A Escola Municipal Dom José Baréa, localizada na comunidade de Linha Edith, em São Marcos, passará a desenvolver, de forma gradativa, a partir de 2027, uma proposta de Escola do Campo de Tempo Integral. O anúncio foi feito neste sábado (14) à comunidade escolar pela secretária municipal de Educação, Elemara Borghetti, durante um encontro realizado após a Festa da Família, promovida pela instituição.
Uma das primeiras medidas para viabilizar o projeto foi a aquisição, pelo município, do terreno localizado em frente à escola, incluindo uma casa e um galpão, que passarão a ser utilizados pela comunidade escolar. A ampliação da área deverá contribuir para a implantação das novas atividades previstas para a instituição.
Segundo Elemara, a proposta foi construída a partir da avaliação das características da comunidade e de demandas relacionadas à educação no meio rural. A ideia, conforme a secretária, não é transformar a escola em uma escola técnica agrícola, mas desenvolver uma proposta própria de educação do campo, aproveitando a identidade e as potencialidades da região.
A implantação do tempo integral começará com as crianças da pré-escola e do 1º ano, mediante a formação de grupos de famílias interessadas. A adesão será opcional para os pais ou responsáveis.
Os estudantes que optarem pelo tempo integral permanecerão na escola durante todo o dia e participarão, no contraturno, de oficinas e atividades diferenciadas, organizadas de acordo com a faixa etária e os interesses das crianças. Para os alunos maiores, também estão previstas oficinas periódicas.
Tecnologia e conhecimento para o campo
Entre os eixos planejados está a aproximação dos estudantes com a tecnologia e suas possibilidades de aplicação no meio rural.
Uma das oficinas já em desenvolvimento trabalha, por exemplo, com o uso do celular para atividades relacionadas à comunicação e divulgação de produtos. A proposta é ensinar os estudantes a identificar quais ferramentas e redes podem ser utilizadas, como produzir uma publicação e como avaliar a melhor forma de apresentar um produto ou trabalho.
A intenção é ampliar esse contato com a inovação e a tecnologia aplicada à agricultura, preparando os alunos para compreender novas possibilidades e os desafios do campo.
Cozinha para resgatar saberes e tradições
Outro espaço que deverá ganhar destaque é a cozinha da escola. Por meio de uma parceria com o Sicredi, a instituição conquistou uma cozinha completa, que será utilizada para oficinas de culinária.
A proposta é trabalhar receitas e conhecimentos relacionados à alimentação tradicional da comunidade, incluindo o preparo de massas, pães, biscoitos, polenta, carnes de panela, molhos e outros pratos associados à culinária local.
Além do aprendizado culinário, a iniciativa busca aproximar os estudantes dos conhecimentos transmitidos entre gerações e valorizar os costumes da comunidade.
O projeto também prevê ações voltadas à preservação do Talian, língua de origem italiana presente na formação cultural da região, juntamente com outras manifestações e tradições locais.
Escola aberta à comunidade
A proposta não deverá ficar restrita aos alunos. Conforme a Secretaria de Educação, o projeto pretende envolver também as famílias e a comunidade da região.
Estão previstas parcerias com instituições como a Emater, o Clube de Mães da localidade e o Senar, entre outras entidades que possam contribuir com cursos, formações e atividades.
A intenção é transformar os espaços da escola em um ponto de encontro para atividades educativas e comunitárias, ampliando o papel da instituição para além da sala de aula.
Por que não uma escola técnica agrícola?
A possibilidade de implantação de uma escola técnica agrícola chegou a ser analisada pelo município, segundo Elemara. A Secretaria afirma ter ouvido pessoas interessadas na proposta, mas avaliou que já existe uma instituição com essa característica em Caxias do Sul.
Atualmente, estudantes de São Marcos interessados nesse tipo de formação têm acesso ao transporte para frequentar a escola agrícola em Caxias do Sul. Diante disso, o município optou por trabalhar outra perspectiva: fortalecer a Dom José Baréa como uma Escola do Campo, com uma proposta construída a partir da realidade da própria comunidade.
Projeto será implantado gradualmente
A secretária destaca que o projeto não será colocado em prática de uma única vez. A proposta é de construção gradual e de longo prazo.
O primeiro passo será a implantação do tempo integral em 2027 para a pré-escola e o 1º ano, conforme a adesão das famílias. Paralelamente, as oficinas para os estudantes maiores deverão ocorrer periodicamente ao longo do ano.
A expectativa da Secretaria de Educação é que, com a ampliação das atividades, das parcerias e da utilização dos novos espaços, a Escola Dom José Baréa se consolide como uma referência em educação do campo no município.
A proposta parte de uma combinação entre tradição e inovação: de um lado, o resgate da culinária, do Talian, dos costumes e dos conhecimentos da comunidade; de outro, o contato com tecnologia, comunicação e novas possibilidades relacionadas à agricultura.
Para a Secretaria de Educação, o objetivo é construir uma escola que mantenha o vínculo com suas raízes, fortaleça o sentimento de pertencimento da comunidade e, ao mesmo tempo, prepare os estudantes para as transformações e oportunidades do futuro.



