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Prefeito e vice de São Marcos têm um dos salários mais altos da Serra

Em Live no Dia do Servidor, funcionários públicos reivindicaram valorização e apontaram disparidade salarial na prefeitura entre concursados e cargos eletivos. Gasto com pessoal compromete gestão fiscal de São Marcos no Índice Firjan. Confira na segunda reportagem da série ‘Dinheiro Público é da sua Conta’

O prefeito e vice de São Marcos têm um dos mais altos salários da Serra Gaúcha. Seus rendimentos mensais são semelhantes aos de Caxias e, no caso do prefeito, maior que o de Porto Alegre. É o que mostra levantamento comparativo feito com base nos dados disponíveis nos Portais Transparências.

Conforme apurado, o chefe do Executivo são-marquense recebe praticamente o mesmo valor que o de Caxias do Sul: R$ 21 mil. O rendimento é ligeiramente superior ao de Flores da Cunha (R$ 20 mil) e bastante maior que o de Antônio Prado (R$ 16 mil). Já o vice-prefeito de São Marcos (salário de R$ 10,2 mil) ganha menos que o de Caxias (R$ 15 mil) e mais que os vices de Flores (R$ 9,4 mil) e Antônio Prado (R$ 8,1 mil).

Os rendimentos mensais dos chefes do Executivo são-marquense também superam os pagos em Vacaria. Na comparação com Bento Gonçalves, o prefeito de São Marcos ganha mais e o vice, menos. E no comparativo com Farroupilha, município que paga o maior salário da Serra a seu chefe do Executivo, o prefeito de São Marcos ganha menos e o vice, mais.

Além de receber mais que o da capital, o prefeito de São Marcos também tem salário mais elevado que o de uma das maiores cidades gaúchas: Pelotas. Só recebe menos que os de Canoas e Santa Maria, municípios que pagam os mais altos salários de prefeito e vice no RS.

São Marcos
Prefeito: R$ 21,1 mil
Vice: R$ 10,2 mil
Vereador: R$ 3,7 mil
Secretário: R$ 6,8 mil

Flores da Cunha
Prefeito: R$ 20 mil
Vice: R$ 9,4 mil
Vereador: R$ 3,9 mil
Secretário: R$ 10,3 mil

Antônio Prado
Prefeito: R$ 16 mil
Vice: R$ 8,1 mil
Vereador: R$ 3,2 mil
Secretário: R$ 6,5 mil

Caxias do Sul
Prefeito: R$ 21,5 mil
Vice: R$ 15 mil
Vereador: R$ 10,6 mil
Secretário: 13,4 mil

Vacaria
Prefeito: R$ 17,2 mil
Vice-prefeito: R$ 9,1 mil
Vereador: R$ 8,6 mil
Secretário: R$ 9,1 mil

Bento Gonçalves
Prefeito: R$ 18,5 mil
Vice: R$ 13 mil
Vereador: R$ 9,2 mil
Secretário: R$ 9,2 mil

Farroupilha
Prefeito: R$ 25,5 mil
Vice: R$ 9,2 mil
Vereador: R$ 6,2 mil
Secretário: R$ 12,7 mil

Porto Alegre
Prefeito: R$ 19,4 mil
Vice: R$ 12,9 mil
Vereador: R$: 14,5 mil
Secretário: R$ 12,9 mil

Pelotas
Prefeito: R$ 19,7 mil
Vice: R$ 9,8 mil
Vereador: R$ 10,2 mil

Canoas
Prefeito: R$ 24 mil
Vice: R$ 15,6 mil
Vereador: R$ 14,7 mil

Santa Maria
Prefeito: R$ 26,7 mil
Vice: R$ 13,3 mil
Vereador: R$ 10,2 mil

‘Falta empatia, os servidores não podem trabalhar com um salário de fome’

O levantamento dos rendimentos salariais dos chefes do Executivo de São Marcos, município que paga um dos mais baixos pisos aos professores municipais em toda a região, foi feito após comentários de funcionários municipais em Live realizada pelo São Marcos Online no Dia do Servidor Público, em 28 de outubro. Na oportunidade, os funcionários reivindicaram valorização (aumento) e apontaram discrepância entre os rendimentos dos cargos eletivos e dos concursados da prefeitura.

“Prefeito ganhando R$ 20 mil por mês? Fácil, fácil. E o funcionário que coloca a mão na massa precisa ter dois empregos para se manter. Falta de empatia”, comentou funcionária, destacando que o alto número de atestados reclamados pelo prefeito acontecem pela falta de valorização: “Os servidores não têm saúde psicológica para continuar a trabalhar recebendo um salário de fome”, protestou.

‘Precisa aumento de 30%’

Na avaliação dos servidores, a defasagem salarial vem se acumulando ao longo dos últimos anos devido à falta de uma política de valorização salarial por parte dos prefeitos. Edson Donizette Padilha, que há mais de 12 anos trabalha no setor de emergência da Secretaria Municipal de Saúde, afirma que os últimos prefeitos não têm auxiliado os funcionários com um aumento digno.

“Recebemos em dia, mas o salário podia ser melhor. Precisamos de valorização. A insatisfação é muito grande, está difícil trabalhar. Em setembro foram mais de 250 atestados. Os servidores precisam se unir e parar com esse cabo de guerra onde cada um puxa para um lado e fala mal do outro. Isso faz com que sejamos mal vistos pela sociedade. Temos que nos unir e reivindicar um salário justo. Nos últimos cinco anos foi horrível. Começando pelo Demétrio, em 2016, que foi um governo covarde: deu aumento de 7% usando índice da construção civil, quando era para ser 11%. Começou ali e em 2016 o Fábio Medeiros (ex-presidente do Sindicato) ainda defendeu a administração do Lazzaretti na Câmara. E agora o Kuwer só fica reclamando dos atestados ao invés de valorizar o servidor, porque todos os setores precisam dos funcionários púbicos para funcionar. Não sei por quê um gestor se candidata para depois ficar criticando o servidor. Desse jeito jamais vai funcionar”, pondera Padilha, salientando que em 2020 entrou em vigor a Lei 173, que proibiu aumentos aos servidores públicos.

“Perdemos mais 3% do FPAS e se contar tudo o que viemos perdendo de 2016 pra cá, precisaria uma reposição de uns 30%”, reivindicou.

Geovana Soldatelli, professora municipal, também apontou problemas. “Hoje as escolas do Estado estão melhor equipadas que as do município. E o professor municipal de São Marcos tem um dos salários mais baixos da região. É desanimador”, ponderou.

A presidente do Sindiser, Marilda Gonçalves, disse que o salário dos servidores não cobre as despesas da casa. “Vemos colegas trabalhando aos finais de semana para poder cobrir as despesas básicas de sua família. Isso acontece porque estamos com salários muito baixos e defasados. Temos servidores públicos concursados que não tem sequer fundo de garantia. Foi o que aconteceu comigo. Isso é um sacrífico que a gente faz para ser Servidor Público. A autoestima dos funcionários públicos está muito baixa e isso interfere na produtividade, porque há um desânimo muito grande”, assinalou.

Gasto com funcionalismo abocanha 50% da receita e compromete gestão fiscal da prefeitura de São Marcos no Índice Firjan

Apesar da defasagem salarial e da reivindicação dos funcionários por aumento, o gasto com pessoal compromete a gestão fiscal da prefeitura de São Marcos. É o que aponta o Índice Firjan. Divulgado em 29 de outubro, o estudo analisa quatro indicadores das administrações públicas municipais: Liquidez (restos a pagar no ano e recursos em caixa para cobri-los no ano seguinte); Investimentos (capacidade de receita para investir em obras e serviços); Autonomia (relação entre receitas e despesas para o custeio da máquina pública); e Gastos com Pessoal (quanto a prefeitura gasta com funcionários em relação à Receita Corrente Líquida).

Em São Marcos, onde quase 50% da receita é gasta com funcionários (concursados e cargos de confiança), o índice ficou em 0,6424: foi o quesito no qual o município teve o pior desempenho. Conforme a Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro), em boa parte das administrações públicas brasileiras há gasto excessivo com FUNCIONALISMO: 1/3 das prefeituras gasta mais de 54% da receita com pessoal.

Problema revelado pelo índice Firjan é a falta de AUTONOMIA financeira. Quase duas mil prefeituras não se sustentam: não têm receita suficiente para o custeio da estrutura administrativa. Esse é o quesito no qual São Marcos possui melhor desempenho: graças à força de sua economia e à arrecadação de impostos, que chegará a R$ 100 milhões em 2022, o município possui nota 0,9352 (excelência).

Outro tópico problemático em termos nacionais é que mais de 500 municípios não possuem LIQUIDEZ: terminaram 2020 sem recursos em caixa para cobrir as despesas no ano seguinte. Neste item São Marcos ficou com nota 0,7891. A falta de autonomia e liquidez faz com que a capacidade de INVESTIMENTOS com recursos próprios seja muito limitada: mais de 2,5 mil municípios investem apenas 4,6% da receita. Neste indicador São Marcos obteve índice 0,8045.

Com nota 0.7928, São Marcos é classificado como tendo “boa gestão” (0,6 a 0,8). O município, que já foi o 2º do Rio Grande do Sul e o 5º do Brasil em 2004, ocupa a 661ª posição no país e a 94ª no Estado em 2020. Nesses 16 anos, o desempenho são-marquense no Índice Firjan de Gestão Fiscal despencou.

Para a “Gestão de Excelência” o município precisa ter entre 0,8 e 1,0. Abaixo de 0,6 está em “dificuldades” e com índice inferior a 0,4 a situação é crítica. É a situação de 57% das prefeituras brasileiras: mais de 3 mil dependem de repasses da União para a sobrevivência fiscal.

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