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Desfralde consciente 

Chegou a hora de iniciar o desfralde? Confira no artigo da pedagoga Aline Leite qual o momento certo

Chegou a hora de iniciar o desfralde. Mas como você sabe disso? O que levou você a essa decisão? Talvez para economizar, ou porque o bebê está completando dois anos, ou será porque ele está dando sinais de que está maduro para esta etapa?

Afinal de contas, o desfralde é dos adultos, pais/escola ou da criança? Essa pergunta pode parecer uma afronta para um assunto que parece tão rotineiro e muitas vezes simples, mas é muito mais sério do que se imagina e precisa ser realizado com muito cuidado e amor para que sejam evitados problemas futuros na vida desta criança. A partir disso, é muito importante perceber a maturidade da criança, se ela está preparada fisiologicamente para esse processo, e há três estágios que podem ser observados, o primeiro é quando a criança percebe /avisa que fez, o segundo é quando se dá conta de que está fazendo e a terceira é quando avisa que quer fazer, e quando este último acontece é o momento ideal para INICIAR o desfralde, e assim será um desfralde Consciente e respeitoso pois este precisa acontecer no tempo da criança e não quando o adulto julgar que chegou a hora, pois condicionar uma criança a reter fezes e urina não é desfralde, controlar esfíncteres de maneira imposta e arbitrária também não é desfralde. 

DESFRALDAR é ter a consciência corporal, ter o controle esfincteriano consciente e incentivar o uso do banheiro da maneira leve e divertida pois a prioridade é o bem estar do pequeno e os  adultos(pais/escola)  precisam ter a consciência de que o desfralde precisa ser visto como uma vivência e não como treinamento. 

O Desfralde Consciente pode até estar ser visto como “modinha”  mas é basicamente esperar o bebê estar preparado cognotivo, físico e psicológicamente para deixar as fraldas sozinho. Ele precisa ter controle total do esfincter, ter maturidade para usar o vaso sanitário ou penico, e querer largar a fralda e isso vai acontecer naturalmente assim como aconteceu com o rolar, sentar, engatinhar, andar, e o mais importante é lembrar que o que está em “jogo” é uma etapa muito importante na vida dessa criança e que deve acontecer de maneira cuidadosa para que não aconteçam prejuízos futuros.     

A literatura médica diz que cerca de 30 a 50% das crianças que passam por algum treinamento para desfralde terão consequências negativas no desenvolvimento e até na vida adulta. Isso mesmo, esses 30 a 50% indicam que nem todas as crianças que passam pelo desfralde imposto pelo adulto terão complicações, mas será que vale a pena correr esse risco? 

Existem complicações associadas ao desfralde quando é guiado/imposto pelo adulto e não pela criança, cito algumas delas: constipação, presença de fecaloma (fezes endurecidas no reto), infecção urinária de repetição, pielonefrite crônica e cicatrizes renais, retenção urinária crônica, encoprese (perda de fezes) retentiva ou não retentiva, e na vida adulta: vaginismo e  dificuldades na ereção peniana, e ainda os impactos emocionais como ansiedade, depressão, isolamento social.

O desfralde é cercado de mitos e achismos que perpassam gerações e entre muitos deles um que pode ser destacado é o que diz “ não pode voltar atrás e usar a fralda novamente”, cada caso deve-se avaliar o que está envolvendo esta decisão, se há mudanças na rotina, chegada de um irmãozinho, algum episódio familiar importante ou falta de maturidade da criança para este processo são apenas alguns fatores que podem ser levados em conta. E no caso de voltar às fraldas, não é preciso fazer discurso de decepção nem dar grandes explicações, afinal de contas o que se busca é o bem estar da criança, e com o passar do tempo  a criança vai sentir-se mais confiante e segura e o desfralde acontecerá de uma maneira mais fácil e até prazerosa.

Mais importante do que saber o que fazer ou esperar por dicas e conselhos valiosos para um desfralde de sucesso, é saber o que não fazer para que a criança não venha a ser prejudicada durante o desfralde e no futuro, como por exemplo começar antes dos sinais de maturidade da criança, forçar a criança a usar penico/vaso sanitário ou castigar a criança pelos escapes. O desfralde é um processo que precisa de empatia e paciência pois para muitas crianças será mais longo, e os pequenos estão aprendendo a conhecer seu próprio corpo, seu desenvolvimento e tudo isso precisa ser feito com muito cuidado e amor, cabendo ao adulto oferecer esse suporte e segurança para  garantir esse desfralde consciente e respeitoso.

Pedagoga Aline de Almeida Leite

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