A comunidade São Judas Tadeu, do bairro Francisco Doncatto, em São Marcos, celebra neste mês sete décadas de história. Com o tema “70 anos de fé, comunhão e esperança: uma história construída por muitas mãos”, a programação comemorativa teve início na quinta-feira (10) e segue até domingo (13), quando será realizada a festa em homenagem ao padroeiro.
A programação foi construída a partir de três eixos — honrar o passado, celebrar o presente e inspirar o futuro —, buscando não apenas marcar a data, mas também recuperar a trajetória de uma comunidade construída ao longo de gerações.
À frente da organização está, entre outros integrantes, Angela Maria Stedile Michelon, coordenadora da liturgia e integrante da equipe responsável pelas comemorações. Ela vem reunindo documentos, fotografias e relatos para preservar a memória da comunidade.
“As pessoas não registram quase nada”, relata Angela, que já reuniu seis álbuns com fotografias e documentos históricos e pretende organizar esse material para que a história permaneça registrada.
Uma história que começou em 1956

A origem da comunidade está ligada à formação do loteamento Tapejara. Segundo o levantamento histórico realizado pela própria comunidade, os irmãos Doncatto, proprietários do loteamento, doaram dois terrenos à Mitra para a construção de uma igreja e de um salão.
Na época, um pequeno grupo de moradores começou a se mobilizar. Entre os primeiros moradores estão Martinho Soldatelli, Angelo Taufer, Leron Dutra, Valdomiro Boff e Teodoro Sandi.
Também tiveram participação importante o casal Adolfo e Irene de Lorenzi, de Porto Alegre, que havia adquirido um terreno na região para passar temporadas em São Marcos. Os encontros entre essas famílias e os moradores ajudaram a formar o núcleo que posteriormente daria origem à comunidade.
A primeira festa foi realizada em 1959. Na sequência, foram construídos a primeira igreja e o primeiro salão, ambos com forte participação dos próprios moradores.
A antiga igreja, construída por volta de 1960, teve como carpinteiro responsável Angelo Taufer, com auxílio de Angelo Fabro, Adelino Dal Zotto, João Fochesatto e Getúlio Soldatelli.
Igreja e salão construídos em mutirão

O crescimento da comunidade levou à necessidade de novas estruturas. No final da década de 1970, começaram as discussões para a construção de uma nova igreja.
Em 30 de janeiro de 1980, foi apresentada a planta elaborada pelo arquiteto Angelo Guizzo Neto. A obra foi realizada em regime de mutirão, principalmente aos sábados e domingos, com moradores contribuindo com seu próprio trabalho.
A nova igreja foi inaugurada em 1982. No ano seguinte, foram inauguradas as obras produzidas pelo padre e pintor Jairo Grison, incluindo a Via-Sacra e outros quadros que permanecem como parte do patrimônio artístico do templo.
O atual salão também nasceu do esforço coletivo. A planta teve despacho em março de 1984 e a inauguração ocorreu em 22 de dezembro de 1985, novamente com participação da comunidade em mutirão.
Ao longo das décadas, diferentes diretorias deram continuidade ao trabalho. Atualmente, a comunidade está em sua 31ª diretoria.
Memória reunida para os 70 anos
Para marcar a comemoração, uma exposição com uma linha do tempo da comunidade está sendo organizada no salão. Fotografias e outros registros também integram o material preparado para a celebração.
A iniciativa procura recuperar não apenas datas e nomes, mas a participação das famílias que ajudaram a construir os espaços físicos e a manter a vida comunitária.
A comunidade também registra visitas importantes ao longo de sua história, entre elas a do bispo Dom Nei Paulo Moretto, em junho de 1979, além de missões realizadas em 2010 e visitas pastorais de Dom Alessandro em 2016 e 2017.
Atualmente, além das missas e celebrações, a comunidade mantém atividades como o grupo de oração realizado nas tardes de terça-feira.
Tríduo prepara a comunidade para a festa

O tríduo começou na quinta-feira (10), com o primeiro momento dedicado a “Honrar o passado”, tendo como reflexão a memória e a trajetória construída ao longo dos anos. O padre Severino Craco, trazido da região litorânea especialmente para a programação, participa dos três dias de preparação e conduziu a bênção da saúde.
Nesta sexta-feira (11), o tema é “Celebrar o presente”, com bênção especial às pessoas que trabalham na comunidade. A programação inclui palestra com Frei Jaime Bettega, às 20h, seguida de tortelada em comemoração aos 70 anos, às 20h30, com som de Rogério dos Passos.
No sábado (12), o terceiro dia terá como tema “Inspirar o futuro”, com a mensagem de que “o futuro começa agora”. A programação prevê a bênção dos catequizandos e o plantio de uma árvore, acompanhado do descerramento de uma placa comemorativa aos 70 anos.
A programação culmina no domingo (13), data da festa de São Judas Tadeu. O dia terá missa festiva, apresentação dos novos festeiros e almoço tradicional com sorteio do rifão, reunindo moradores, famílias e pessoas que participaram da trajetória da comunidade.
Para Angela, a comemoração representa mais do que uma festa religiosa.
É uma oportunidade de olhar para o que foi construído, reconhecer quem ajudou a manter a comunidade ao longo de sete décadas e deixar registrada essa história para as próximas gerações.
Serviço
Festa em louvor a São Judas Tadeu – 70 anos da comunidade
Local: Bairro Francisco Doncatto – São Marcos
Festa: domingo, 13 de setembro de 2026
Tríduo: 10, 11 e 12 de setembro, às 19h
Programação de domingo: missa festiva, apresentação dos novos festeiros e almoço tradicional com sorteio do rifão.
Tema: “70 anos de fé, comunhão e esperança: uma história construída por muitas mãos.”



