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Polêmica da buzina: postagem de autoridade judicial indigna caminhoneiros

Reunião acalmou confusão entre tradição e rigor na legislação: ‘Temos que respeitar as leis, mas sem acabar com uma tradição de São Marcos’

Um buzinaço realizado na noite do último sábado (24), logo após celebração na Igreja Matriz para lançamento do cartaz da 50ª Festa de Aparecida e dos Motoristas e comemoração do Dia do Motorista e aniversário de 41 anos da AMSM, gerou polêmica nas redes sociais. A confusão ocasionada após postagem do Promotor Público só foi aplacada após reunião no Fórum na tarde desta segunda (26).

O motivo da discórdia está ligado ao substantivo pejorativo utilizado por Evandro Kaltbach para classificar o ritual do “buzinaço”, quando caminhões perfilados desfilam pela Avenida Venâncio Aires buzinando em homenagem à Aparecida. “Baderna” foi a palavra escolhida pela autoridade judicial para classificar a ação que há meio século faz parte da tradição são-marquense.

“Dado o recado… Esse ano a fiscalização será rigorosa com essa baderna na cidade. Autuação por perturbação da tranquilidade e multa administrativa com base no CTB”, escreveu Kaltbach, em postagem acompanhada de uma imagem de caminhões descendo a Avenida que, pelo ângulo, foi tirada de sua residência.

A publicação teve rápida repercussão.

“O buzinaço foi de uns 20 minutos no máximo. Era 19h20 e já tinha terminado. Calculo uns 50 caminhões. É tradição, o pessoal vai da Igreja até a peixaria e volta. Quando cheguei em casa vieram aqueles comentários (do promotor na rede social) e o povo caiu em cima de mim. Todo mundo ligando e me cobrando para tomar providências. Botei três áudios no capricho”, relata Everton dos Santos (Penteado), presidente da Gasmar, grupo de rádio amador.

‘É como jogar flores para Iemanjá na praia no fim do ano’

Reunião nesta segunda (26) acalmou ânimos após repercussão negativa na internet. Foto divulgação

Foi para aplacar a desavença entre Ministério Público e caminhoneiros que se realizou o encontro no Fórum. Além de Penteado e Kaltbach, participaram o Delegado de Polícia Rafael Keller; o comandante da Brigada Militar, Sargento Mello; o diretor do Hospital, Rogério Soldatelli; o presidente da AMSM, César Bolzan; o prefeito Evandro Kuwer e o vice-presidente da Gasmar Darci Menegon (quebra-mola).

“Foi uma reunião amigável e conversamos sobre o mal-entendido ocorrido sábado. Estava de cabeça quente. Nos desculpamos. Ele errou e eu errei também. Os dois lados foram escutados. O promotor entendeu que o buzinaço é uma tradição de São Marcos. É que nem jogar flores para Iemanjá na praia no fim do ano. Fiquei orgulhoso com a reunião que teve no Fórum”, revelou Everton.

Buzinaço permitido na Festa com horários e locais determinados

Concentração de caminhões e benção aos motoristas acontecem na frente da Matriz. Foto: Stúdio Imagem Fotografia

A situação envolvendo Promotoria Pública e caminhoneiros tem como pano de fundo um duelo entre rigor na aplicação da legislação e manutenção de uma tradição que está ligada à identidade cultural são-marquense e que remonta ao chuvoso dia 12 de outubro de 1971, quando a imagem de Aparecida chegou à Igreja de São Cristovão acompanhada de um grande… buzinaço!

Nenhum motorista foi taxado de baderneiro: elemento identitário da “capital Gaúcha dos Caminhoneiros”, o ato de buzinar simboliza devoção e fé à proteção de Nossa Senhora e significa adoração e respeito, numa singela e festiva manifestação de agradecimento.

É para preservar esse barulhento ritual festivo que um novo encontro será realizado antes de começar a 50ª Festa.

“Vai ser feita uma reunião com o promotor e com os órgãos responsáveis para ver onde serão os buzinaços e os horários. Vamos fazer uma coisa organizada. Não adianta ir pra rede social. Com todos trabalhando juntos teremos uma boa festa. Temos que respeitar as leis, mas sem acabar com uma tradição de São Marcos”, pondera o presidente da Gasmar.

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