as parcelas mesmo sem ter mais a residência.

“Estou pagando sem ter a casa”, resume.

Quase tudo foi perdido

“Eu não tenho mais plano”: casal que perdeu a casa em deslizamento busca ajuda para recomeçar em São Marcos

O deslizamento destruiu praticamente toda a parte construída da residência. Segundo o casal, paredes, banheiro, móveis e grande parte dos pertences ficaram soterrados ou foram danificados.

Entre os objetos perdidos está uma máquina de costura utilizada por Rosa, avaliada pelo casal em cerca de R$ 6,5 mil.

Alguns pertences, entretanto, foram recuperados. Roupas, roupas de cama e pequenos utensílios conseguiram ser salvos. A geladeira que atingiu Miguel ficou amassada, mas continua funcionando.

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Atualmente, parte dos móveis utilizados pelo casal é emprestada.

Assistência Social acompanha o casal

Procurada pelo São Marcos Online, a Secretaria de Assistência Social, Trabalho e Habitação informou que Miguel e Rosa estão sendo acompanhados pela equipe técnica do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS).

Segundo a pasta, o casal foi realocado em um imóvel e recebeu orientação sobre os Benefícios Eventuais ofertados pelo Município.

Também houve o deferimento de Aluguel Temporário, medida que garante apoio para a moradia neste período de emergência.

O acompanhamento ocorre enquanto o casal tenta reorganizar a vida depois da perda da residência.

“Eu não tenho nem plano de construir mais”

Apesar da assistência recebida, Miguel afirma que não consegue pensar, neste momento, em reconstruir a casa.

Segundo ele, continuam as parcelas dos empréstimos contraídos para a construção da residência. O casal, ambos aposentados, também precisa lidar com os danos materiais provocados pelo deslizamento.

“Eu não tenho nem plano de construir mais”, afirma.

A frase resume a dimensão da perda para quem havia trabalhado durante anos para finalmente deixar o aluguel.

O trauma continua

Além da perda material, Miguel e Rosa ainda convivem com as consequências emocionais do episódio.

Miguel conta que, enquanto estava preso entre os destroços, conseguia observar pedras descendo do barranco e temia que a própria casa viesse abaixo sobre ele.

Dias depois, uma situação aparentemente banal trouxe novamente a lembrança do deslizamento.

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“Ontem de noite fui trocar aquela lâmpada ali. Quando eu ergui a cabeça pra olhar pra cima, eu vi tudo aquilo de novo”, relata. Segundo ele, acabou caindo sobre uma cadeira.

Rosa também ainda tem dificuldade para falar sobre o momento. Durante a entrevista, ela relata não conseguir explicar como foi parar fora da casa e lembra que ficou sem conseguir pedir socorro.

Campanha busca ajudar o casal

Diante das perdas, familiares e pessoas próximas iniciaram uma campanha de solidariedade para ajudar Miguel e Rosa a reconstruírem a vida.

O material divulgado pela família informa que o casal perdeu a casa e grande parte dos pertences e pede contribuições de qualquer valor.

A campanha utiliza o seguinte PIX:

Chave PIX: 54996318618

Nome: Rosa Macedo de Lima

Além das doações, a família pede que a campanha seja compartilhada por quem não puder contribuir financeiramente.

Para Miguel e Rosa, o desafio agora é reconstruir, aos poucos, aquilo que foi levado pelo deslizamento. A casa que levou anos para ser construída desapareceu em poucos minutos. O recomeço, desta vez, dependerá da combinação entre a assistência pública e a solidariedade da comunidade.

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