30 anos sem os Mamonas: o show histórico na Festa da Uva que antecedeu a tragédia
Apresentação histórica dos Mamonas Assassinas na Festa da Uva, em 29 de fevereiro de 1996, ocorreu três dias antes do acidente aéreo que chocou o Brasil; três décadas depois, a memória do show na Serra Gaúcha ganha novo significado em meio à edição de 2026 do evento.
Show dos Mamonas Assassinas em 1996, período em que a banda vivia o auge da carreira e se apresentava em grandes eventos pelo país, incluindo a Festa da Uva, em Caxias do Sul, poucos dias antes da tragédia de 2 de março. Foto: Divulgação.
2 de março de 2026 marca três décadas da morte dos integrantes dos Mamonas Assassinas, um dos maiores fenômenos da música brasileira dos anos 1990. A data coincide com a realização de mais uma edição da tradicional Festa da Uva, em Caxias do Sul, palco de um dos últimos shows da banda antes da tragédia que comoveu o país.
O show de 29 de fevereiro de 1996
No dia 29 de fevereiro de 1996, os Mamonas subiram ao palco da Festa da Uva em meio ao auge absoluto da carreira. O grupo vivia uma rotina intensa de apresentações, com agenda lotada, aparições em programas de TV e uma popularidade que atravessava gerações.
Relatos da época descrevem um parque lotado, público cantando em coro sucessos como “Pelados em Santos”, “Vira-Vira” e “Robocop Gay”, além do humor irreverente que transformava cada show em um espetáculo performático. A energia era de consagração: a banda, formada por jovens músicos de Guarulhos (SP), havia se tornado um fenômeno nacional em poucos meses.
A apresentação em Caxias do Sul entrou para a memória afetiva de muitos gaúchos como a última vez que viram o grupo ao vivo no Estado.
A cronologia até a tragédia
Após a passagem pela Serra Gaúcha, a banda seguiu cumprindo compromissos da turnê. Na noite de 2 de março de 1996, depois de um show em Brasília, os Mamonas embarcaram em um Learjet 25D com destino a São Paulo.
Durante a aproximação para pouso no Aeroporto Internacional de Guarulhos, a aeronave colidiu com a Serra da Cantareira. Morreram os cinco integrantes, Dinho, Bento Hinoto, Júlio Rasec, Sérgio Reoli e Samuel Reoli, além do comandante, copiloto e um segurança.
O impacto da notícia foi imediato. O Brasil amanheceu em choque. Multidões acompanharam o velório coletivo em Guarulhos, transmitido ao vivo pelas emissoras de televisão. A comoção nacional consolidou o grupo como um marco cultural dos anos 1990.
30 anos depois: memória viva na Festa da Uva
Em 2026, enquanto a Festa da Uva volta a movimentar Caxias do Sul com shows, gastronomia e celebração da cultura italiana na Serra, a lembrança daquele 29 de fevereiro de 1996 ganha peso simbólico.
A coincidência de datas, o aniversário de 30 anos da tragédia ocorrendo durante o período festivo, reforça a dimensão histórica do momento. Para muitos que estavam no parque naquela noite, o show dos Mamonas não foi apenas entretenimento: foi um recorte de uma geração, congelado no tempo dias antes de uma despedida abrupta.
Um legado que ultrapassa gerações
Mesmo com apenas um álbum de estúdio lançado, os Mamonas Assassinas venderam milhões de cópias, romperam barreiras de linguagem, ironizaram estilos musicais e provaram que humor e técnica podiam coexistir no palco.
Três décadas depois, suas músicas seguem presentes em playlists, festas temáticas e produções audiovisuais que recontam sua trajetória. O fenômeno permanece como estudo de caso na indústria cultural brasileira: ascensão meteórica, exposição massiva e impacto duradouro.
Na Serra Gaúcha, a memória do show na Festa da Uva permanece como um capítulo singular dessa história, uma noite de riso e irreverência que antecedeu uma das maiores tragédias da música nacional.











