O Aeroporto Regional da Serra Gaúcha, previsto para Vila Oliva, em Caxias do Sul, avançou mais uma etapa em setembro. A empresa líder do consórcio responsável pela primeira fase do empreendimento entregou ao município a documentação que será encaminhada à Secretaria de Aviação Civil (SAC), do Ministério de Portos e Aeroportos, e apresentou um novo cronograma para a execução das obras.
O movimento aproxima o projeto de um dos principais marcos aguardados desde a assinatura do contrato: a análise federal e, posteriormente, a emissão da ordem de serviço para o início efetivo da primeira etapa.
O consórcio prevê 30 meses de execução para essa fase. A etapa contratada corresponde ao chamado Lado Ar, que contempla a infraestrutura necessária para a operação aeroportuária, incluindo terraplenagem, pista de pouso e decolagem, pistas de táxi, pátio de aeronaves e estacionamento.
A documentação entregue em setembro ainda não significa que a obra tenha começado. O próximo passo é a análise pela Secretaria de Aviação Civil. A Prefeitura de Caxias do Sul também vem mantendo tratativas com o Governo Federal para o andamento do empreendimento.
Um aeroporto que interessa a toda a Serra
Embora localizado em Caxias do Sul, o projeto tem caráter regional. A sua implantação poderá reduzir a dependência da Serra Gaúcha em relação ao Aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre, especialmente para passageiros que hoje precisam percorrer uma distância considerável para acessar voos comerciais.
O impacto potencial não se limita aos passageiros. Um aeroporto regional com capacidade para receber voos comerciais amplia a conexão da Serra com outros centros econômicos e turísticos e pode facilitar a circulação de empresários, profissionais, visitantes e cargas.
Para uma região marcada pela presença de indústria, comércio, serviços, turismo e produção agropecuária, a melhoria da conectividade aérea pode representar uma vantagem competitiva na atração de negócios e na expansão das atividades já existentes.
O que isso pode representar para São Marcos
Para São Marcos, a discussão ganha uma dimensão própria.
O município está inserido na Serra Gaúcha e mantém relações econômicas e de serviços com diferentes cidades da região, especialmente Caxias do Sul. A proximidade relativa com Vila Oliva coloca o futuro aeroporto como uma possível alternativa regional para deslocamentos que hoje exigem viagens terrestres até outros aeroportos.
Na prática, isso poderá significar mais uma opção de acesso ao transporte aéreo para moradores e empresas de São Marcos, desde que sejam estruturados acessos rodoviários eficientes e uma oferta de voos compatível com a demanda regional.
Para as empresas locais, o benefício potencial está principalmente na conectividade. São Marcos possui atividades industriais, comerciais e de serviços que dependem de relações com fornecedores, clientes e parceiros de outras regiões do Estado e do país. Um aeroporto mais próximo pode reduzir tempo de deslocamento em determinadas viagens e tornar a região mais acessível para negócios.
O efeito também pode alcançar o turismo.
São Marcos possui atrativos ligados ao turismo rural, à gastronomia, à cultura, às tradições gaúchas e aos eventos. Uma conexão aérea mais próxima não significa automaticamente aumento de visitantes, mas pode criar uma infraestrutura adicional para que municípios menores da Serra sejam integrados às rotas de turistas que chegam à região.
Nesse cenário, o aeroporto pode ser entendido menos como um equipamento isolado e mais como uma porta de entrada para um território turístico e econômico maior.
Acesso será tão importante quanto o aeroporto
Para São Marcos e os demais municípios localizados fora de Caxias, entretanto, existe uma questão decisiva: como chegar ao aeroporto.
A implantação da pista e das demais estruturas aeroportuárias precisa ser acompanhada pela melhoria da infraestrutura rodoviária regional. Estudos e discussões envolvendo novos acessos ao aeroporto já estão em andamento, incluindo alternativas de ligação com diferentes áreas da Serra.
Esse aspecto será determinante para medir o benefício real do empreendimento para municípios como São Marcos.
Um aeroporto regional somente cumpre plenamente sua função quando consegue conectar passageiros e cargas ao território que pretende atender. Por isso, o desenvolvimento dos acessos deve ser acompanhado com a mesma atenção dedicada à construção da pista.
Uma oportunidade que depende de planejamento regional
A nova etapa do projeto também coloca uma questão para os municípios da Serra: como cada cidade pretende se posicionar diante da chegada de uma nova infraestrutura de transporte?
Para São Marcos, isso envolve discutir não apenas como utilizar o aeroporto, mas como aproveitar a melhoria da conectividade para fortalecer empresas, ampliar a atração de visitantes, facilitar a chegada de investidores e integrar o município às estratégias regionais de desenvolvimento.
A construção do aeroporto ainda tem um caminho pela frente. A documentação entregue em setembro precisa ser analisada pelo Governo Federal e a primeira etapa depende da emissão da ordem de serviço.
Mas o projeto já deixou de ser apenas uma proposta de longo prazo. Com contrato assinado, consórcio definido e cronograma apresentado, o Aeroporto Regional da Serra Gaúcha entra em uma fase em que os próximos passos poderão ser acompanhados de maneira mais concreta.
Para São Marcos, o desafio será transformar a proximidade geográfica em conectividade efetiva, acompanhando as obras, os acessos e, posteriormente, a definição das rotas e da operação comercial.



