Após vídeo com queixa de demora em atendimento, SMO apura versão de socorristas, participantes e poder público
Laçador foi atendido pelo SAMU e liberado sem ferimentos graves; município afirma que equipe estava de plantão e atendimento foi ágil, mas responsabilidade por ambulância é da organização do evento.
Ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU 192) realiza atendimento dentro da cancha de laço após acionamento às 10h47; vítima foi encaminhada ao hospital e liberada sem ferimentos graves. Foto do leitor.
O envio de um vídeo à redação do São Marcos Online levantou questionamentos sobre possível demora no atendimento a um laçador durante torneio realizado na cancha do Parque Municipal. Nas imagens, há reclamações quanto à ausência de ambulância no local e suposta lentidão no socorro.
Diante da repercussão entre leitores, o SMO buscou informações oficiais junto aos socorristas envolvidos, testemunhas, organização e representantes do poder público.
O que dizem os socorristas do SAMU
Segundo relato de integrantes do atendimento do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), o chamado foi registrado às 10h47.
“A gente foi acionado 10h47, 10h50 nós estava dentro da cancha de laço. Não sei se foi ligado para outros números, lá para nós ninguém falou nada, inclusive quem nos entregou o paciente foi o doutor Samuel e o Amaro, nosso colega. Não sei se houve demora, mas 10h47 tocou o smart, 10h50 nós estávamos dentro da cancha. 11h10 eu já estava de volta na base em QAP”, relatou um dos socorristas.
De acordo com o registro informado, o tempo entre o acionamento e a chegada foi de aproximadamente três minutos.
Testemunha que acionou o socorro nega demora
Uma das testemunhas, que participava do torneio e também atua como socorrista do SAMU (Amaro), afirmou ter sido o responsável por confirmar o chamado.
“Fui eu sim que chamei. Não, não demorou nada. Até eu demorei um pouquinho para ligar, porque disseram que já tinham chamado. Eu quis conferir, mas já escutei a sirene.”
Segundo apurado, além dele, o médico ortopedista são-marquense, Samuel Pante, que também estava laçando no momento realizou o primeiro atendimento à vítima, ajudando a estabilizá-la até a chegada da equipe móvel.
Estado de saúde do laçador
A vítima foi atendida no local, encaminhada ao hospital para avaliação médica e liberada na sequência, sem registro de ferimentos graves.
Prefeitura se manifesta sobre responsabilidade
O secretário de Cultura da Prefeitura Municipal de São Marcos, Vinícius Pedroso Soares, esclareceu que o município disponibiliza o espaço público, mas que a responsabilidade estrutural do evento é da entidade organizadora.
“Nós enquanto secretaria fizemos o termo de responsabilidade pelo espaço público, no caso a cancha de laço. Todo o restante é de extrema responsabilidade da organização, no caso o piquete que está fazendo o torneio. A prefeitura não tem nada que ver lá. Eles têm que ir atrás de alugar uma unidade móvel ou solicitar apoio da Secretaria da Saúde via ofício.”
Saúde explica limitação para ambulância fixa em eventos
A secretária adjunta de Saúde, Marines de Araújo, explicou que entidades podem solicitar apoio formalmente, mas que a demanda atual impede a permanência integral de ambulância em eventos.
“As entidades solicitam através de ofício o apoio de ambulância. Nosso setor de transporte responde com os números de contato do SAMU e do plantão da ambulância, em caso de necessidade. Estamos com grande demanda e por este motivo não conseguimos deixar em tempo integral nos eventos.”
Ela detalhou que o município enfrenta:
- Curativos domiciliares em volume elevado;
- Solicitações de altas hospitalares, inclusive fora do município;
- Deslocamentos a hospitais regionais;
- Transporte de sangue e hemocomponentes em Caxias do Sul.
O que motivou a queixa
O vídeo enviado à redação expressava indignação quanto à ausência de ambulância posicionada previamente no local do torneio. A crítica central não foi apenas sobre o tempo de chegada após o chamado, mas sobre a inexistência de estrutura fixa de suporte durante o evento.
A apuração do SMO indica que:
- O SAMU foi acionado às 10h47;
- Chegou por volta de 10h50;
- O paciente já havia recebido primeiros atendimentos;
- Não houve registro de agravamento clínico;
- A vítima foi liberada após avaliação hospitalar.
Questão que permanece
O episódio levanta debate recorrente:
Eventos com risco potencial, como torneios de laço, devem contar obrigatoriamente com ambulância fixa no local?
Atualmente, conforme esclarecido pelo município, a responsabilidade pela contratação de unidade móvel é da organização do evento, salvo solicitação formal e disponibilidade da rede pública.












