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Combustíveis em alta, investigação da PF e risco de greve: tensão cresce nas estradas do país

Aumento do diesel pressiona setor de transporte, leva Polícia Federal a investigar possíveis abusos e reacende mobilização de caminhoneiros por paralisação nacional

Atualizado em 18/03/2026 às 08:03, por Angelo Batecini.

Caminhoneiros concentrados às margens da BR-116, em São Marcos, durante paralisação, com caminhões estacionados e faixa pedindo mobilização e redução no preço do diesel.

Registro de 2021 mostra mobilização de caminhoneiros em São Marcos, às margens da BR-116, em meio à alta dos combustíveis — cenário semelhante ao que motivou paralisações e ameaças de greve em diferentes momentos no país. Foto: São Marcos Online / Arquivo.

O aumento recente no preço dos combustíveis, especialmente do diesel, desencadeou uma reação em cadeia no Brasil: investigação federal, pressão sobre o mercado e a ameaça concreta de uma nova greve nacional dos caminhoneiros.

Na noite de terça-feira (17), o Ministério da Justiça confirmou a abertura de um inquérito pela Polícia Federal para apurar possíveis práticas abusivas na elevação dos preços. A medida integra uma força-tarefa nacional com participação de Procons, Agência Nacional do Petróleo (ANP) e órgãos de segurança estaduais.

Segundo o governo, já foram fiscalizados centenas de postos e distribuidoras em diversos estados, com indícios de aumentos sem justificativa — em alguns casos, superiores a R$ 2 por litro mesmo sem reposição de estoque. A ANP poderá aplicar multas que chegam a R$ 500 milhões em situações mais graves.

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Pressão nas bombas e impacto direto nas estradas

A escalada nos preços ocorre em um cenário internacional conturbado, com reflexos diretos no Brasil. O diesel chegou a patamares próximos de R$ 6,80 em algumas regiões, acumulando alta significativa nas últimas semanas.

Mesmo com medidas anunciadas pelo governo federal — como redução de tributos e subsídios — reajustes posteriores acabaram anulando parte do alívio esperado, aumentando a insatisfação da categoria.

Para os caminhoneiros, o cenário é considerado insustentável. O combustível representa um dos principais custos da atividade, e o aumento impacta diretamente o frete, a margem de lucro e a viabilidade do trabalho, especialmente para autônomos.

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Greve nacional entra no radar

Diante desse contexto, lideranças do setor já articulam uma paralisação nacional. A mobilização envolve caminhoneiros autônomos, cooperativas e entidades de transporte em diferentes regiões do país.

Há indicativos de que a greve pode ocorrer ainda nesta semana, embora a data definitiva dependa de alinhamentos entre lideranças e entidades representativas.

Estados do Sul, incluindo o Rio Grande do Sul, aparecem como pontos de maior mobilização até o momento.

As principais reivindicações incluem:

  • revisão dos valores de frete;
  • cumprimento do piso mínimo da categoria;
  • medidas efetivas para conter o preço do diesel;
  • redução de custos operacionais, como pedágios.

Fantasma de 2018 volta ao debate

A possibilidade de uma paralisação nacional reacende lembranças da crise de 2018, quando uma greve de caminhoneiros paralisou o país, provocando desabastecimento, alta de preços e impactos bilionários na economia.

Naquele episódio, rodovias bloqueadas interromperam cadeias de distribuição de combustíveis, alimentos e medicamentos, evidenciando a dependência logística do transporte rodoviário no Brasil.

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Cenário de incerteza

O governo tenta, simultaneamente, conter abusos no mercado e abrir diálogo com a categoria para evitar uma paralisação de grandes proporções. Ainda assim, o ambiente é de instabilidade.

Com preços pressionados, fiscalização intensificada e mobilização crescente nas estradas, o Brasil entra em um momento sensível — em que qualquer ruptura logística pode gerar efeitos imediatos no abastecimento e na economia.

Para consumidores e empresas, o sinal de alerta já está ligado.